Dez dúvidas sobre câncer de mama

O Dr. Vinicius Milani Budel responde as principais dúvidas sobre o assunto

1 de outubro de 2015 - Por: Redação

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Hoje é dia 1º de outubro, porém não é só mais um mês que se inicia. Junto com ele começa toda a campanha do Outubro Rosa pela prevenção do câncer de mama, que é o mais incidente na população feminina mundial. Para se prevenir é importante estar bem informada. Por isso a VIVER Curitiba pediu ao Dr. Vinicius Milani Budel, presidente da regional paranaense da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), que respondesse às dez dúvidas mais frequentes sobre o assunto.

1. O que causa o câncer de mama?

O câncer de mama é uma doença crônica causada pela proliferação das células que compõem a glândula mamária, sobretudo pelas células que formam os ductos que conduzem o leite até o mamilo.  Não temos um único fator causal para o câncer de mama. É uma doença que pode ter vários fatores de risco, entre eles, o principal é a longevidade, seguida dos fatores de risco familiar, a idade tardia do primeiro filho, os fatores hormonais como reposição hormonal prolongada na menopausa e fatores ambientais.

2. Obesidade tem relação com câncer?

A obesidade e, sobretudo, o aumento da cintura abdominal tem relação não apenas com o câncer de mama, mas com todas as doenças crônico degenerativas, como a hipertensão, o diabete, as doenças cardiovasculares e os tumores hormonodependentes [relacionadas a hormônios].

3. Há uma sensação de que estão aumentando os casos de câncer de mama: isso está acontecendo ou os diagnósticos estão mais precoces?

O câncer de mama é mais comum em idades mais avançadas e, quanto maior for a idade da mulher ou do homem, maior será o fator de risco para todas as neoplasias [ou tumores]. Ocorre que a maior parte da população é constituída de pessoas mais jovens, isto é, a base da nossa pirâmide populacional é constituída de pacientes jovens e, por isso, o câncer de mama aparenta ser tão frequente em mulheres jovens.

4. Além de caroço no seio, existem outros sintomas?

Sim, alterações da pele das mamas e do mamilo podem ser importantes, como retrações e feridas, edema e vermelhidões chamados de “pele de laranja”, acompanhados de aumento de volume assimétrico das mamas que podem ocorrer em fases mais avançadas da doença. Além disso, gânglios ou linfonodos na axila podem ser palpados e, nas fases mais avançadas, pode ocorrer também o edema no braço do mesmo lado da mama afetada. Esses sintomas todos são mais comuns em fases mais avançadas da doença, o que pode ser evitado quando fazemos diagnóstico precoce.

5. O Inca não orienta o autoexame como medida de detecção do câncer de mama. É sempre possível notar a doença por meio do toque nos seios?

Nem sempre é possível detectar a doença no início através do toque. Um nódulo de um centímetro é pouco perceptível em muitas mamas, sobretudo aquelas mais densas e as mais volumosas. E a partir de um centímetro a doença tem mais chances de alcançar os gânglios linfáticos e avançar mais rapidamente. A recomendação do Inca é que a mamografia seja o exame de diagnóstico precoce.

6. Como funciona o tratamento?

O tratamento do câncer de mama é uma doença de tratamento multidisciplinar, envolve vários médicos e outros profissionais da saúde.  É, de modo geral, conduzida pelo mastologista. Entretanto, o patologista, o oncologista clínico, o cirurgião plástico, o geneticista e o psicólogo são frequentemente consultados, dependendo de cada caso.

Os melhores resultados cosméticos e a melhor chance de cura dependem do diagnóstico precoce, quando os tumores são geralmente pequenos e não palpáveis. Quando as lesões são maiores, geralmente começamos com a quimioterapia ou hormonoterapia e aguardamos a regressão do tumor para depois operar com maiores chances de conservar a mama. O tratamento de radioterapia complementar é amplamente utilizado e individualizado para cada situação clinica.

7. Quais são as chances de cura?

As chances de cura são sempre maiores quanto mais precoce for o diagnóstico.

8. Qual é a importância da amamentação?

É importante não apenas para prevenção do câncer, mas também para uma vida saudável do recém-nascido, ao proteger das infecções mais importantes e oferecer o alimento mais adequado para o crescimento e o desenvolvimento do bebê.

9. Pílula anticoncepcional ou reposição hormonal aumentam o risco da doença?

Não existe comprovação que o contraceptivo hormonal possa desenvolver o câncer de mama. Entretanto, quando a doença já está instalada, a pílula deve ser suspensa. Já a reposição hormonal, quando em pacientes em período da menopausa, deve ser utilizada somente naquelas com sintomas, na menor dose possível e no menor período de tempo. Essa é uma recomendação geral que existe de acordo com várias especialidades, entretanto cada caso deve ser tratado com orientação individual.

10. Ter prótese de silicone nos seios pode causar câncer ou dificultar o diagnóstico?

A prótese pode sim dificultar o diagnóstico precoce, mas não existe comprovação que o uso de prótese possa causar câncer de mama, caso contrário, nós não utilizaríamos para tratamento da reconstrução após a cirurgia de ressecção total ou parcial da mama.

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