Curitibano leva Tocha Olímpica a escolas

Depois de participar do revezamento, Paulo Vicente decidiu espalhar a emoção que viveu

24 de setembro de 2016 - Por: Redação

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O esporte faz parte da vida de Paulo Vicente há 28 anos, mas foi em 2016 que o curitibano viveu um dos momentos mais emocionantes desde que se tornou educador físico. Paulo foi um dos condutores oficiais da Tocha Olímpica durante sua passagem por Curitiba, em julho. Segundo o educador, um dos principais motivos para sua indicação a essa função foi seu trabalho como voluntariado, no qual promove aulas de atividade física para a comunidade e arrecada agasalhos, alimentos e brinquedos para doação. Depois de carregar a Tocha, Paulo iniciou outro projeto para levar essa emoção a crianças e adolescentes.

 

Como começou seu envolvimento com o esporte?

Aos 16 anos comecei a praticar artes marciais e musculação e desde então nunca mais parei. Não consigo viver sem praticar diariamente alguma atividade física, nem que seja uma pequena caminhada. Hoje sou formado em Educação Física, pós-graduado em Gestão Esportiva, coordeno uma academia, sou docente em um curso preparatório para concursos públicos e ministro cursos em várias cidades do Estado.

O que o esporte representa na sua vida?

O esporte está presente em minha vida desde a hora que eu acordo, pois vou direto para academia atender meus clientes e depois realizo meus treinos, até o momento que vou dormir, quando termino de preparar os treinos para o dia seguinte. Lógico que sempre alerto que nada cai do céu, temos que correr atrás do que queremos, sermos profissionais, competentes, atualizados e comprometidos com nossa profissão. É por meio do esporte que posso desenvolver meu trabalho, aumentar a autoestima das pessoas, promover saúde, mobilidade e conquistas profissionais. É muito difícil imaginar minha vida sem o esporte, pois tudo que conquistei até agora foi por meio dele.

Você foi condutor da Tocha Olímpica aqui em Curitiba. Como foi esse momento?

Fui um dos selecionados devido ao trabalho social que realizo há 4 anos em Curitiba. Com relação ao momento, sendo bem franco, não tem como descrever! Eu sabia que seria muito emocionante, mas não imaginava que seria tanto! Uma energia positiva enorme, pessoas me aplaudindo, querendo tirar fotos, falando meu nome. Penso que tive muita sorte, pois quantas pessoas no mundo tiveram a honra de conduzir um dos maiores símbolos olímpicos! Foi sem dúvida uma das maiores emoções da minha vida.

 

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Depois desse episódio você começou a levar a Tocha para escolas. De que forma você começou esse projeto?

Após a condução da Tocha em Curitiba, conversei com minha família e achamos mais do que justo compartilhar este momento com os estudantes, crianças e adolescentes. O objetivo era levar os valores olímpicos para eles, então para os maiores expliquei qual a simbologia da Tocha e do Fogo Olímpico (a história conta que enquanto houver o fogo, não poderá haver guerras, ou seja, a principal mensagem é o bom entendimento entre as pessoas, a paz e a união entre os povos). E para os menores, contei como os atletas chegaram até os Jogos, ou seja, se alimentado bem, dormindo bem, respeitando o técnico, respeitando o adversário, respeitando o colega de treino, e principalmente inspirando-os a terem essas atitudes. Após isso falava que, pelo menos um dia por ano, cada um separasse algo que não usa mais e realizasse uma doação a quem não tem. Para nós não faria falta alguma, mas para quem recebe, pode ser a única coisa que esta pessoa receberá no ano!

Como foi ver as crianças perto da tocha? Teve algum momento que te marcou mais?

Foram momentos únicos e emocionantes. Muitas delas não acreditavam e perguntavam se a Tocha era de verdade, se realmente era a Tocha das Olimpíadas. Originalmente eram três escolas, mas acabei visitando dez, atendendo aproximadamente 5 mil pessoas, entre alunos, professores e diretores. Toda escola que visitei preparou algo para me recepcionar. Uma delas expôs os trabalhos de todos os alunos sobre as Olimpíadas no pátio, outra colocou meu vídeo conduzindo a Tocha em um telão, me entrevistaram, pediram autógrafos, fotos. Então o que me chamou muito a atenção foi o engajamento da escola e dos professores com o tema Olimpíadas, eles realmente preparavam a escola para a visita. Apesar de tudo isso, os momentos mais emocionantes eram quando algumas crianças se aproximavam e diziam frases como: “Eu quero ser como você quando crescer” ou “Sou seu maior fã”. Isso sim me emocionou, pois sabemos que quando estas frases são proferidas por crianças, a sinceridade prevalece!

 

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Você tem algum outro projeto social envolvendo esporte?

Atualmente estou trabalhando na expansão do projeto que me conduziu a ser um dos condutores da Tocha em Curitiba, um projeto que se iniciou pequeno, mas que conta hoje com o apoio de duas empresas. A intenção é crescer e atender um número cada vez maior de pessoas carentes.

Na sua opinião, o esporte pode ajudar a mudar o futuro do nosso país?

Não tenho nenhuma dúvida quanto a isso. O esporte é uma grande ferramenta para a formação e construção da cidadania. Traz valores que podem ser aplicados na prática, tanto na vida social, quanto na profissional. Precisamos que nossos gestores se atentem a isso e promovam cada vez mais a inserção do esporte para nossas crianças e garantam que as escolas tenham a estrutura suficiente para atender nossos alunos, inclusive alunos que necessitam de atenção especial devido a algum déficit físico ou intelectual.


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