Como contar ao ente querido sobre sua doença incurável?

A verdade sobre o estado da doença deve ser repassada sempre. Esconder ou negar sobre a gravidade do quadro pode levar o paciente a sentir-se enganado

27 de dezembro de 2017 - Por: Redação


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A comunicação, em suas mais variadas ramificações, pode ser considerada um dos maiores desafios em cuidados paliativos. Isso porque desafinações em sua condução podem ter graves repercussões psíquicas, influenciando inclusive a adesão ao tratamento proposto.

De acordo com Ronny Kurashiki, psicólogo do Valencis Curitiba Hospice é importante ressaltar que o paciente com uma doença fora de possibilidade curativa é um ser humano tanto quanto aquele que ainda está em busca da cura de sua doença, ”assim o processo de comunicação não precisa sofrer drásticas mudanças apenas devido a essa mudança de status”.

As informações e a verdade sobre o estado da doença devem ser repassadas ao paciente de forma progressiva e suportável, e, para isso, antes de iniciar, é necessário ouvir dele o que ele sabe acerca de sua condição, bem como questionar se ele tem alguma dúvida e se ele quer saber mais algo. Se o paciente demonstra que não tem interesse em ouvir sobre seu quadro, não faz perguntas, não questiona se há algum risco e/ou afirma ainda que as decisões e informações a respeito de seu quadro devem ser repassadas à sua família, possivelmente ele não esteja preparado para ouvir tais informações.

O contrário, também, se mostra verdadeiro, sabe-se que só se pergunta aquilo que se consegue ouvir a resposta, e nesse raciocínio, aquele paciente que busca por mais informações e quer saber sobre sua condição clínica, tem o direito e o benefício em recebê-las. Esconder ou negar ao paciente as informações sobre a gravidade do quadro e evolução da doença pode levar o paciente a sentir-se enganado, enredado numa trama de mentiras, deixando-o assim mais vulnerável e fragilizado, potencializando as fontes de sofrimento psíquico.

“Muitos são os receios da família nesse momento, como, por exemplo, o risco de ao saber de sua real condição o paciente chore, se deprima e sinta-se triste. Porém, é de suma importância ressaltar que essas são reações comuns e esperadas para tal situação, permitir que elas sejam sentidas e expressadas pelo paciente favorece um enfrentamento saudável. Não há nada de errado em sentir-se deprimido ao entrar em contato com a frustração de saber que sua vida está chegando ao fim, o que é necessário é que a equipe, em conjunto com a família, demonstre com palavras e gestos que independente da situação emocional do paciente ele não está sozinho e poderá contar com o apoio e acolhimento das pessoas ao seu redor”, salienta Ronny Kurashiki.

 

Percebe-se que neste ponto troca-se a ideia de “não há o que fazer” por “mesmo que não tenhamos a cura, estamos aqui para fazer tudo que lhe traga conforto”, e essa segunda concepção engloba uma série de ações que demonstram que há muito a se fazer.

O grande benefício de o paciente ter contato com informações claras, sinceras e verdadeiras é poder exercer o protagonismo nessa que é mais uma fase de sua vida, não sendo necessário que tomem todas as decisões por ele. Isso permite que ao saber da escassez de tempo que lhe resta, o paciente, mesmo não podendo mudar “o que” vai acontecer, possa então decidir “como” as coisas deverão acontecer. “Se deseja realizar desde trâmites burocráticos como divisão de bens, alguns fechamentos, até algumas despedidas, ou tantas outras coisas que ele pode não querer deixar para trás. O inegociável aqui é que seja ele, o paciente, o maior interessado nesse processo todo, que forneça as direções dos manejos a serem tomados”, complementa o psicólogo.

 


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Muitas vezes pode não ser fácil lidar com todo esse processo de comunicação, principalmente para a família, pois ao falar para o paciente acerca da possibilidade de sua morte, o familiar fala também a si próprio a respeito desse evento. Nesse momento então ele se confronta com a iminência de não mais ter seu ente querido presente, assim como com a consciência da finitude que é inerente a todos nós. “No entanto, insisto, somente com uma comunicação verdadeira é possível permitir que o paciente tome a frente de suas decisões fazendo valer seus desejos, e há poucas coisas mais belas nesse mundo do que respeitar os desejos daquele que está de partida”, diz o psicólogo.

 

 


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