A morte não é assunto proibido

Lidar com esta realidade não necessariamente precisa ser acompanhado de sofrimento

3 de janeiro de 2018 - Por: Redação

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Na sociedade atual, a morte ainda pode ser considerada um tabu. Apesar de ser uma das únicas certezas da vida, ainda assim ela é renegada e evitada. No entanto, é preciso possibilitar que ela venha a ocupar um lugar em meio à luz para que dessa forma se tenha a possibilidade de entendê-la melhor.

Para Ronny Kurashiki, psicólogo do Valencis Curitiba Hospice, falar sobre a morte a princípio pode parecer algo mórbido, no entanto, quando se compreende que ela é complementar ao processo de vida e não contrário, percebe-se que olhar para a morte é olhar também para a vida, já que são duas etapas de um mesmo ciclo. “Algumas pessoas ainda resistem em falar ou pensar sobre a morte, pois tal como uma expressão performativa, temem atraí-la mais rapidamente e, de modo geral, as pessoas querem ficar um pouco mais.”

O poeta Mário Quintana definiu a vida como sendo “uma estranha hospedaria, de onde se parte quase sempre às tontas, pois nunca as nossas malas estão prontas, e a nossa conta nunca está em dia”. A vida é levada segundo a ilusão da infinitude e de se ter todo o tempo a seu favor, no entanto, o fim é um fato da realidade que se apresentará convenientemente ou não. Talvez por isso seja tão difícil falar sobre a morte, pois ela pode parecer uma ameaça aos planos, desejos, sonhos, uma partida às forças, geradora de um sentimento de impotência.

“Lidar com esta dura realidade, no entanto, não necessariamente precisa ser acompanhado de sofrimento. Quando se olha a morte de uma maneira diferente, não como violenta, mas como rica em ensinamentos, não como usurpadora da vida, mas como um ciclo que se completa, é então possível amenizar as repercussões psicológicas que a acompanham.”

 


Leia também: Você sabe o que é um hospice?


 

O psicólogo explica ainda que no que se refere a contar ou não ao ente querido sobre a proximidade da morte, há alguns receios que são pertinentes, como, por exemplo, que ele venha a falecer mais rapidamente por estar ciente de seu prognóstico. “É importante frisar que é difícil realizar generalizações, uma vez que sempre entrará em jogo a subjetividade individual de cada sujeito, porém, pode-se partir da concepção de que falar a verdade sempre é o caminho mais indicado, sempre passando-a de forma gradual e tolerável ao ente querido. As informações sendo passadas dessa forma e respeitando aquilo que o paciente quer ou não saber podem gerar um enfrentamento saudável”, afirma.

Apesar dos receios de piora, após saber de seu quadro clínico e prognóstico, é possível observar, pela experiência clínica, que muitos pacientes surpreendem e demonstram enfrentamento resiliente e adaptativo. “Isso pode ser explicado pelo fato de que ao constatarem a limitação de tempo que sua vida pode ter, os pacientes ressignifiquem algumas experiências e concentrem sua energia psíquica para realizar os fechamentos que lhe são necessários. Um exemplo que pode ilustrar bem esse mecanismo é que quando estamos saudáveis, ao comermos uma comida saborosa, podemos ser comedidos e planejar saboreá-la posteriormente novamente. Mas o sujeito, que sabe da possibilidade de não ter novamente a mesma oportunidade, pode saborear com mais apreço, demorar-se mais, ingerir uma maior quantidade, etc. No dois exemplos dados, a situação é a mesma, mas o contexto diferenciado permite também uma atitude diferenciada frente à realidade que se apresenta”, frisa Ronny.

Muitas são as situações que fazem parte da existência humana e que, ao saber da proximidade de sua finitude, pode contar com uma atitude diferente, gerando o que a literatura na área da saúde traz como dignidade e protagonismo no final da vida.

 


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