O que aprendemos com a morte?

É preciso entender o valor da vida e respeitar os ciclos inerentes ao processo de viver

16 de fevereiro de 2018 - Por: Redação

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O que sabemos acerca da morte é que ela é parte da nossa própria vida, um fato, mas também um tema que é pouco abordado em nossa sociedade atual e que pode causar muito impacto. Para Ronny Kurashiki, psicólogo do Valencis Curitiba Hospice, os sentimentos relacionados à morte normalmente são medo, angústia, impotência e vulnerabilidade. Assim, entende-se que o temido não é a morte em si, mas o desconhecido, a sua aleatoriedade e imprevisibilidade, já que ela pode vir a nos acometer a qualquer momento, sem esperar que `estejamos prontos´.

“Com isso, aprendemos com a morte o valor da vida e de respeitarmos os ciclos inerentes ao processo de viver. Por ser uma experiência individual e intransferível, pode ser sentida como solitária, pois mesmo que rodeado de entes queridos é impossível que alguém viva esse momento no lugar do outro.”

Uma das precursoras dos estudos relacionados à morte e o morrer, Elizabeth Kübler-Ross, dedicou-se a conversar e a interagir com pacientes em final de vida, isso porque, segundo a autora, são esses os que mais estão próximos dessa experiência que é inédita para todos nós. Para ela, essas pessoas podem ensinar muito, pois a iminência de sua finitude pode ampliar olhares e permitir que haja ressignificação de muitos processos não valorizados no decorrer da vida do sujeito.

“Esse é um funcionamento comum de todas as pessoas, dá-se valor àquilo que se perde ou que há o risco da perda. Assim, pode-se compreender também que a morte – ou a iminência dela – ensina ao sujeito muito sobre como foi a sua vida, coisas pequenas, que talvez por anos não tivessem muito valor, nesse momento se tornam essenciais. O mesmo vale para desejos e planos a serem realizados e que por muito tempo ficaram incubados aguardando a ocasião perfeita”, explica Ronny.

 


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Ainda de acordo com o profissional, nesta mesma lógica, pessoas que convivem com este paciente em final de vida podem reagir de maneiras muito distintas, e os aprendizados daí advindos também o serão. Mas de modo geral é possível afirmar que, com maior ou menor aceitação, elas veem refletida a imagem de sua própria finitude, ou seja, vejo no outro aquilo que um dia também será minha realidade”, complementa.

 

E A FAMÍLIA?

Devido a toda esta carga emocional, é preciso permitir que o paciente e a sua família encontrem uma válvula de escape, que seja possibilitado a eles que se expressem e vivenciem as emoções sentidas no momento. “Alguns vivenciarão maior aceitação, outros, menor, no entanto é preciso zelar para que todos os envolvidos recebam o cuidado e o acolhimento necessários. Isso inclui evitar tamponar as vivências fazendo uso indiscriminado de medicamentos, por exemplo, que acalmem o ente querido no momento da morte de seu familiar e em outras situações correlatas. Essa conduta protela uma vivência inevitável que em outro momento se fará presente, inclusive assumindo o risco de sua potencialização”.

A história ensina que a morte sempre caminhou ao lado de rituais próprios em diferentes civilizações no decorrer do tempo. Eram liturgias e costumes que tinham como função auxiliar os parentes e amigos a fecharem o ciclo, despedirem-se e permitir-se sentir a partida daquele que ama. O psicólogo recomenda: “É preciso ter os cuidados necessários para que cada um caminhe segundo a capacidade de seus próprios passos, respeite os sentimentos e emoções. Assim é possível que a morte passe a ser encarada de forma natural, parte de um processo próprio de todo ser humano”.

 

 


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