Aqui nessa mesa de bar

Conheça Amaury Miranda, proprietário de um dos bares mais icônicos da cidade

26 de março de 2016 - Por: Luis Fernando Carneiro

Ele tem apenas 40 anos, mas parece que viveu mais de cem. Amaury Miranda é sem dúvida um colecionador de histórias, algumas próprias e outras emprestadas de seus clientes. Todas elas saborosas como os petiscos que ele mesmo prepara e que não fazem o menor sentido se não vierem acompanhadas de um bom chope Brahma. Por falar nisso, seu bar, o Arrumadinho, está há quase 15 anos como sinônimo de chope de qualidade em Curitiba.

Em um ano de crise, o empresário que começou a carreira em Portugal aposta numa gestão inteligente, no investimento em sua equipe e na proximidade com seus clientes. Ao lançar o novo cardápio nas suas duas casas, Amaury sabe que não há tempero melhor que valorizar as pessoas.

QUANDO TUDO COMEÇOU?

Sempre tive vontade de abrir um negócio próprio e aproveitei um momento em que fiquei sem perspectiva de trabalho para ir para Europa e conhecer uma nova cultura. Foi um momento muito difícil, mas me ajudou a me especializar e elaborar um plano.

PARA ONDE VOCÊ FOI? 

Morei dois anos em Portugal, a maior parte do tempo em Lisboa. Não foi fácil ficar longe da família e eu ainda tinha uma filha pequena, que estava com quatro anos na época. Mas quando se tem um objetivo, a gente supera os desafios.

O QUE VOCÊ FAZIA POR LÁ?

Comecei meu trabalho descascando batatas. O problema é que, diariamente, eram 15, 20 sacos de 50 quilos para quatro descascadores. Eu era o único estrangeiro no restaurante e levei muita sorte de ter trabalhado nesse lugar. Fiquei nessa tarefa por apenas três meses e logo assumi o posto de auxiliar de cozinha e depois fui segundo cozinheiro. Foi lá que aprendi todo o processo que envolve a cozinha de um restaurante. Aprendi tudo na pancada. Não fiz curso, a vida me ensinou.  Minha ideia era ganhar conhecimento e voltar para o Brasil.

QUAL A MAIOR LIÇÃO QUE VOCÊ APRENDEU?

Em primeiro lugar eles são altamente trabalhadores. O proprietário do restaurante onde eu trabalhava tinha uns 25 restaurantes e acordava todos os dias cedinho para trabalhar. A dedicação com o cliente fiel, aquele do dia a dia era incrível. Foi isso que aprendi e faço sempre aqui nos bares.

COMO SURGIU O BAR?

Abrimos o primeiro Arrumadinho em abril de 2002. Ou seja, seis meses depois que retornei de Portugal a casa estava funcionando. O engraçado é que no início o movimento de frequentadores era bem distinto. Até às nove da noite era geralmente de advogados e comerciantes que estavam saindo do trabalho para um happy hour. Depois era a vez dos universitários, que vinham da Faculdade de Direito Curitiba. Esse é o principal motivo por sermos tão conhecidos dos advogados.

 

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E POR QUE ARRUMADINHO? 

Esta história é engraçada. Quando estávamos reformando o espaço para construir o bar, o arquiteto era muito perfeccionista e queria as coisas sempre bem feitas. Ele pedia para o mestre de obras e os pedreiros tirarem o reboco de uma parede e deixar bem “arrumadinho”. Falava para fazer o piso e deixar tudo bem “arrumadinho”. Com o tempo, os pedreiros no fim do dia acabavam falando: “Vamos para casa porque amanhã tem que voltar aqui para o Arrumadinho”. Aí foi ficando, o nome colou e não teve como mudar.

QUAL A FÓRMULA PARA MANTER UM BAR COM TANTOS ANOS DE SUCESSO?

Aqui os clientes são muito bem tratados. Tanto os que vêm sempre quanto os que vêm pela primeira vez. Afinal, queremos que todos tenham uma boa impressão e voltem. Mas também tem aqueles que já são da casa. Eu tenho clientes que vinham aqui quando estavam na faculdade e agora voltam com os filhos. É muito legal ver essa mudança na vida deles.

COMO É SEU RELACIONAMENTO COM OS CLIENTES?

Eu sempre sou visto com um ponto de referência. Antes ficava no balcão e atendia todo mundo. Claro que gosto disso, mas hoje faço menos. Confesso que sinto falta disso, mas hoje em dia não tem como. Tenho que resolver outras questões administrativas e de gestão de pessoas para gerar a satisfação do cliente.

COMO VOCÊ ESTÁ ENCARANDO A CRISE?

Infelizmente temos que cortar custos. A ideia é manter um cardápio mais enxuto, mas sempre com qualidade.  Sempre estamos lançando algo diferente. A palavra para se manter bem é acertar na gestão.

VOCÊ INVENTA ALGO NA COZINHA?

Sempre gostei muito de cozinhar e adoro trazer coisas novas. Por muito tempo ficou no cardápio um carneiro com molho de laranja que fazia o maior sucesso. Temos alguns sanduíches com nome de clientes, por exemplo, o Enrico Burguer, pois o cliente só pedia pão francês, presunto e queijo. Ele pedia tanto que o nome ficou. Tem o Edinho Wurst, sanduíche de salsicha alemã. Tem muitas histórias que ajudaram a fazer o cardápio.

O QUE É SUCESSO É PRA VOCÊ?

O sucesso é variável e depende da cabeça de cada um. Eu ainda não atingi o meu. Eu faço o que gosto e tento desempenhar da melhor forma possível. Não me sinto realizado ainda, pois tem muita coisa que precisa ser feita. Acredito que o grande segredo do sucesso é o carinho, atenção, dedicação e mostrar que estou presente para a minha equipe. Isso ajuda manter um estabelecimento há 15 anos. Sucesso não é a realização pessoal, mas sim a realização coletiva de quem trabalha comigo e que frequenta o Arrumadinho.

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