Cada vez mais cedo

Casamento adiado, congelamento de óvulos e campanha de doação de lenços

14 de outubro de 2015 - Por: Redação


Ingrid Klass2 2

Mesmo curável quando diagnosticado precocemente, o câncer de mama é o tipo que mais mata no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), a previsão é de 57 mil novos casos em 2015, com cerca de 15 mil óbitos. Alarmante, estes dados refletem uma realidade preocupante para mulheres na faixa dos 45 a 55 anos, idade com maior índice da doença. Mas não é só nesta idade que o câncer “ataca”. No corpo da professora infantil Ingrid Klass ele apareceu aos 24 anos. Ela nunca havia pensado em se prevenir, por ser nova e por não ter nenhum caso na família. Atualmente ela afirma: “O câncer nos dias de hoje não escolhe dia, nem hora. Apenas aparece do nada”.

A suspeita começou com uma alergia. “Ao me coçar senti uma bolinha estranha na mama esquerda, que mais parecia um caroço de azeitona. A alergia passou e a bolinha ficou. Decidi marcar médico”. Fez os exames e o resultado apareceu como benigno, mas a professora continuou acompanhando a “bolinha”, que por quase dois anos não cresceu. Porém, depois de um tempo, ela estava ficando com uma mama maior do que a outra, e como estava de casamento marcado para dali a cinco meses, resolveu retirar o nódulo para ter tempo para se recuperar. Assim descobriu que estava com câncer de mama.

“Passei por quimioterapia por seis meses, logo após fiz a retirada do quadranctetomia da mama esquerda e quatro linfonodos e fiz dois meses de radioterapia. A mama ficou linda e perfeita! Mas hoje ainda tomo um remédio diariamente”.

Adiando o casamento

Ingrid decidiu adiar a festa do casamento por conta do tratamento, e ela e o noivo usaram o dinheiro para fazer o congelamento de seus óvulos, pois a chance de ovular depois da quimioterapia é menor. Casaram no cartório e deixaram de lado o sonho da festa. “Neste dia estava me sentindo linda, e ninguém imaginava que por trás daquele sorriso havia uma lutadora pela vida e, que por baixo daquela peruca havia uma carequinha!”, relembra. Porém ela ainda tinha a vontade de ser noiva por um dia, e teve a ideia de fazer fotos de noiva careca. “Marcando assim um momento da minha vida que tinha tudo para ser dolorido, triste e angustiante, mas estava sendo lindo e cheio de esperança”.

Fazer o bem faz bem

A professora não se contentou apenas com o fato de vencer a doença e, quando terminou seu tratamento, quis fazer algo pelos pacientes. Então lembrou o quanto gostava de ganhar lenços, pois, para ela, cada um trouxe uma energia e a fez sorrir. Assim ela criou a campanha Lenço Amigo. “As pessoas doam os acessórios, e na maioria das vezes eu os entrego pessoalmente. Converso com as pacientes, trocamos ideias, experiências, dicas de acessórios, maquiagens e ensino a fazer diferentes amarrações. É gratificante e maravilhoso”, conta orgulhosa.

A maior lição

Além da campanha, o que ficou do câncer foi uma lição de vida. “Digo que aprendi a me amar, me admirar, aprendi realmente a viver e valorizar os pequenos instantes, estar com as pessoas e dizer o quanto as amo e  o quanto são importantes para mim”.

Quer ajudar?

Saiba mais sobre a campanha Lenço Amigo e os lugares para doar no site: http://rosaklass.com/campanha-lenco-amigo/

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