Formas de vergonha

Não precisa deixar hematomas para ser violência contra a mulher

3 de abril de 2018 - Por: Redação

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

 

O Dia Internacional da Mulher está aí. Uma data instituída para lembrar a luta das mulheres por melhores condições de trabalho e de vida, lá no século passado, mas também que se tornou um símbolo das conquistas ao longo dos anos. Muita coisa ainda precisa melhorar, indiscutivelmente, principalmente quando se fala em um assunto ainda velado, que muitas sentem vergonha em expor, compartilhar e denunciar: as agressões.

Elas vão desde a psicológica até a sexual e na maioria dos casos vêm de conhecidos, maridos e ex-companheiros. Segundo uma pesquisa do Datafolha divulgada em 2017 – realizada no ano anterior –, uma em cada três mulheres sofreram algum tipo de violência. Só de agressões físicas, o número é alarmante: 503 mulheres vítimas a cada hora. São mais de 4,4 milhões durante o ano.

A situação traz efeitos nocivos à mulher agredida, que pode ter sua saúde mental abalada e marcas no corpo que pode carregar para o resto de vida. É sobre essas diversas violências que vamos falar aqui. Algumas todos conhecem, outras focamos em exemplos para entender a gravidade do assunto. Conversamos com um grupo de advogados da Alves, Lima & Rodrigues Sociedade de Advogados que nos ajudaram a mostrar a situação.

 

A VIOLÊNCIA FÍSICA

Não tem como dizer qual a pior forma de agressão para a mulher, mas a violência física, por ser visível, é a que mais chama a atenção. Ela é entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde corporal. É o tapa, o aperto no braço, beliscão… fique sabendo que é qualquer tipo de agressão, independentemente da força que ela é aplicada. Só para você ter uma ideia, em 2016, tramitaram mais de um milhão de processos referentes à violência doméstica contra a mulher no Brasil. Desses, pelo menos 13,5 mil são casos de feminicídio, o pior dos piores quando falamos em violência, que é o homicídio cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, motivado por menosprezo ou discriminação.

 

A VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA

De uma maneira simplista, é entendida por lei como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima. É aquela ameaça que restringe seu direito de ir e vir, faz com que se sinta acuada e insegura por meio de ofensas e xingamentos, aquela situação que te coloca sempre num patamar abaixo, quando diz que você está sempre errada e não consegue fazer nada direito. São atos de possessão, por isso, por ser mais subjetiva, torna-se mais difícil de se perceber.

 

A VIOLÊNCIA SEXUAL

Quando você diz não, ele também precisa entender o não. É o tipo de violência que faz com que você mantenha ou pratique uma relação não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força. É o estupro? Sim, mas é muito mais que isso. É o comentário sexista, é a utilização de palavras desagradáveis por você ser mulher. É a cantada? Sim, aquela que te denigre, não com a intenção de conquistar. É o toque sem permissão. É o assédio no trabalho, que ocorre quando o chefe ou o supervisor se aproveita do cargo que exerce dentro da empresa para buscar uma vantagem sexual. Começa com um elogio, depois vem àquela cantada, ou um convite para sair e por aí vai! A primeira e mais importante dica é: Não se cale, NUNCA! Procure o RH da sua empresa e relate a situação.

 

A VIOLÊNCIA PATRIMONIAL

Definida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, sejam eles de trabalho, sejam documentos, sejam bens. Não pagar a pensão é uma forma de violência, pegar dinheiro sem avisar também, utilizar seu nome para financiamentos de carro ou moto sem você estar ciente, queimar suas roupas… tantos exemplos. Deve ser entendida quando o parceiro controla o dinheiro, não dá permissão para compras ou certos usos do dinheiro, não deixa a mulher trabalhar, oculta bens e patrimônio.

 

A VIOLÊNCIA MORAL

Segundo a lei, ela deve ser entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. Traduzindo: sabe aquele comentário desagradável, por muitas vezes sutis jogados em tom de brincadeira para te deixar para baixo? Não tenha dúvidas, isso é uma forma de violência. É uma forma que afeta tanto quanto a violência física, destruindo a sua autoconfiança e autoestima. Mesmo quando vem um elogio, em seguida de um comentário maldoso, que acaba destruindo o efeito positivo de cada palavra, pode ser considerado violência moral. A mulher vítima desse tipo de violência perde toda a sua identidade e passa a se enxergar pelos olhos do outro, sentindo-se sem valor.

 


ALVES, LIMA & RODRIGUES SOCIEDADE DE ADVOGADOS

Al. Dr. Muricy, 54 | 1˚ Andar | Centro

(41) 3218-3000

 

Posts Relacionados

Astrid Fontenelle Astrid Fontenelle é muito mais que uma apresentadora de TV. Com muitos e muitos anos de carreira e tendo passado por experiências profissionais e pess...
Maitê Proença fala sobre liberdade, literatura e d... É dura a vida de jornalista. Ter de fazer um texto sobre a Maitê Proença a partir de apenas uma entrevista é correr o risco de se revelar superficial....
Diga: quem você é, me diga? O que você faz naquela hora em que (quase) ninguém está olhando? Descubra o lado B de nossos convidados          POR Bruna Covacci | FOTO Arquivo Pes...

Viverno digital

Loading...