Nos bastidores do ateliê CrisCosta Couture

A designer aposta na atemporalidade das roupas de festa, resgatando lembranças em suas criações

9 de maio de 2017 - Por: Angélica Mujahed

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Foto: Patrícia Amancio

 

Cris Costa é daquelas mulheres poderosas que vemos em fi­lmes. Empresária, estilista, mãe, esposa. Seja qual for a função, ela desenvolve com total destreza — tudo sem descer do salto, claro.

Gaúcha de Porto Alegre, está há cinco anos em Curitiba e há um ano e meio com o ateliê de portas abertas. Ela cria roupas de festa sob medida para algumas das mulheres mais exigentes do país (nós mesmas, as curitibanas).

O interesse pela moda começou quando pequena, pois aos oito anos já fazia comerciais e des­les como modelo infantil, carreira que seguiu até se formar em Estilismo. Ávida por conhecimento, sempre arruma um tempinho na agenda para fazer viagens e cursos, mas é no seu ateliê na Villa Mariantonio no Batel que a mágica acontece.

 

Como as coisas foram evoluindo na sua carreira?

Tive diversas experiências no exterior e ­z vários cursos, inclusive um de mercado de luxo em Paris. Essa foi uma das maiores loucuras da minha vida! Levei meu ­filho junto, na época o Léo tinha 9 meses. Depois da gravidez senti que tinha que voltar a ser eu mesma. Meu marido me deu o maior apoio. Então fui, ­o curso e fi­quei na casa de uma amiga que também tinha ­filho, assim tudo favoreceu e foi espetacular.

Ser estilista é uma profissão glamourosa?

Não é só glamour, pois o trabalho é intenso. Estilista de empresa pequena tem que fazer tudo. Quando precisa sou motorista, entregadora, bordadeira… O que acabou acontecendo é que senti uma necessidade da parte de gestão, assim me descobri empresária. Eu contava um pouco com a experiência do meu marido, que é formado em Administração de Empresas, mas decidi fazer uma pós em Gestão Empresarial e vi que gostava muito de ser empresária. Mas hoje tenho a ajuda da minha sócia, Camilla (Lorenzon), que cuida mais dessa parte e pude voltar a focar na parte de criação, desenho e até pintura em tela.

O que você pôde perceber no mercado de moda em Curitiba nesses anos?

A curitibana dá valor à qualidade, avalia acabamentos e investe em coisa boa. É a relação do custo-benefício, elas pagam se sabem que a matéria-prima e a mão de obra são diferenciadas. Quando entrei no mercado aqui as pessoas viajavam muito para comprar vestidos de festa com valores mais acessíveis. Posso dizer que a crise ajudou as pessoas a serem mais conscientes. Assim, elas voltaram a mandar fazer roupas e aproveitar o que têm no guarda-roupa.

 

Foto: Patrícia Amancio

Foto: Patrícia Amancio

 

Como você descreve o estilo de suas criações?

Priorizo a atemporalidade. Visitei algumas exposições e comecei a me dar conta que usaria vários looks “antigos”. Algumas que me marcaram foram “Grace Kelly Style”, no Victoria and Albert Museum em Londres e “Punk: chaos to couture”, no Metropolitan Museum em Nova York. Então comecei a pensar, por que não focar nisso? Trazer roupas antigas, revitalizar o que as pessoas têm, ou fazer referência a algo que foi importante para a família nas produções? Aí decidimos que o posicionamento da marca era este: contar um pouco da história da cliente, ter algo por trás da roupa. Até porque a moda conta muito do que a gente é. Suas roupas remetem os ­filmes que você está vendo, os livros que está lendo, as comidas, as viagens…

 

Por que investir na revitalização de roupas?

Percebi que as pessoas consomem muito e têm bastante coisa no armário que pode ser utilizada. Grandes preciosidades, inclusive! Esse trabalho de revitalização é minucioso e é preciso cuidado para mexer em uma peça com valor sentimental. Fazemos um diagnóstico, avaliamos se a peça pode ser alterada e fazemos o mínimo de cortes nas primeiras provas para a cliente se sentir à vontade e, qualquer coisa, poder reverter. Todas as peças que chegam aqui têm histórias. É uma riqueza cultural!

 

Foto: Patrícia Amancio

Foto: Patrícia Amancio

 

Qual foi a história mais te marcou?

Meu maior desafi­o foi quando uma cliente chegou com uma toalha de mesa de linho com barrado de renda renascença que ela ganhou da mãe para transformar em roupa. Criei várias alternativas e ela escolheu uma calça, regata e um quimono. Ficou lindo!

Como é trabalhar com noivas?

É preciso ter cuidado, porque elas estão vivendo seu grande dia e queremos tornar esse momento prazeroso. Eu já gostava muito desse universo, mas depois de ser noiva criei uma simpatia ainda maior e hoje exploro mais.

 

CRISCOSTA COUTURE

Villa Mariantonio | Rua Gutemberg, 585

Batel | (41) 3408-3432

criscosta.com.br 

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