Rafael Sartori: O escultor curitibano que é um show em casa e no atelier

Um pouco sobre Rafael Sartori, que além de veterinário é escultor e um apaixonado por tornar a arte acessível para as pessoas

12 de junho de 2018 - Por: Redação

(Foto: Felipe de Souza)

Por Luis Carneiro | Fotos: Felipe de Souza

 

Foi num final de tarde ensolarado que o escultor Rafael Sartori abriu sua casa para a VIVER Curitiba. Um conjunto de três contêineres que se transformaram numa bela casa com amplos espaços, vista para um bosque de araucárias e pinhões literalmente caindo na sacada.  

Num terreno que mais parece uma chácara, a poucos metros da Pedreira Paulo Leminski, a casa é cheia de elementos de arte e, principalmente, de peças que se transformaram a partir do olhar do artista. Já na entrada, além do grande rinocerante, percebemos o maior talento de Rafael. Um olhar capaz de perceber beleza em peças de ferro-velho que, resgatadas, ganham novas utilidades como aparadores e luminárias exclusivas. Um olhar que vê num bloco de matéria-prima cavalos, peixes, santos e outras tantas figuras. Esta sensibilidade e uma quase obsessão com a estética fazem desse curitibano uma das maiores revelações da escultura nos últimos anos.

Veterinário de formação, ele começou no atelier de escultura do São Lourenço, com o mestre Elvo Benito Damo. Foram poucos encontros para que percebesse que precisaria de muita técnica para compor moldes, mas que o talento para esculpir era natural. Sua primeira peça, o Cisne Negro, já foi complexa. Foi também no São Lourenço que vendeu suas primeiras obras. Ao visitar o atelier, o empresário Giancarlo Pellizzari encantou-se com as esculturas de onça, tigre e gato do mato e as comprou ainda no molde.

 

CasaCor

Dali para a frente, Rafael, que ainda dividia seu tempo com Laboratório de Biologia Celular da Universidade Federal do Paraná, resolveu apostar na arte. Acelerou os contatos, apresentou o trabalho a arquitetos, produtores e empresários e começou a dar formas a cavalos, sua grande paixão, mas também a animais de todas as espécies.

Das suas mãos saíram peças como a mesa onça, que brilhou na CasaCor 2016 no ambiente da decoradora Walkiria Nossol e arquiteta Jéssica Brandão. Com a produção de dois meses, a peça foi esculpida para representar, até nos mínimos detalhes, características reais do animal, dignas do seu conhecimento de veterinário. Mesmo que a criação artística seja um processo absolutamente livre, Rafael Sartori exercita essa prática respeitando fielmente características anatômicas que passariam despercebidas para os leigos.

Na Casa Cor BC 2017, em Balneário Camboriú, ele apresentou um painel com peixes na  praça idealizada pelos arquitetos Juliana Loffi e Rodolpho Guttierrez. A inspiração foi o belo cenário do litoral catarinense. Na mesma edição, o artista contava com um belíssimo peixe-lua em mármore verde jasper em outro ambiente.

Rafael trabalhou também na Casa João Turim por quase três anos atuando no restauro e nos moldes para reprodução das principais peças do precursor da escultura paranaense.  

 

 

Faz tudo

Em casa, Rafael faz de tudo. Basta passar alguns minutos com ele para perceber a semelhança com o apresentador Rodrigo Hilbert, que virou meme por apresentar no seu programa no GNT suas inúmeras habilidades. Ele, que aos 17 anos recusou um convite para integrar o casting da Ford Models, vai na mesma linha e dá risada quando os amigos fazem a associação. Casado e pais de duas meninas, foi ele quem decorou a casa mesclando esculturas próprias, trabalhos de amigos e garimpos de ferro-velho. A escada de concreto na entrada? Sim, foi ele quem concretou. Suas próximas aquisições serão máquina de solda, serra circular de bancada e uma betoneira.

Força bruta? Que nada, ao lado da casa está outra grande paixão, seu orquidário, com espécies do mundo todo, cada qual com sua etiqueta. Não podiam faltar cachorros, quatro, da raça australian cattle dog. Uns verdadeiros lobinhos que, com seu visual exótico, se encaixam perfeitamente no lifestyle da família.

 

Arte acessível

No instagram (@rafael_sartori_escultor) ele apresenta algumas das suas peças. São figuras humanas, animais, troféus, santos e até um E.T. que está produzindo e que será a estrela de um bar temático dos anos 80 que será inaugurado em breve em Curitiba. Ao contrário de alguns artistas que direcionaram seu olhar e trabalhos para as salas de exposição, Rafael Sartori quer ver suas obras nas casas, empresas e decorando espaços. Nesse sentido, a venda das suas obras, sempre numeradas e limitadas a 12 peças, têm feito a alegria de colecionadores, arquitetos e pessoas que desejam ter uma peça assinada em casa. Encomendas demandam mais tempo e pesquisa mas são o grande combustível do artista, atento a cada detalhe. Um bom exemplo é a imagem de Nossa Senhora da Aparecida, que, conta a história, foi resgatada por pescadores à beira do rio Paraíba. Para retratar fielmente, Sartori compôs o manto como uma rede de pesca e aos pés da imagem estão peixes típicos da região.

Aprendemos com os gregos a apreciar as esculturas. De lá para cá, inúmeros artistas nos mostraram como é bela a arte de esculpir, modelar e transformar argila, bronze, pedra em imagens que parecem vivas, tamanha a perfeição. A carreira do escultor Rafael Sartori se revela assim, como uma dessas imagens. Pouco a pouco, trazendo para perto a frase do romancista russo Fiodor Dostoiewski: “A beleza salvará o mundo”. Que assim seja.

 

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