Elas são supermães

Conheça a história de três mães modernas que precisam se desdobrar para dar conta de tudo

5 de maio de 2017 - Por: Angélica Mujahed

Janaína Barão, Michelle Cirqueira e Adriane Cardoso são as heroínas da vida real (Fotos Kelly Knevels)

 

O grande desafio desta matéria foi juntar três mulheres com agendas cheias para uma sessão de fotos. Tentar conciliar o horário de uma médica, uma cabeleireira e cantora e uma gerente de marketing não foi tarefa fácil. O que todas têm em comum? A falta de tempo para fazer tudo o que gostariam e a culpa de não poder passar todos os minutos do dia ao lado de quem mais amam. É justamente essa falta de tempo que as torna heroínas do dia a dia. Elas correm contra o relógio, precisam ser fortes como a Supermulher, ter a destreza da Mulher Morcego e ainda se manterem bonitas como a Mulher Maravilha.

TIC-TAC, TIC-TAC

Janaína Barão trabalha como cabeleireira, canta em eventos e, além de todas as tarefas que as mães precisam fazer para seus pequenos, sua filha necessita de alguns cuidados especiais. “Ela é autista, por isso tenho que levá-la às várias terapias, à escola, fazer as tarefas diárias com ela, organizar a casa e ainda trabalhar para o sustento! Tudo isso sem esquecer a questão da inclusão da criança com autismo, o que ainda é dif ícil!”, pontua. Adriane Cardoso sofre com o tempo de outra forma. A médica endocrinopediatra precisa se dividir entre três crianças, a casa e o trabalho. Acredite se quiser: ela conseguiu fazer um doutorado mesmo com uma rotina tão pesada. “Procuro ter tempo de qualidade com meus filhos, ajudando na lição, brincando e fazendo refeições juntos, sem interferências. Eu fazia meu doutorado de madrugada muitas vezes, quando eles estavam dormindo”, conta.

“Todas as mães são superpoderosas. Acredito que meu superpoder é a criatividade para resolver os problemas do dia a dia” Michelle Cirqueira

 

Já Michelle Cirqueira não para. Gerente de marketing do Shopping Mueller, mãe de uma menina e esperando a chegada de um menino, muitas vezes trabalha até às 23h e a culpa bate quando chega em casa e a filha ainda está esperando acordada. “Às vezes ela não vai dormir sem me ver. Mas procuro valorizar os momentos que temos juntas. Quando estou com ela não faço outras coisas. É especial”, afirma.

 

A CORRERIA ATRAPALHA?

Adriane muitas vezes tenta lutar contra o relógio. “Me pergunto onde vou arrumar mais tempo para o trabalho, fazer exercícios, pegar os filhos na escola… Mas chega uma hora que você se dá conta que quanto menos coisas você faz menos tempo ainda você tem. As coisas vão se encaixando, mas é preciso criar uma rotina e me organizar”. Já Michelle percebeu que algo tinha que mudar quando sua filha disse: “Mãe, para de falar: ‘Vamos, Helena, anda, Helena!’”. A gerente de marketing se deu conta de que sua rotina era muito corrida para uma criança de quatro anos acompanhar. “Ela não tem obrigação de fazer tudo correndo, então tento me policiar, transformar em brincadeira para fazer tudo no horário, mas sem demonstrar pressa. Não quero transformar ela em uma criança estressada e apressada.” Para Janaína, a coisa foi diferente. Ela teve crise de estresse e depressão quando viu que não tinha mais tempo para cuidar de si. “Quando sobrava um tempo, em vez de sair, me divertir, eu preferia descansar! Então percebi que precisava de ajuda profissional, precisava mudar. Hoje penso no que é prioridade e entendi que não posso resolver tudo”.

 

 

QUANDO NASCE A MÃE, NASCE A CULPA?

Cada uma delas achou uma maneira de lidar com esse sentimento. Michelle muitas vezes pensa como foi sua infância. “Minha mãe teve bem mais tempo comigo, ela não trabalhava. Eu não passava o dia na escola, acordava a hora que queria… Eu não queria que minha filha estivesse sempre com o tempo justo, mas não tem como ser diferente, aceitei isso”. Janaína passa por um misto de sentimentos, de um lado pensa em um jeito de trabalhar mais, para ajudar mais a filha e, do outro, vem a culpa de querer passar mais tempo com ela. Adriane afirma se sentir culpada todos os dias. “Quando nasce a mãe, nasce a culpa! Quando volto a trabalhar penso: ‘Será que não deveria ficar com meus filhos?’, mas muitas pessoas me dizem que eles vão estar felizes se eu estiver feliz e realizada. Não consigo não trabalhar e estar apenas em função deles. Acabaria me sentindo frustrada, e isso também não é bom.”

É IMPOSSÍVEL FAZER TUDO SOZINHA

Assim como as três super-heroínas desta matéria, a maioria das mães tem um trabalho além das obrigações com a casa e família. Mas como organizar tudo direitinho? Com ajuda! Michelle conta o apoio do marido em diversas tarefas e, quando precisa, os avós e tios entram em ação. Para poder se dedicar aos pacientes, Adriane tem uma funcionária para a casa, divide compromissos com o marido, inclusive pegar os pequenos na escola, e também conta com a avó deles. Janaína tem uma supermãe que é também superavó. “Ela fica aos sábados com minha filha pra eu poder trabalhar no salão e também quando vou cantar. Não sei o que seria de mim sem ela.”

 

“Tenho uma capacidade grande de organização. Penso no que precisa ser feito e me organizo para fazer tudo” Adriane Cardoso

 

VAMOS CONCILIAR

Para elas, não tem como fazer tudo o que precisa ser feito e nem tudo que gostariam de fazer em um dia, por isso afirmam que se organizar e estabelecer prioridades é essencial. Michelle prefere brincar com a filha a fazer outras coisas quando está em casa e diz: “Tem bastante gente perdendo muito tempo porque fica na frente da TV, vendo séries… É possível fazer tudo, mas é preciso conciliar”. Janaína sofre quando deita para dormir e lembra-se de alguma coisa que deveria ter sido feita. “Mas tenho a certeza de que faço o meu melhor e de que o mais importante foi feito!”

“Não acho que eu tenho um superpoder, mas acho que tenho um superamor. Infinito, eu diria” Janaína Barão

 

 

ELAS SÃO PODEROSAS

Janaína e Michelle se consideram supermães. A cantora afirma ter se esquecido do lado mulher por um tempo, mas retomou os cuidados consigo e voltou a se amar. “No lado profissional também me considero ótima, pois os dois trabalhos que faço são com muito amor e dedicação!” A gerente de marketing pontua que a maternidade é mais dif ícil para a mulher. “Estou grávida, mas meu marido daqui a alguns meses vai ser pai. Eu já estou dormindo mal, cheia de espinhas e várias outras coisas, mas estou maquiada e trabalhando. Não dá para deixar a peteca cair. Acho que isso é ser super!” Por outro lado, Adriane sempre pensa que está devendo em alguma área. “Às vezes acho que deveria estar estudando mais, trabalhando mais, levando mais meus filhos a algum lugar ou me exercitando mais, mas vamos levando”, finaliza.

 

 

 


 

JÁ QUE AJUDA É SEMPRE BEM-VINDA.. 

Se você é mãe, provavelmente se identificou com muitas dessas histórias. Por mais que elas sejam supermães, a verdade é que dúvidas sempre aparecem! Convidamos o educador e palestrante Marcos Meier para responder a algumas das principais perguntas sobre educação, qualidade de tempo, a culpa e outros anseios.

 

COMO TRANSFORMAR O TEMPO COM OS FILHOS EM MOMENTOS ESPECIAIS?

Um erro muito frequente é tentar brincar com a criança enquanto respondemos mensagens no celular ou lemos algo na internet. Esse tempo é de baixa qualidade e ela percebe que não está sendo importante. O ideal é olhar nos olhos, ouvir as histórias e contar as nossas. Esses poucos momentos especiais vão marcando positivamente a criança, que se sente amada. Outra questão é que muitos pais dão presentes para compensar a ausência. Isso envia a péssima mensagem de que ela pode ser comprada e de que a relação pode ser substituída.

 


Quer mais dicas? Venha falar sobre os desafios da educação no Shopping Mueller com a gente! 


 

QUAL É O PAPEL DA MÃE NA EDUCAÇÃO DE UM FILHO?

A imagem que a criança cria da mãe frequentemente está voltada ao acolhimento, carinho e compreensão. Mesmo quando adultos, adoramos visitar a mãe se estivermos tristes, pois sabemos que vamos receber apoio. Portanto, quando a imagem materna é bem construída temos base emocional para saber amar, falar das emoções e compreender as emoções do outro. Já com relação à imagem paterna, a criança constrói a ideia de força, autoridade, proteção e parceria. Quando adulta, terá facilidade em exercer a autoridade em sua vida profissional ou de aceitar a autoridade do outro. Claro que essas imagens são idealizações e podem ser mudadas pela realidade de cada família, como a mãe que cria o filho sozinha.

 

“Deixar de investir em si mesma é deixar de se amar. E quem não se ama, não tem matéria-prima para amar o outro, nem o filho”

Marcos Meier

 

COMO A EDUCAÇÃO MUDOU AO LONGO DOS ANOS? MÃES TRABALHANDO, FILHOS EM ESCOLA EM TEMPO INTEGRAL… QUAL O IMPACTO DESSA MUDANÇA SOCIAL?

Com menos tempo para educar, as mães estão mudando sua forma de interagir. Em vez de equilibrar a balança afeto-autoridade, muitas estão sendo apenas afeto. A falta da autoridade faz com que essas crianças não se reconheçam como filhos e passem a competir pela autoridade. A consequência disso é o aumento do número de crianças e adolescentes inseguros, frágeis emocionalmente, egocentrados e temerosos com relação ao futuro. Toda a sociedade perde. Entretanto, quando as mães equilibram o afeto com a autoridade, seus filhos não apresentam nenhuma falha no comportamento ou caráter.

COMO LIDAR COM A CULPA DE NÃO PODER SE DOAR MAIS?

Quando fazemos algo que traz culpa precisamos compensar. Se a mãe tem pouco tempo, precisa compreender o processo de crescimento da criança e da quantidade de tempo necessária para educar com qualidade. Se a mãe achar que só ela é capaz de cuidar bem de seu filho, então deixá-lo na escola é uma tortura e tentará compensar a ausência com presentinhos, paparicações e conivência com birras. Por outro lado, se ela compreende que o filho precisa interagir e que os professores são competentes, a escola se torna participante no processo da educação. Creio que a culpa sempre vai existir, mas a mãe pode diminuir seu impacto compreendendo o processo de amadurecimento de uma criança. Ou seja, a criança aprende logo a lidar com o que recebe e não com o que poderia receber.

E COMO LIDAR COM A FRUSTRAÇÃO QUANDO SENTE QUE ALGO ESTÁ FICANDO DE LADO, SEJA CUIDAR MAIS DE SI MESMA, PROFISSIONALMENTE OU COM RELAÇÃO AOS FILHOS?

Deixar de investir em si mesma é deixar de se amar. E quem não se ama, não tem matéria-prima para amar o outro, nem o filho. Há muitos casos de mães que se sacrificaram incondicionalmente e depois se arrependeram ao perceber que toda sua história foi desvalorizada por seus filhos agora adultos. Uma mãe que diz ao seu filho: “Agora não, agora eu quero ver a novela, vá brincar longe daqui”, pode até parecer grosseria, mas a mensagem que o filho recebe é: minha mãe é importante e eu tenho que respeitá-la.

SÓ UMA MÃE FELIZ PODE CRIAR UM FILHO FELIZ?

A felicidade de uma pessoa não deveria depender da felicidade de outra. Mas é claro que uma mãe feliz terá muito mais sucesso nessa empreitada. Filhos felizes são resultantes de uma educação permeada pelo amor verdadeiro que sabe incentivar tanto quanto cobrar. O amor de verdade diz “não”, mas também acolhe, sofre junto, diz “vá em frente meu filho, estou com você.”

 

 

 

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