O campeão

17 de dezembro de 2012 - Por: Redação

O lado bom de ser atleta é que a aposentadoria te tira das competições profissionais sem te tirar o título de vencedor. Se fosse apresentar os prêmios deste ex-atleta, não sobraria espaço para a entrevista. Por outro lado, se eu apenas disser seu nome, todos saberão que se trata de um campeão – o nosso campeão. Durante anos, Gustavo Borges foi sinônimo de Brasil nas piscinas do mundo inteiro. Hoje, é sócio-proprietário da rede de academias e da metodologia de ensino que leva seu nome. Ao entrevistá-lo, citei uma de minhas lembranças: Olimpíadas de Atenas, 2004, Gustavo com a bandeira verde e amarela na cerimônia de encerramento. O cara disse que a emoção é diferente: “No momento de ser porta-bandeira, você está ali por ter conquistado resultados importantes durante sua carreira. É uma espécie de homenagem. Gostei muito deste momento. Foi muito significativo na minha história como atleta”. Na nossa história como torcedores, também!

Qual foi seu melhor ano como atleta?

Com duas medalhas conquistadas na mesma Olimpíada, posso considerar 1996 meu melhor ano. Entre 92 e 97, conquistei praticamente todas as medalhas em competições importantes, mas 96 foi, sem dúvida, um ano especial.

É difícil parar de competir após tantas conquistas?

Sim, porque você está acostumado a seu ritmo e rotina. Fora das piscinas, tudo muda, pois a estrutura que você tinha não está mais ali. É uma nova fase, com novos desafios – e isto é uma coisa que atleta adora!

Sua história na natação é muito ligada à de Fernando Scherer. Como é a relação de vocês?

Ótima! Somos muito amigos, saímos juntos. Fui padrinho de casamento dele. Na época das competições, tivemos nossas diferenças, mas acredito que foi numa fase mais competitiva e imatura. Hoje, são apenas risadas.

O mundo corporativo é tão competitivo quanto as provas de natação?

É competitivo, mas tem uma relação diferente. O esporte tem como resultado as medalhas, o que dá uma conotação de vencer e perder. Na minha área, hoje, as disputas não têm hora marcada para acontecer, assim como as metas a serem batidas. O ritmo é mais lento, mas a preocupação a longo prazo é parecida.

Quando pequeno, você sonhava em ser destaque da natação no Brasil?

O bom da criança é que ela não coloca limite nos sonhos. Eu queria ir para a Olimpíada e fui atrás deste sonho. Também tinha o desejo de trabalhar com vendas, como meu pai. Hoje, posso dizer que realizei meus dois sonhos.

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