Cleo Pires é uma deusa (quase) em extinção

Dona de uma autenticidade na hora de expor suas opiniões, a atriz se destaca na carreira

18 de setembro de 2016 - Por: Redação

Por Michele Marreira

 

(Foto: Ramón Vasconcelos)

(Foto: Ramón Vasconcelos)

 

Ela é, sem dúvida, umas das mulheres mais desejadas e admiradas dessa nova geração de atrizes. Cleo Pires se define como tímida e independente. Perto de completar 34 anos – em 2 de outubro –, diz que está amando esse processo de amadurecimento. Tida como símbolo sexual, suas inúmeras tatuagens dão o tom exótico à sua personalidade. Os cabelos longos são praticamente sua marca registrada, sejam pretos ou claros, louro mais precisamente, o atual tom que empresta à sua personagem Tamara, uma destemida pilota de Fórmula Pick-Up, em breve viverá uma intensa paixão explosiva em Haja Coração. “Me identifico com ela por ser dona da própria vida e não dar satisfação a ninguém”, compara. Além de estar no ar de segunda a sábado no horário das sete pela Rede Globo, é vista nos cinemas do país no longa Mais Forte que o Mundo. Na história ela representa Vivianne, esposa do aclamado lutador de MMA José Aldo. Mesmo sem ter conhecido a também lutadora durante as filmagens, a atriz buscou compor a personagem totalmente por meio do roteiro, dando seu toque pessoal, é claro. Completando um pouco mais de uma década de carreira televisiva em 2016, considera-se uma vitoriosa no ofício. Antes, porém, em 1994, realizou uma breve participação na minissérie Memorial de Maria Moura. Após um hiato de dez anos, fez seu début em pleno horário nobre no folhetim América, no papel da espevitada Lurdinha. Não demorou muito e foi chamando a atenção do público e crítica em seus futuros trabalhos, se destacando por sua atuação naturalista, já que, até então, não havia feito nenhum curso específico em Artes Cênicas. Atuou em Clara e o Chuveiro do Tempo, Cobras & Lagartos, Cirande de Pedra, Caminhos das Índias, Salve Jorge e tantos outros. Membro de uma conhecida família de estrelas, o brilho era praticamente uma certeza em sua trajetória artística. Filha de uma mãe que é uma Glória e dois pais, Fábio Jr. (biológico) e Orlando Moraes (do coração) que cantam e encantam nos palcos da vida, a musa contemporânea revela intimidade com o universo musical. “A minha paixão pela música veio antes de eu me tornar atriz. Eu tive uma banda”, enfatiza a artista. Já a sua relação com a sétima arte é intensa desde sua estreia, em 2003, com o filme Benjamim. De lá para cá foi intercalando com seus demais projetos. Podemos citar alguns: Meu Nome Não é Johnny, Lula, o Filho do Brasil, Qualquer Gato Vira-Lata 1 e 2, Operações Especiais. Sempre marcando presença nos principais eventos de moda, faturando em presença vip e estampando a capa das principais publicações do Brasil, Cleo não poderia deixar de prestigiar a VIVER e conversou com nossa reportagem sobre diversos assuntos.

 

Em quais aspectos você se identifica com sua personagem Tamara de Haja Coração?

Eu sempre me identifico. Temos tudo dentro da gente. E cada personagem nos dá a oportunidade de colocar certos sentimentos para fora. Eu me identifico com a Tamara nessa vontade de ser independente, dona da própria vida e não dar satisfação a ninguém.

 

É o seu terceiro trabalho com a atriz Mariana Ximenes [já atuaram juntas em América e Cobras & Lagartos]. Como define a parceria cênica das duas?

Uma delícia. Ela é muito parceira, não tem frescura. Ainda é concentrada e uma excelente atriz, uma colega incrível.

 

(Foto: João Miguel Júnior)

Em seu mais recente trabalho como a independente Tamara, a rival de Mariana Ximenes na novela Haja Coração (Foto: João Miguel Júnior)

 

Uma curiosidade que o público desconheça?

Quando a Carolina Ferraz começou a fazer novelas, eu olhava e dizia: nossa! que mulher linda! Ela é de Goiânia, terra do meu pai Orlando (Moraes) e, agora, estou trabalhando com ela! Bom demais! Conversamos muito sobre música, comida, maquiagem…

 

Já tem projetos pós-novela?

Eu lanço a série de terror Supermax que gravamos em outubro do ano passado na Globo. É bem diferente. Não temos referência, a menos que você tenha passado algo bem aterrorizante na vida. Do contrário, não temos essa referência de sentimentos. A gente aprende a testar os limites. É bem libertador.

 

Qual atividade utiliza para manter a mente sã?

Eu entendo que, às vezes, uma corrida na Lagoa Rodrigo de Freitas vai aliviar o que eu estou sentindo. Não é trabalhar muita a endorfina, a adrenalina, porque não adianta, ela não te dá uma resposta para as coisas. O que tem que ser feito é se aprofundar com você, entender quem somos!

 

Na pele de Surya, em Caminhos das Índias (2009), vivia para infernizar a mocinha Maya (Juliana Paes) (Foto: Frederico Rozario)

Na pele de Surya, em Caminhos das Índias (2009), vivia para infernizar a mocinha Maya (Juliana Paes) (Foto: Frederico Rozario)

 

E você já conseguiu se entender?

Às vezes sim e às vezes não. Até agora sim, mas não sei como será daqui por diante. Eu prefiro viver meus processos, entender as coisas, as fases. Mas, quando fica bem difícil, também não forço muito a barra, acho que é assim pra todo mundo. Gosto dessa coisa de me aprofundar, de me conhecer.

 

De que forma você mantém a boa forma cuidando do corpo?

No momento não estou fazendo nada. Depende da fase. Eu bebo muita água, isso me ajuda muito, e às vezes pratico Muay Thai.

 

Recentemente você esteve em cartaz nos cinemas do país interpretando Vivi, a esposa do lutador de MMA José Aldo. O que te chamou atenção no enredo?

O mais interessante na história dele é observar que não era só a questão da luta ou do vencedor, ele tinha uma trajetória de vida, em que pessoas fizeram parte disso para que ele chegasse onde está. É uma história de superação, muito humanizado.

 

Na pele de Vivianne, a mulher do campeão de MMA José Aldo no filme Mais Forte Que o Mundo, seu último papel nas telonas (Foto: Divulgação)

Na pele de Vivianne, a mulher do campeão de MMA José Aldo no filme Mais Forte Que o Mundo, seu último papel nas telonas (Foto: Divulgação)

Pelo fato de ter iniciado sua carreira artística no cinema, esse gênero se torna mais especial em sua vida?

Sim, é o que realmente fala mais à minha alma. Eu amo o estudo profundo do personagem, que se pode fazer em todas as áreas de um filme a ser realizado: os ensaios, o tempo intenso e relativamente curto em que rodamos o filme. Eu sinto uma facilidade maior para me aprofundar nesse universo.

 

Com dois pais músicos, como define sua relação com o universo musical?

A minha paixão pela música veio antes de eu me tornar atriz. Eu tive uma banda, depois abandonei… Mas estou sempre escrevendo, fiz algumas coisas em paralelo bem pessoal. Cada vez mais estou voltando para esse lado, mas nada certo ainda.

 

Você está com 33 anos de idade. Como vem encarando essa fase de amadurecimento?

Estou amando envelhecer, amadurecer. Eu gosto muito mais de mim hoje, quero ficar sempre gata (risos).

 


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