Carpe diem

5 de outubro de 2012 - Por: Redação

As lições de vida de Orlando Azevedo e Liliana Vargas Ribas: o que eles aprenderam (e agora ensinam) com o passado           

 

O passar dos anos altera a forma como encaramos o que ficou para trás. É o amadurecimento que vem para deixar a vida mais doce e aconchegante

POR Mariana Gatzk | FOTO Janete Anderman

 

Tem uma frase de autor desconhecido que tomou conta do mundo virtual: “O que amadurece demais, cai.” Não podemos negar que ela seja verdadeira – afinal, vemos isto acontecer diariamente com as mais diversas frutas. Mesmo assim, é preciso ressaltar: a maturidade faz bem. Ela nos faz serenos, conhecedores de uma verdade que até os 30 anos de idade parece distante e impossível. Ela torna o peso dos erros mais suportável e os arrependimentos parecem não castigar tanto a cada momento.

Alguns, principalmente os mais jovens, tratam esta passagem da vida como um  grande obstáculo que, quanto mais tempo demorar a ser alcançado, melhor. “Vivemos como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Ao sair de casa, a gente não pensa que pode, talvez, não voltar ao final do dia”, lembra a psicóloga e psicanalista Ana Suy Sesarino. Ela explica que “a maturidade é um pouco como ter preguiça de fazer picuinhas” e é também a responsável por nos fazer enxergar que as coisas podem, sim, acontecer – sejam boas ou más.

Porém, antes de atingirmos esta consciência da condição humana, as saudáveis  ilusões criadas por nossa mente, que nos apontam como invencíveis, têm uma justificativa: não permitir que percamos a cabeça. Como Ana Suy explica, é preciso deixar “alguns pensamentos de lado para que possamos aproveitar a vida”, como por exemplo o medo corrente de morrer, mesmo sabendo que isto pode acontecer a qualquer um, pois do contrário esta mesma vida “seria demasiadamente angustiante.”

Convidamos a ortodontista Liliana Vargas Ribas e o fotógrafo Orlando Azevedo  para falar sobre o que deixaram de lado para diminuir o peso de suas vidas. Aqui, eles revelam como é encarar o passado com os olhos maduros do presente. A lição que fica é clara: aproveite o momento.

 

Liliana Vargas Ribas

“Nasci em Maringá, onde meu pai iniciou sua carreira de advogado e político. A corrupção existia, mas em menor escala. O voto era por amizade ou trabalho feito no município. Gostaria de participar da política, mas vejo os moldes atuais com tristeza. Cursei odontologia e a pós-graduação fiz depois de casada e com filhos. Não foi fácil conciliar, mas valeu a pena. Hoje, sou diretora da responsabilidade social do Graciosa Country Club. Se fizermos tudo com moderação, sem extremos, dá para dar conta do recado.”

Deus: “Afastei-me da igreja quando me casei, pois meu marido era católico e eu evangélica e não entramos num acordo. Só retornei aos cultos quando meu pai adoeceu gravemente, em 2007. Um dia, acordei com uma sensação estranha, embora maravilhosa. Eu chorava muito sem saber o porquê. Uma amiga me explicou que recebi a visita do Espírito Santo, que em sua presença o choro é inevitável. Este encontro gera uma transformação muito grande em todos os aspectos da vida. Assim comecei minha caminhada espiritual”.

Passado: “Se pudesse voltar no tempo, teria ajudado mais pessoas, feito mais projetos e assumido mais responsabilidades sociais. No meu círculo de amizades, ainda são poucos os que se voluntariam, mas são fiéis. Na verdade, pessoas mais simples são mais solidárias. Gostaria, também, de ter ficado mais tempo com meus filhos. O maior ensinamento que se pode dar a eles é o exemplo”.

“O que nos move na vida é querer conseguir algo. Para isso, é preciso que algo nos falte”, afirma Ana Suy sobre o fato de a solidariedade ser mais comum entre pessoas de classes mais baixas. Ela explica que a ação voluntária acontece por motivos diferentes, desde pessoas que se sentem realizadas a ajudar o próximo a pessoas que o fazem por se sentirem satisfeitas ao ver o sofrimento alheio. “O ser humano é múltiplo”, conclui a psicanalista.

 

 

Orlando Azevedo

“Nasci na Ilha Terceira, em pleno Oceano Atlântico. Em 1963, cheguei a Curitiba, aonde meu pai foi designado em missão especial pela FAO. Voltei a Lisboa, mas o apelo do Brasil foi mais forte e retornei definitivamente. Fui baterista e criador do conjunto ‘A Chave’ – uma experiência e vivência invulgar. Tornei-me fotógrafo profissional em 1981. A fotografia passou a ser meu modo de vida, minha comunicação e expressão com o mundo.”

Medo: “Quem disser que não teme, não fala a verdade. Sei respeitar os limites: com a natureza e o próximo não se brinca. Não há margem de erro ou improviso. Raras vezes enfrentei adversidades com o ser humano. Já entrei em lugares barra pesada, mas chego de coração aberto e me entrego de corpo e alma”.

Vida: “Quando jovem, imaginamos ser invencíveis e eternos. Faria tudo de novo, mas escolheria melhor as companhias. Muitas pessoas só existem porque a ambiência lhes confere existência. Não valem a pena. A vida nos ensina que estamos aqui de passagem e que nada se leva, a não ser a possibilidade de nos lapidarmos para, quando retornarmos, sermos menos imperfeitos e mais humanos. O que permanece é o espírito. A vida só faz sentido quando regada a amor, entrega e dedicação”.

Segundo a psicóloga Ana Suy, sentir medo é importante para o homem, mas “o medo do medo nos paralisa”. Como quando deixamos de tentar algo novo ou de repetir uma experiência por ter medo do que poderemos sentir. Devemos aproveitar cada momento para depois não sofrer romantizando o passado. “Na internet, vejo pessoas compartilhando imagens de roupas e bandas de outras épocas. É como se tivéssemos perdido algo em nossa infância impossível de ser resgatado”, avalia a psicanalista.

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