Como lidar com disfunções alimentares

Especialista fala porque esses distúrbios acontecem e como tratar

9 de março de 2017 - Por: Redação


Dra. Priscilla Leitner criou um instituto de pesquisa especializado em comportamento alimentar em Curitiba. (Foto: Mariana Barcellos)

Dra. Priscilla Leitner criou um instituto de pesquisa especializado em comportamento alimentar em Curitiba (Foto: Mariana Barcellos)

 

Você sabia que em Curitiba existe um Instituto de Pesquisa do Comportamento Alimentar? A VIVER foi atrás e conversou com a diretora do espaço, a psicóloga pesquisadora em compulsão alimentar, Priscilla Leitner, para entender como é feito esse trabalho, que engloba questões emocionais, nutricionais e atividade física. O instituto conta com seis especialidades e ajuda quem sofre com problemas no comportamento alimentar, oferece acompanhamento para cirurgia bariátrica e muitas outras questões.

 

O que é comportamento alimentar?

Ele começa desde que nascemos e sempre tem o componente emocional associado. Quando éramos bebê nossa mãe nos dava leite materno, e com esse alimento veio o afeto. Assim, durante toda a vida, nossas alimentações e gostos são permeados por emoções. Ao mesmo tempo, problemas nesse comportamento também têm componente emocional.

 

Profissionais da saúde recomendam uma alimentação saudável e atividade física a qualquer pessoa a todo o momento. Então, se todos sabem, por que não seguem?

Muitos não conseguem, se autossabotam e quando veem já comeram tudo que não deviam. Isso é puramente emocional. Já ouvi pacientes que fizeram cirurgia bariátrica me dizerem que precisam operar a mente, e nós trabalhamos isso. O comportamento alimentar engloba questões emocionais, nutricionais e atividade física, e por isso precisamos estar sempre atentos. Quando um deles está desequilibrado a coisa vai mal.

 

De onde veio a ideia de criar um lugar especializado nesse assunto?

Essa área alimentar é muito carente de profissionais capacitados e, quando comecei a trabalhar com isso, vi que sozinha não é possível, sempre é necessário ter outros profissionais envolvidos. Assim, quis montar um lugar para trabalhar todo mundo junto e trocar informações. Aos poucos montamos essa equipe com 12 profissionais que engloba psicologia, nutrição, psiquiatria, endocrinologia, nutrologia e educação física.

 

Como é lidar com pessoas que apresentam distúrbios alimentares?

É desafiante porque o sofrimento delas não está sempre estampado. Quem sofre de bulimia, por exemplo, se alimenta normalmente. Ninguém vê, às vezes nem a família percebe. Por isso é tão difícil diagnosticar. O que acontece muito é trabalhar com a pessoa quando ela decide procurar ajuda.

 

Como é o tratamento desses transtornos?

Usamos vários recursos e técnicas para ajudar esses pacientes. Minha abordagem é uma psicoterapia breve e focada na questão alimentar. A pessoa chega com uma dificuldade alimentar, passa por mim e, em geral, eu a encaminho para outro profissional da clínica e trabalhamos isso. Após resolvido, a vida segue. A melhor coisa é dar alta a um paciente!

 

Até que ponto a preocupação com o que se come é saudável e quando se torna patológico?

A linha é tênue. A preocupação com a comida deve existir. A pessoa que faz as compras pensando em se alimentar de forma saudável, que mantém um comportamento alimentar regular, come com frequência, não pula refeições e faz atividade física está fazendo tudo certo. O problema existe quando acontece prejuízo social, quando alguém tem uma rigidez de pensamento, ou pensamento obsessivo, tem um medo de engordar e pensa constantemente que tem que comer de forma saudável porque não pode ganhar peso. Outro sinal é quando come algo fora dessa dieta e vem uma culpa muito grande.

 

O estresse é um grande vilão e pode influenciar esses distúrbios?

Sim. Há uma relação muito grande entre a obesidade e o estresse, o que leva a um acúmulo de gordura abdominal até mesmo em pessoas com peso saudável. O estresse é um grande vilão, mas o problema é como cada um reage a ele, porque faz parte da vida moderna. Trabalhamos no manejo do estresse para minimizar esses efeitos. Outra questão são pessoas com peso saudável que têm um dia muito puxado e querem compensar com comida, isso pode levar a um comportamento problemático.

 

DRA. PRISCILLA LEITNER

Al. Julia da Costa, 1708 | Bigorrilho

(41) 3023-0450

ipcac.com.br

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