Artistas somos nós

10 de maio de 2013 - Por: Redação


Como seria conhecer a história de alguém cuja principal missão é zelar pela imagem de atores, cantores e modelos? O que ela teria a dizer? Talvez muito menos do que sabe e muito mais do que se espera de uma pessoa simples, que aos 22 anos veio de Jaguariaíva para tentar a sorte em Curitiba e garantir aos filhos um futuro melhor. Eloá Xavier não se intimida com rostinhos bonitos e as manias das estrelas. Faz seu trabalho como se toda a produção se resumisse a uma camisa bem passada, um set organizado e um ambiente cordial entre a equipe. E no fim das contas, com seu jeito discreto e seu sorriso encantador, faz toda a diferença. Não por acaso é a referência, a “mãezona” entre produtores de moda, figurinistas, diretores de arte, fotógrafos e todo o time que compõe as principais produções do Paraná. Aos 64 anos dá show de disposição e onde houver um desfile, um ensaio fotográfico ou uma gravação de filme lá estará ela ou uma de suas fiéis escudeiras. Em tantos anos de trabalho já viveu muitas experiências, conheceu muitos artistas e até morou com a atriz Giulia Gam. Vendo famosos tão de perto, descobriu que o mundo de fantasia não existe e ensina que se você quiser se dar bem nesse teatro chamado VIDA é preciso se agarrar a alguns valores como sinceridade, dedicação ao que você escolheu para fazer, sensibilidade e amor às pessoas. O resto, crítica ou aplauso, é apenas consequência.

 

Hoje você faz parte das principais produções. Como foi o início?

Quando cheguei aqui em Curitiba não conhecia ninguém e não sabia por onde começar. Um dia alguém me avisou que iria acontecer o primeiro Festival de Teatro de Curitiba e que estavam fazendo seleção para camareira. Na verdade eu nem sabia o que era isso, mas fui até o Teatro Guaíra e acabei sendo selecionada entre mais de cem mulheres. Acho que a pessoa que estava contratando foi com a minha cara…

Dedicação é fundamental…

Com certeza, acho que o grande segredo da felicidade é pensar no seu trabalho como se fosse a coisa mais importante do mundo. E é, porque se a camareira não for caprichosa ela acaba com um desfile, por exemplo. Já imaginou se na hora H eu por distração mudo a sequência de uma roupa que vai entrar na passarela? Você não tem ideia do corre-corre na hora do desfile!

Você é muito querida neste meio. O que faz de especial?

Relacionamento é uma arte e acho que o principal é respeitar as pessoas e ter sensibilidade para entender o momento de cada uma e o que podemos fazer para ajudar. Às vezes um café ou um carinho podem fazer toda a diferença.

Hoje você tem uma empresa?

É, com o passar do tempo fui sendo convidada mais e mais para os mais diversos tipos de trabalho. Como minha agenda foi ficando apertada, fui formando uma equipe. Somos em dez e sou eu quem anda para cima e para baixo levando material, organizando as coisas. Tem dia que fico maluca e minha filha diz que vou ter um enfarte. O problema é quando você tem trabalho, mas não tem ninguém para mandar. Mas acho que todo empresário sofre com isso, não?

Trabalho para você é sinônimo de realização?

Com certeza!  Meus filhos, netos e amigos veem que com o meu esforço vou economizando e conseguindo comprar várias coisas, até carro zero. Tenho muito orgulho de trabalhar com moda.

Como conheceu a Giulia Gam?

Em 1999 trabalhei no filme O preço da Paz, aqui em Curitiba, que tinha no elenco a Giulia, a Camila Pitanga, o Herson Capri, entre outros artistas. Nos intervalos das gravações eu senti que ela precisava de uma atenção, de um carinho especial. Foi no mês de julho, estava muito frio… Eu olhei e falei, Giulia, você está com frio? Ela disse que sim, então peguei uma meia, uma bota mais quente e a agasalhei. E por aí foi, a gente foi se tornando amigas e ela me convidou para trabalhar na casa dela. Eu já estava com os filhos criados, meu marido me apoiou e achei que seria uma boa experiência.

E como foi?

Fui pensando em ficar um ano e acabei ficando cinco anos. Eu adoro a Giulia. Até hoje vou para o Rio e fico na casa dela. Ela foi uma pessoa muito especial na minha vida e até mesmo o (Pedro) Bial também sempre foi muito atencioso comigo. Na época eles estavam se separando e acho que por isso foi importante ela ter um ombro amigo por perto.

Vida de artista é difícil?

Sim, porque muitos não têm família no Rio e quando eles voltam do Projac não têm ninguém que cuide, que olhe por eles. Eu sempre procurei ser uma companheira para a Giulia. Quando ela fez a novela “Mulheres Apaixonadas” eu estudava o texto com ela. Eles deixavam o texto na portaria, eu grifava com a caneta marca-texto as falas dela e fazia os outros personagens. Ela chegava na gravação com o texto na ponta da língua!

E o convívio com as estrelas?

Eu gostava muito quando ela fazia as leituras das peças de teatro, a casa ficava cheia de estrelas. Era legal ver a Debora Secco, a Vera Holtz, a Mariana Ximenes, a Camila Pitanga e Marcos Palmeira ali na sala. Mas no fundo, somos todos iguais. É como sempre digo: artistas mesmo somos nós que pulamos para lá e para cá para dar conta do recado.

O que você aprendeu neste universo de tanto glamour?

A nunca julgar as pessoas pela aparência ou pelas roupas. Às vezes a pessoa é famosa, está em todas as revistas, mas tudo o que ela precisa é de alguém que faça um carinho, que passe a mão na cabeça.

E em Curitiba, existe esse culto à imagem?

Com certeza, né? O curitibano faz que te engole, mas é difícil. Aqui é preciso ter muito jeito e uma boa dose de paciência para fazer com que a pessoa se esqueça de que você é de outro grupo, outra cor, outra raça ou classe social. Mas é fácil ver que tudo não passa de casca. Com certeza o travesseiro de muitas madames é feito de carnês ou boletos de bancos. Será que precisamos de tudo isso?

“Artistas mesmo

somos nós que pulamos

para lá e para cá para

dar conta do recado.”

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