Está de passagem?

Galerias comerciais estão de volta à capital com a ideia de valorizar o local e facilitar o dia a dia de quem mora pertinho

4 de abril de 2018 - Por: Redação

A diretora da Galeria, Sabrina, e o empresário Rodrigo unidos para atender o público cada vez mais exigente Foto: Priscilla Fiedler

A diretora da Galeria, Sabrina, e o empresário Rodrigo unidos para atender o público cada vez mais exigente Foto: Priscilla Fiedler

 

Basta uma voltinha pelo centro para perceber que as galerias comerciais estão voltando. Elas apareceram por aqui em meados de 1950 e tornaram-se referência quando se falava em compras. Conhecidas como galerias de passagem, pois fazem ligação entre duas ruas paralelas para os pedestres, elas estão ressurgindo em diferentes pontos da região central e agradando a quem mora por perto. Entre antigas e novas, Curitiba tem aproximadamente 18 desses espaços. A mais recente é a Galeria Guimarães & Cia., localizada entre as ruas XV de Novembro e a Amintas de Barros. “O que percebo é que as pessoas usam a galeria para se conectar. Tem wi-fi, tomada… enfim, algumas comodidades que ajudam quem quer passar um tempo ou fazer negócios. Neste mundo cada vez mais integrado, serve também para conectar as pessoas, pois o espaço permite a socialização”, fala Jane Appel, moradora do Hub, edif ício que fica acima da galeria. “Não posso deixar de falar da segurança, pois posso sair do meu apartamento e entrar direto sem precisar ir à rua. Tem comodidade, proteção e facilidade. E o melhor de tudo, passo um tempo ali e acabo falando com os moradores do próprio prédio quando tomo um café, por exemplo”, complementa. A segurança é também o ponto que a moradora do prédio Sonia Carneiro Bittar reforçou. “Sempre que posso desço até a galeria para tomar um café, sentar nos bancos e conversar. Tudo isso com segurança. Tenho que passar por aqui sempre e é bom encontrar lugar para comer, sentar e ver o movimento”, brinca a simpática senhora.

 

CONCEITUAL

“O conceito das galerias que existem há décadas na Europa é maravilhoso. São espaços comerciais que podem ser até ponto turístico, como é o caso da Vittorio Emanuele, em Milão, ou a Lafayette, em Paris. São espaços de convivência e facilitadores da vida das pessoas”, explica a diretora comercial da Guimarães & Cia., Sabrina Rispoli Iglesias. “As galerias perderam seu espaço em decorrência dos grandes centros de compras, mas agora existe um movimento que merece ser destacado. A ideia é privilegiar o regional, o local, poder fazer as coisas a pé, sem ter de ficar procurando lugar para estacionar. Esse é o grande conceito que estamos resgatando. Afinal, as pessoas não querem mais trânsito, preferem o seu bairro, elas preferem consumir perto do seu trabalho, da sua casa. Essa é nossa intenção, ocupar essa lacuna e atender o público para que ele encontre produtos, serviços, estabelecimentos necessários para suprir suas necessidades”, explica. Segundo Sabrina, o espaço difere-se das galerias do Centro da cidade em muita coisa, desde sua estrutura f ísica até mesmo com uma gestão completamente diferente. “As características comerciais que ela imprime são muito mais modernas, e as ideias que temos para implantar no decorrer da sua existência são inovadoras. Para deixar o espaço acolhedor, já temos o projeto cultural superbacana Música na Galeria, para valorizar os artistas locais e transformar a galeria em um espaço colaborativo para a arte e cultura.” “A maior vantagem é estar num espaço com outros comerciantes, o movimento de um ajuda o outro. Quanto mais cheia a galeria mais movimento ela terá e isso é bom para os empreendedores que estão nela. Acredito que até os comerciantes do entorno se beneficiaram com a construção da galeria, bom para a região, bom para todos”, comenta Rodrigo Abu-Jamra Corrêa, empresário que ocupa um dos espaços comerciais.

 

ANDANDO SOBRE A ERVA-MATE

Sabia que no mesmo local que hoje está o empreendimento, só que lá no século XIX, funcionava um engenho de erva-mate, um dos mais importantes ciclos econômicos do nosso estado? “A família Guimarães, descendente do comerciante Visconde de Nácar, era proprietária desse mesmo engenho, local de muito comércio. Não à toa que a aptidão comercial da região sempre foi muito forte, pois Manuel Antônio Guimarães, o Visconde, foi um dos maiores negociantes da história do Paraná, bem como exportador de erva-mate e proprietário da maior casa importadora de Paranaguá. O resgate dessa história para a adaptação dos dias atuais é um exercício delicioso de cidadania”, elucida Sabrina

 


GALERIA GUIMARÃES & CIA

R. Amintas de Barros, 270 | Centro

(41) 99285-5777

 

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