Brilho no olhar

Dr. Hamilton fala sobre os avanços em oftalmologia

20 de outubro de 2015 - Por: Redação


Se você não é de uma tribo localizada na África Subsahariana, certamente a partir dos 45, 50 anos vai se deparar com alguma dificuldade para enxergar. Com o passar do tempo a lente chamada de cristalino se torna mais rígida e pequenos defeitos vão aparecendo. O problema mais comum é a famosa “vista cansada”, a dificuldade de enxergar de perto. Na tribo, não se sabe o porquê, esse problema não existe. A comunidade científica está literalmente de olho nos hábitos deles para encontrar alguma pista que possibilite a solução. Enquanto isso, a cirurgia a laser é a alternativa mais eficaz. Conversamos com o Dr. Hamilton Moreira, diretor clínico do Hospital de Olhos do Paraná, que anuncia uma nova era com a chegada de uma tecnologia que permite ao médico automatizar etapas do procedimento, que até então eram realizadas manualmente.

Neto de oftalmologista e filho dos fundadores do Hospital de Olhos, Dr. Hamilton recebeu a VIVER Curitiba para falar sobre os avanços em oftalmologia, sobre os diferenciais que garantem a expansão do Hospital nos últimos 30 anos e dá o recado que, apesar de todo o avanço da medicina, nada vai substituir a sensibilidade do médico e uma excelente relação de respeito e confiança com o paciente.

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O ENVELHECIMENTO É REALMENTE IMPLACÁVEL? EM DETERMINADO MOMENTO TODOS VÃO SE DE­PARAR COM ALGUMA DIFICULDADE DE VISÃO?

Sim, dentro do olho humano existe uma lente que é muito elástica quando a pessoa é jovem e tem a capacidade de fo­car as coisas para longe e para perto e até compensa alguns defeitinhos de visão que a gente tenha. Quando nos aproxi­mamos dos 45, 50 anos de idade, essa lente vai ficando mais rígida e os defeitos pequenos vão aparecendo. Uma das consequências dessa rigidez, quando o músculo vai fican­do mais fraco, é a dificuldade de leitura. É quando a pessoa precisa esticar o braço para facilitar a leitura. É o momento que começa o envelhecimento com relação à visão.

O PROBLEMA É QUE AOS 50 ANOS A PESSOA AINDA É MUITO JOVEM, NÃO?

Com certeza, esse é o grande paradoxo, quando a dificuldade de visão para perto mostra que os anos chegaram, mas por outro lado essa pessoa está com todo o vigor físico, poden­do desempenhar muito bem as suas funções. É nisso que a oftalmologia está contribuindo muito hoje em dia, melho­rando a qualidade de vida destas pessoas.

COMO SE DÁ A SOLUÇÃO?

Há 30 anos, essa lente só poderia ser operada se ela ficasse muito opaca. Hoje as lentes artificiais que substituem aque­la lente que perdeu a sua elasticidade evoluíram muitíssimo e com o uso do laser conseguimos corrigir aqueles peque­nos defeitos que existiam – como a miopia e o astigmatis­mo – e, ainda, melhorar a visão de perto.

É UM NOVO MOMENTO?

Sim, a tecnologia foi avançando até o momento em que fomos apresentados para um novo tipo de operação, uma nova precisão. É uma nova era porque agora, além do com­promisso de melhorar a visão, nós assumimos o compro­misso de tirar o grau, um desafio adicional e muito maior. Se antes a gente achava um sucesso a pessoa voltar a enxer­gar, hoje o paciente quer enxergar bem e sem óculos.

TECNICAMENTE, COMO ISSO FUNCIONA?

Agora podemos automatizar etapas do procedimento, que até então eram realizadas manualmente (bisturi). A tecno­logia traça o caminho exato que o laser percorre logo no início da incisão, a partir de imagem gerada em 3D. Cada olho é tratado de forma personalizada. A cirurgia demora menos do que 10 minutos e é realizada com colírio tópico. A precisão é total, sem risco de traumas. O cristalino opa­cificado pela catarata é fragmentado em vários micrope­daços, facilitando a sua retirada. No mesmo dia o paciente retoma boa parte de suas atividades; e no dia seguinte, de uma só vez, recupera a visão que tinha na juventude, quan­do não precisava de óculos.

A CIRURGIA ACABA INFLUENCIANDO NO AU­MENTO DA AUTOESTIMA?

Sem dúvida, e o leitor que tem um pouco mais de idade vai entender. Entrar no box do banheiro do hotel e perceber que o condicionador e o shampoo são parecidos e você não conseguir ler e diferenciar os dois. Esquecer os óculos no carro, entrar em uma reunião e perceber que não consegue ler um documento. São atividades corriqueiras que são dificultadas para quem tem presbiopia. O prazer de ler passa a ser menor para quem tem dificuldades de visão. Existe um grande contingente de pessoas que sentem essa limitação e que a oftalmologia pode ajudar de forma muito eficaz. Exis­tem outras alternativas e quando além do problema para perto existe também um embaçamento da visão devido à claridade óptica daquela lente, aí a cirurgia se encaixa mui­to bem para esse paciente.

ALÉM DESSA BUSCA POR ESPECIALIZAÇÃO E TECNOLOGIA, QUAL O GRANDE DIFERENCIAL DO HOSPITAL DE OLHOS?

Sabemos que esse padrão de cirurgia do qual estamos fa­lando ainda é um luxo, um privilégio para poucos. Por isso buscamos nos especializar e oferecer um atendimento di­ferenciado, garantindo o respeito que o paciente precisa e sempre acolhê-lo com um sorriso. Precisamos ir além e ter médicos muito bem preparados para ouvir os anseios de cada paciente. Eu tenho chamado de uma nova era porque além de todos os avanços que a medicina oferece temos também novas demandas de tempo e informação que pre­cisamos oferecer aos pacientes e devemos estar preparados para atendê-las.

A RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE CONTINUA SEN­DO IMPORTANTE?

Fundamental. Temos sete unidades próprias, a maioria dos 71 médicos associados foram alunos da nossa residência. Eles têm suas clínicas e consultórios e fazem a cirurgia na nossa instituição. O laser nivelou o padrão por cima do ato cirúrgico, mas o que é impossível modificar é a empatia en­tre médico e paciente. Isso é inerente a cada profissional, por isso toda semana nos reunimos para fazer com que o atendimento médico atenda a um padrão de qualidade.

ESSE É UM ASSUNTO QUE PARTICULARMENTE LHE INTERESSA?

O calor humano é insubstituível e esse é um assunto que me encanta porque vejo profissionais excelentes que não conseguem explicar seu serviço, cativar o paciente e mos­trar sua competência, seja por timidez ou por não entender a importância dessa relação.

EXISTEM ATENDIMENTOS PELO SUS?

O Hospital tem uma veia de responsabilidade social desde a sua fundação. Como nós temos uma escola de residentes, temos também a capacidade de atender o SUS, com uma unidade no centro voltada para esse atendimento. É um grande orgulho porque mesmo diante de um volume grande de pessoas conseguimos oferecer cirurgias importantes e prestar um atendimento dentro da realidade do setor pú­blico com grande dignidade.

O HOSPITAL DE OLHOS FOI FUNDADO PELOS SEUS PAIS. COMO FOI POSSÍVEL ESSA EXPAN­SÃO?

Entendendo que o Hospital não visa engrandecer um so­brenome ou uma pessoa. Ao contrário, o que a gente mais quer é do médico mais jovem ao mais experiente possam ter as mesmas oportunidades de acesso à tecnologia. No início a instituição era muito ligada ao sobrenome Morei­ra, mas hoje já transcendeu muito e fico feliz por ver profis­sionais de grande destaque no mercado e que continuam conosco.

QUAIS SÃO SUAS PRÓXIMAS METAS?

Adoro desafios. Nossa unidade na Praça Zacarias tem sido o último grande desafio da nossa instituição. Existe uma população não apenas em Curitiba, mas no Brasil, desassis­tida. Há uma faixa da população que quer sair do SUS, mas não tem condições de pagar um plano de saúde ou pagar uma consulta particular. Nós estamos tentando organizar uma forma de atendimento para essas pessoas para que te­nham acesso a esse tipo de tecnologia que a gente comen­tou, mas que seja adequado para eles. São várias ações que estamos proporcionando porque acreditamos que a única maneira de atender bem é prevenir as doenças mais graves. Este é o grande objetivo, aliar tecnologia de ponta e custo adequado.

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