Ouro Preto

História, arquitetura, arte, aventura e uma atmosfera muito agradável

14 de dezembro de 2012 - Por: Redação

ouro-preto 2

Por: Pablo Contreras

Recentemente fui até Belo Horizonte a trabalho e, depois, decidi pegar a estrada e ir até a famosa cidade de Ouro Preto. Sempre ouvi falar coisas boas da antiga “Vila Rica”, nome da cidade na época do império, e nada melhor que um feriado prolongado para aproveitar uns dias e mergulhar nos atrativos desta encantadora cidade.

Cheguei num final de tarde e ao descer na praça Tiradentes fiquei encantado com a arquitetura do Museu da Inconfidência. Era evidente que estava em um lugar especial! Cheio de atrações, história, arte e…igrejas. Incontáveis! E muitas ladeiras! Se você pretende ir pra Ouro Preto tenha sua série de pernas em dia na academia.

Com a noite chegando, decidi fazer algumas imagens noturnas do Museu da Inconfidência. Existe um intervalo de poucos segundos logo depois do pôr-do-sol (ou antes do nascer) conhecido pelos fotógrafos como “hora mágica”.  Durante esse período conseguimos efeitos incríveis e inesperados.

Mais tarde na pousada fiquei sabendo que no dia seguinte haveria um concerto de órgão barroco, na cidade vizinha de Mariana. O que poderia ser mais interessante que isso? Ir de trem, lógico.  E não resisto a fazer a piada óbvia: “ô trem bão, sô!”. Na manhã seguinte estava eu no vagão, percorrendo 18Km de uma bela serra até Mariana. Ao chegar na catedral da cidade, recebo a “agradável” notícia de que é proibido filmar e fotografar. Ironicamente eles vendem dois tipos de ingressos, o normal e o “colaborativo”, que custa alguns reais adicionais, para ajudar a manter o órgão. Bem, se eu pudesse mostrar aqui a beleza das obras e o órgão Schnitger, talvez você se interessasse em visitar o local e levasse mais dinheiro para lá.

Sobe e desce

Após o concerto, comecei a passear pela praça central e entrei em um restaurante de comida típica mineira. Devo confessar que a dieta deu uma patinada com a linguiça de pernil, feijão tropeiro, e por aí vai! Tal comilança cobrou seu preço mais tarde.  Realizar o sobe-desce pelas ruas da cidade ficou muito, mas muito complicado. Mas, olha, valeu muito a pena! Não só pela arquitetura maravilhosa, mas pelo que “sem querer querendo” acabei encontrando. Em uma casinha simples, achei o atelier do escultor Ednei do Carmo Silva. Que coisa incrível!  Em meio a serragem de madeira, martelos e demais ferramentas pude ver impressionantes esculturas em cedro decorando as paredes. Ele é um dos poucos artistas que ainda domina a técnica do barroco mineiro. Obviamente entrevistei esta figura tão particular e ele ainda talhou um anjo em uma peça enorme de madeira na minha frente.

Mina da Passagem

No dia seguinte decidi literalmente me aprofundar na história de Ouro Preto. Fui até a “Mina da Passagem”, a maior mina de ouro aberta à visitação do mundo, de onde no passado foram extraídos aproximadamente 35 toneladas de ouro. Minha capacidade de estimar números e conhecer de perto a indústria da mineração fizeram com que eu desconfiasse um pouco desse número, mas tudo bem…relaxa!

Confesso que as condições de segurança e estrutura da “Mina da Passagem” eram um pouco suspeitas – ainda mais pagando uma taxa de visitação salgada em vista da estrutura oferecida – mas tenho certeza que na época que ela ainda funcionava isso era muito pior.

Descemos num carrinho estilo “trem fantasma” por 120 metros. Lembrei até do filme do Indiana Jones. O nosso guia contava um pouco do passado da mina, até que revelou a todos o motivo pelo qual a cidade se chama Ouro Preto! O ouro ficava misturado ao minério de ferro…sacaram?

No mesmo dia, só que de noite, aproveitei para sair com os novos amigos feitos nesta viagem. Fomos na “Rua da Direita”, ver a atividade das festas das repúblicas e por acaso assistimos a um belo espetáculo de Bossa Nova, gratuito, em um dos museus mais antigos da América. Interessante não? E deu pra ver que os mineiros gostam de um bar!

História

E finalmente, no último dia em Ouro Preto fui conhecer um pouco dos museus da cidade. Fui até a igreja de São Francisco, onde ficam muitas obras de Aleijadinho e Ataíde. Esta igreja é muito importante, pois foi construída apenas por artistas mineiros, e não portugueses como todas as demais. De lá, fui ao Museu da Inconfidência e na sequência fui até o Museu do Aleijadinho.

Bem…para ser bem sincero, fiquei um pouco desapontado. Além de ser proibido fotografar, não achei que os cuidados com as obra de arte e as peças importantes dos museus recebem o cuidado necessário, nem tampouco há informação a respeito. Há muitas peças sem o material explicativo, poucos ou inexistentes guias (muitos com boa vontade, mas nenhum preparo). Mas é até previsível, tendo em conta que o “grosso” do dinheiro arrecadado de Ouro Preto é proveniente de “royalties” cobrados das empresas mineradoras e não do turismo. Como é bom ganhar dinheiro fácil não?!

E sabe por que não pode fotografar? Não se deve a cuidados com preservação das obras, mas sim por causa dos roubos! Mais de 60% do acervo histórico da cidade foi descaradamente roubado. Bem, se investissem em segurança, acredito que os resultados seriam melhores do que proibir as pessoas de fazerem fotos.

Mas querem saber onde eu aprendi mais da história de Ouro Preto? Numa simpática casa de artesanato, que no passado foi a casa do pai do Aleijadinho! Mais uma daquelas coisas que encontro sem querer…

Bom, Ouro Preto era tudo o que eu precisava naquele momento! História, arquitetura, arte, aventura e uma atmosfera muito agradável, que só tem uma forma de sentir…indo para lá! Se tiverem a oportunidade, não pensem duas vezes. Vale ouro!

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