4 mulheres e a busca pelo equilíbrio

Trabalho, família, amigos... Parece impossível de conciliar, né? Essas quatro mulheres nos contaram como vencem as dificuldades e buscam pelo seu equilíbrio diário

23 de abril de 2018 - Por: Redação

Não é fácil administrar todos os papéis que assumimos no dia a dia – e é ainda mais difícil encontrar paz interior em meio à loucura que vivemos. Conheça a história de quatro mulheres que, assim como você, encaram a vida cheia de desafios e confira dicas para achar o seu ponto de equilíbrio – se é que ele existe!

 

A artista circense Márcia Zanchettini (Foto: Patricia Amâncio)

A artista circense Márcia Zanchettini (Foto: Patricia Amâncio)

“Meu equilíbrio é minha família”

 

“Gente de circo nasce onde o circo está. Por isso, nasci na cidade de Naviraí, em Mato Grosso do Sul. O Zanchettini foi fundado pelos meus pais em 1964. Desde pequena não sei o que é a vida na cidade. Moramos todos no circo, somos 10 irmãos e minha mãe, cada família fica em um trailer. Minha mãe tem 88 anos e, quando era pequena, viu em um circo

estrangeiro uma mulher que fazia o globo da morte. No Brasil, eram só homens. Ela se apaixonou por aquilo e sempre dizia ‘queria tanto ter uma filha globista’. Eu já andava de moto, acabei entrando lá depois que adquirimos o aparelho, adorei e não saí mais. Desde pequena sou acostumada com altura, com perigo, me criei nesse ambiente de artistas, palhaços, malabaristas, trapezistas e de pessoas que amam o globo da morte. Meu filho Giordan Estevan tem 6 anos e já está rodando de bicicleta dentro do globo, segurado pelo tio. Tem que ir treinando desde cedo, para perder o medo, aprender a conviver com a velocidade (porque atingem até 100 km/h), obter o sincronismo. Para mim, o equilíbrio é essencial: para estar na moto e também entre as pessoas que estão lá dentro. A mente tem que estar em equilíbrio perfeito, faço minha oração e me calo, fico bem quieta atrás da cortina, me concentro ao máximo. Esse equilíbrio só consegui porque tenho uma base familiar muito forte. Sofri um acidente em 2005. Compramos motos novas e uma delas veio com um defeito de fábrica. Nunca tinha falhado nos treinos, mas um dia, em plena estreia do circo em Rio Brilhante (MS), com casa lotada, aconteceu. Estávamos em 3 motos e um me pegou em cheio. Caí desmaiada. Tiraram as motos de cima de mim, mas eu não me mexia, me pegaram no colo e foram gritando pedindo para abrir caminho. Foram até a frente do circo e tinha uma mulher chorando, mas o carro dela era o mais fácil para sair. Eles pediram para me levar ao hospital, mas ela respondeu ‘vocês vão me desculpar, mas eu não posso. Perdi meu marido num acidente demoto, eu não vou conseguir’. Eles disseram ‘a senhora não pode, mas nós podemos’ e pegaram a chave do carro. No primeiro hospital deu que tinha quebrado o nariz e três costelas. Fui transferida e quando cheguei ao segundo hospital, fizeram todos os exames novamente e não apareceu mais nada quebrado. Eu deduzo um milagre. Mas até hoje minha mãe e a maioria da minha família preferem não ver a apresentação do globo. Se você for atrás da cortina nessa hora do show, vai ver todo mundo de olhos fechados, cabeça baixa, rezando. Aquele tombo me tirou o medo da morte. Até hoje tem muita moça de circo que chega para mim dizendo ‘eu faço o globo por sua causa’. Me sinto muito feliz, é uma gratificação saber que você é espelho para alguém. Isso tudo me mostra que não precisamos ser pequenas, principalmente por ser mulher. A gente pode ter marido, levar filho pra escola, fazer comida, mas pode também brilhar em qualquer ambiente e profissão. Ainda vou ser a vovó do globo da morte, pode escrever!”

MÁRCIA ZANCHETTINI, ARTISTA CIRCENSE

ALCANCEI O EQUILÍBRIO NA VIDA QUANDO… fui mãe. Era o que me faltava na vida para me sentir realizada.

EQUILÍBRIO É… conviver com uma grande família e ser feliz com ela.

EU AMO CURITIBA PORQUE… ela me acolhe cada vez que o circo vem. Fiz questão que meu filho nascesse aqui. O circo estava perto de Marechal Cândido Rondon, mas eu vim só para meu filho ser curitibano.

Claudia Silvano, diretora do Procon-PR (Foto: Patricia Amâncio)

Claudia Silvano, diretora do Procon-PR (Foto: Patricia Amâncio)

“Minhas roupas, minhas regras”

Minha família se resumia a duas pessoas: eu e minha mãe. Ela faleceu há 6 anos, depois de ficar doente por 12 anos. Foi um período horrível, é como se eu olhasse para trás e visse o antes e o depois, como se aquilo fosse um buraco no meio da história. Mesmo que tenha laços com outras pessoas, depois que ela morreu, eu me vi sozinha. Tenho alguns momentos de muita solidão, como no trajeto, quando termino de dar uma aula, voltando para casa. Sinto como se não existisse ninguém no mundo. É uma sensação incômoda, aí faço terapia toda semana para resolver a vida. Santa terapia! As coisas aconteceram na minha vida profissional de forma muito curiosa, nunca planejei nada. Depois de formada em Pedagogia (também fiz Direito), fui trabalhar com treinamento no PROCON e nunca mais saí de lá. Adoro tudo no meu trabalho. Amo o atendimento, sentir utilidade naquilo que você faz. Lá as pessoas chegam com um problema que pode ser pequeno para mim, mas tira o sono dela, causa brigas na família… e eu posso ajudar. Isso para mim é servir. O serviço público tem que ajudar o cidadão, tem que tornar a jornada das pessoas mais fácil. O trabalho para mim tem muito a ver com equilíbrio. Ele me salvou quando minha mãe estava doente, pois era lá que minha cabeça podia estar sem culpa. Tenho uma companheira há 11 anos, a amo, mas meu trabalho é sagrado. Não mexa com ele! Não gosto de tirar férias, adoro segunda-feira. Gosto de costurar, até pelo meu gosto com roupas que é fora do padrão. Inclusive foi o que causou todo aquele rebuliço no ano passado. Sei que pago um preço por me vestir assim, mas esse é meu ambiente de liberdade. Minhas roupas, minhas regras. É onde eu posso dizer ‘aqui quem manda sou eu!’. Fui ao programa numa quinta-feira e, no sábado, uma psicóloga mandou uma mensagem no Facebook dizendo que aquilo era um absurdo, com uma linguagem agressiva. Fiquei uma hora formulando a resposta. Dois dias depois começou a circular a foto que bombou nas redes. Não entendia muito bem o motivo de tanta repercussão, pois quem me conhece sabe que sou assim sempre. Eu já estava com o comentário daquela mulher martelando na minha cabeça e resolvi fazer uma resposta, mas não foi nada planejado. Pedi ao meu colega de trabalho que filmasse, com o meu telefone mesmo. Falei aquilo que se eu podia trabalhar de pijama, todo mundo podia reclamar de pijama. Foi um momento de criatividade que nunca mais terei na vida! Foi um aprendizado para mim, porque me visto assim, mas às vezes julgava os outros. Agora penso que cada um tem que ser feliz. Quer sair com uma saia minúscula na rua? Se você tá achando que está legal, vá! Isso, sim, é equilíbrio. É Isso que temos que procurar na vida. Não dá pra passar pela vida sendo infeliz, sofrendo. Não achei o equilíbrio ainda.Tem momentos que você está mais perto dele, outros mais distante. Ia ser chato se fosse tudo perfeitamente equilibrado. Que desafio de vida seria  esse? A tensão é necessária para que você busque o que é melhor.

CLAUDIA SILVANO, DIRETORA DO PROCON-PR

ALCANCEI O EQUILÍBRIO NA VIDA QUANDO… não alcancei ainda e nem sei se isso é possível.

EQUILÍBRIO É… ser feliz e ter paz de espírito. Paz e liberdade.

EU AMO CURITIBA PORQUE… foi a cidade que me acolheu. Vim neném, aqui estou e não quero sair nunca. Curitiba é linda, ande por aí!

Adriana Karan, sócia do Grupo Opet (Foto: Patricia Amâncio)

Adriana Karan, sócia do Grupo Opet (Foto: Patricia Amâncio)

“O equilíbrio é mais busca do que realidade”

Minha mãe foi professora de Português e Inglês e atuou como diretora em escola pública. Meu pai também começou sua carreira como professor e é um empreendedor nato. Fundou a Opet como uma escola de datilografia e, hoje, ela é um grupo educacional, com escola de ensino fundamental, médio, técnico, centro universitário, editora e um instituto de responsabilidade social. Amo a área da Educação e isso com certeza foi uma influência familiar. Comecei como professora de inglês, depois fui assistente de coordenação pedagógica, quando a Opet era só uma escola. Fui fazer mestrado nos EUA e, quando voltei, assumi a direção de uma das unidades. Depois fui para a administração geral do grupo, o que mudou um pouco meu foco. Agora estou num momento de transição, afastada da minha posição de superintendente educacional do grupo para me dedicar ao doutorado. Acho que o equilíbrio nos ajuda a conseguir exercer vários papéis. Em alguns momentos estou mais equilibrada, outros menos. As relações são dinâmicas, nunca estamos 100% firmes. Podemos atingir o equilíbrio num momento, mas no segundo seguinte isso mudar. Algumas coisas me ajudam nessa busca. A primeira é manter o nível de energia alto, para isso tenho cuidado da minha saúde, faço atividade física, cuido do meu emocional. Construí uma rede de apoio que é fundamental também. Tenho certeza de que não poderia ter assumido tantos papéis na vida se não tivesse uma estrutura familiar muito boa: um marido que me apoia e me incentiva, assume responsabilidades da casa. Meus pais e sogro ajudam muito também. Por que isso funciona para mim e para outras pessoas não? Acredito que eu tenho uma abertura e confiança em compartilhar os meus amores, minhas meninas, Mariana (17) e Helena (14), permito que elas amem as pessoas que sempre cuidaram delas. E não deixei de participar da vida delas por conta disso. Outra coisa que faço para manter o equilíbrio é cantar. Faço parte de um grupo vocal de música popular brasileira e isso me faz muito bem. Também precisamos buscar o equilíbrio nessa questão que tanto se fala das diferenças ou não entre homens e mulheres. Não temos que querer substituir a prevalência do masculino na sociedade pelo feminino, isso também seria excludente. Muitas vezes, para atingir esse equilíbrio, precisamos puxar o pêndulo para o outro lado, mas esse não pode ser o objetivo final. Para termos um feminino novo, precisamos de um papel também novo a ser vivido pelos homens. E ambos em equilíbrio, sem um melhor que o outro.

ADRIANA KARAN, SÓCIA DO GRUPO OPET

ALCANCEI O EQUILÍBRIO NA VIDA QUANDO… quem disse que alcancei? Um jeito de ter equilíbrio é deixar de querer ser tão perfeita em tudo.

EQUILÍBRIO É… uma busca constante. Uma busca necessária para nos manter saudáveis. Mas, de verdade, acredito que é mais busca do que realidade.

EU AMO CURITIBA PORQUE… é meu lar, o lugar para onde sempre gosto de voltar.

Mariana Galvão, empresária (foto: Patricia Amâncio)

Mariana Galvão, empresária (foto: Patricia Amâncio)

“Estar grávida é um sonho!”

Quando eu tinha 6 anos, minha mãe começou a trabalhar com cortinas e papéis de parede. Cresci aprendendo tudo que está relacionado a esse mundo, mas sempre pensei em seguir outro caminho. Fiz faculdade de Psicologia e amei! Achei que iria trabalhar com clínica a vida toda e que construiria uma grande carreira. Um dia meu marido me fez uma pergunta: mas por que você não trabalha no negócio da sua família? É um negócio tão bom… por que desperdiçar tudo isso? Aquilo me deixou com uma baita dúvida. Mas houve um dia em que eu percebi que não podia abrir mão de tudo aquilo e que poderia aplicar muitos conhecimentos da psicologia na gestão de uma empresa. Decidi então tentar! Comecei a trabalhar com minha mãe em 2009, como assistente comercial. Durante a pós e o MBA que fiz depois, percebi que passei um tempão olhando para dentro e me esqueci de olhar para fora. Não estava dando atenção a como seria possível crescer no mercado, atingir mais pessoas, difundir mais o uso do papel de parede, mostrar para todo mundo o quanto é bom trocar a tinta pelos papéis. Foi aí que eu criei a StilHaus, em parceria com meu marido, que sempre embarca nos projetos comigo! Um dia, comentei com a Martha Medeiros que gostaria muito de ter uma linha de papéis de parede com as rendas dela. Ela disse que tinha um projeto chamado Olhar do Sertão e que topava criar a coleção se fizéssemos uma doação. Foi o casamento perfeito: criar nossa primeira coleção própria, com as rendas que eu tanto amo, e ainda ajudar quem precisa. Toda minha trajetória profissional foi acontecendo ao longo de quase 10 anos e, agora, estou frente a um grande e novo desafio: a maternidade. Estar grávida é um sonho! Sempre quis ser mãe e formar uma família, e acho que tudo aconteceu como tinha que ser! Sou daquelas que faz tudo certinho, sabe? Estuda, se forma, namora, fica noiva, casa, tem filhos… Daquele jeito bem tradicional. Acho que realmente agora estou vivendo esse ‘equilíbrio’. Posso dizer que sou realizada na vida profissional, pessoal e, agora, como mulher e mãe! Acho que o equilíbrio de uma mulher é justamente esse: conseguir dar atenção a todos os aspectos da vida! Não consigo dizer o que é mais importante para mim: meu trabalho, meu marido, minha família, porque todos têm o seu lugar e me satisfazem de alguma forma. É justamente na soma de todos que consigo o equilíbrio e a felicidade!

MARIANA GAIÃO, EMPRESÁRIA

ALCANCEI O EQUILÍBRIO NA VIDA QUANDO… entendi que a verdadeira felicidade está na soma de pequenos momentos. Não sou menos esposa por trabalhar 24 horas, não sou menos empresária por sair um dia mais cedo para fazer as unhas, e não sou menos mulher por cuidar dos ternos do meu marido pessoalmente… e quando entendi isso, me senti realmente em equilíbrio!

EQUILÍBRIO É… ser feliz!

EU AMO CURITIBA PORQUE… em cada cantinho da cidade que você vá, encontra alguém conhecido! Isso faz nos sentirmos em um mundo pequeno, mas, ao mesmo tempo, em uma cidade grande com tantas oportunidades e possibilidades de crescer.

 

Busca eterna

Essas histórias nos mostram que podemos ser muito diferentes umas das outras, mas temos uma coisa em comum: a constante busca pelo equilíbrio. E, nessa missão, cada uma recorre aos seus próprios artif ícios: seja um tempo para si mesma na academia, seja uma aula de canto, seja até mesmo o trabalho. Mas o mais importante é conseguir buscar essa paz com você mesma. “Para mim, o segredo para encontrar o equilíbrio interior está na consciência. Se estamos num processo de conscientização sobre nosso valor e nosso potencial como mulher, podemos fazer contato com um estado de completude. Esse estado nos garante independência emocional e nos torna livres das cobranças externas. Passamos a assumir a direção e o papel principal do palco da nossa vida”, afirma Sirlei Bueno, psicóloga clínica e consultora educacional. Isso também ajuda a não esperar que as soluções venham sempre de fora, de outras pessoas ou de outras situações. E, quando estamos plenas e inteiras conoscos, procuramos relações com outros “inteiros” também. “A vida com tudo o que ela nos traz ensina que ninguém deve esperar que qualquer coisa, qualquer pessoa ou questão do mundo externo vá completar e preencher ‘a parte que nos falta’”, diz Sirlei. Essa parte que nos falta – seja o que for e cada um pode descobri-la a seu tempo e ritmo se realmente se dispuser a ser bem honesto consigo – cada um tem de buscá-la, encontrá-la e fazê-la parte de si. “Esse é o verdadeiro pertencimento de si mesmo. E somente quem pertence a si mesmo pode encontrar equilíbrio no mundo inteiro e recursos para se proteger dos desequilíbrios externos”, conclui.

Busca eterna 

PARA ENCONTRAR O SEU EQUILÍBRIO, COMECE COM ALGUMAS PERGUNTAS SOBRE VOCÊ:

1) Consigo dizer NÃO, sem me sentir culpada?

2) Cuido bem de mim, tanto quanto cuido dos outros (filhos, marido, carreira, etc.)?

3) Sei a diferença entre o que desejo e o que preciso?

4) Conheço a mim mesma ao ponto de me sentir íntima do meu mundo interno?

5) Responsabilizo outras pessoas por meus sucessos ou insucessos?

6) Conheço minha força e minhas fragilidades?

7) Tenho prazer em estar só, com minha própria companhia?

 

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