Ilse Lambach: por trás das maiores festas curitibanas

A história da produtora que realizou o primeiro casamento no Castelo do Batel e na Ópera de Arame

10 de junho de 2017 - Por: Luis Fernando Carneiro

Foto: Valéria Grams

Foto: Valéria Grams

 

Quando menina, Ilse Lambach sentava no colo do seu pai e viajava o mundo pelas páginas da revista National Geographic. Apaixonado por viagens, a tomava nos braços, mostrava fotos e com suas histórias semeava sonhos que iam muito além da pequena Porto União. Do outro lado, a rigidez da mãe e a educação das freiras do colégio Santos Anjos mostravam que a vida real exige disciplina. Dessa mistura inusitada entre sonho e realidade nasceu a produtora que se tornou – festa após festa – sinônimo de refinamento e elegância em eventos corporativos e sociais em Curitiba. No início do ano, a menina que queria ser arqueóloga foi escolhida pela renomada Rede de Hotéis Belmond, proprietária no Brasil do Copacabana Palace, como uma das 20 principais produtoras de eventos do país. Completando 15 anos de carreira, Ilse Lambach é um furacão que mistura arte, força, delicadeza, música, pausa, luz, sombra e elegância em cada momento que se propõe a orquestrar. Sim, para ela produzir um evento é como reger uma orquestra formada por inúmeros fornecedores, onde cada qual tem sua importância. Do brinde inicial ao serviço de vallet, passando pela decoração, a gastronomia, o som, a iluminação, o sucesso de uma festa é o sucesso de um conjunto que deve estar em harmonia. Um brinde à Ilse e à sensibilidade de captar os sonhos e transformá-los em realidade.

 

ESTE ANO VOCÊ REALIZOU O PRIMEIRO CASAMENTO NA ÓPERA DE ARAME, COMO FOI?

Quando os noivos Herick Carcereri e Marina Braun chegaram ao meu escritório, tinham algumas ideias, como um casamento ao ar livre, com natureza… Eu fui extraindo o sentimento deles e percebendo que eles tinham uma leveza muito grande de alma, que vinha muito de encontro com o meu desejo de oferecer essa joia rara que integra natureza e arquitetura. Quando apresentei a ideia, eles adoraram e me deram muita liberdade para conduzir todos os passos.

 

O QUE FEZ DESSE CASAMENTO ESPECIAL?

Além do inusitado do local, a expectativa. Os noivos optaram por não participar do planejamento de alguns momentos e no dia foi fantástico viver a surpresa deles e dos convidados na mesma sintonia. Também foi maravilhoso ver essa expectativa das pessoas sobre como eu ia preparar a Ópera de Arame em um lugar para a cerimônia e para a festa e depois ver no olhar, no sorriso e na emoção de cada um como tudo aquilo se tornou realidade.

 

Os noivos Herick Carcereri e Marina Braun foram os primeiros a casar na Ópera de Arame (Foto: Foto Marco Zammarchi)

Os noivos Herick Carcereri e Marina Braun foram os primeiros a casar na Ópera de Arame (Foto: Marco Zammarchi)

 

VOCÊ FAZ MUITOS CASAMENTOS. TEVE ALGUM QUE VOCÊ SE EMOCIONOU EM PARTICULAR?

Todos me emocionam de alguma forma. Eu muitas vezes até brinco que não sou nada profissional porque eu deveria encarar com muita naturalidade e não chorar, mas não tem jeito.

 

VOCÊ SE ENVOLVE MESMO?

Sim, eu vivo cada um deles, me emociono por ir além e conseguir enxergar que tudo é muito mais que uma festa. Ver a história de cada um ali representada e o esforço das famílias em poder naquele dia concretizar uma história de amor. Não tem como conter as lágrimas.

 

QUANTO TEMPO EM MÉDIA LEVA A PREPARAÇÃO DE UMA FESTA?

Já produzi casamentos rápidos, que acontecem em três ou seis meses, mas tem alguns em que levamos dois anos ou até mais. Mas independentemente do tempo de preparação, o que valorizo é a intensidade desse momento com os noivos e a união para construir a melhor experiência.

 

JÁ ACONTECEU DE OS NOIVOS SE SEPARAREM ANTES DA FESTA?

Houve um casamento que eu estava preparando e três dias antes da festa ela me ligou desesperada, de madrugada, dizendo que acabou, que o casamento não iria mais acontecer. Mas depois desse primeiro momento de tensão, as coisas foram se acalmando e eles acabaram casando. Essa história foi bem emocionante, com uma boa dose de tensão, mas tudo terminou no melhor estilo “final feliz”.

 

HÁ ALGUM PERFIL DE EVENTO QUE VOCÊ CONSIDERA MAIS ESPECIAL?

As bodas de ouro me emocionam muito, porque eu acredito em casamento para sempre, mas a gente sabe que nem sempre isso acontece. E quando alguém comemora 50 anos ao lado de outra pessoa, a gente vê a força do amor e de como eles aprenderam a lidar e a desenvolver uma maturidade.

 

É INSPIRADOR…

Com certeza. É fantástico perceber que as pessoas que celebram bodas são as mesmas que aprenderam a comemorar diariamente as pequenas coisas. Que saem para jantar, que enfrentam as dificuldades naturais, mas que conseguem ver muita beleza nesse caminho. Não tem preço participar desse momento da vida das pessoas. Eu já tive a oportunidade por três vezes.

 

VOCÊ FAZ TODOS OS TIPOS DE EVENTO?

Tenho a felicidade de fazer parte de momentos maravilhosos na vida das pessoas. Faço desde batizados, a eventos corporativos – como inaugurações – passando por aniversários de todas as idades.

 

DEBUTANTES INCLUSIVE?

Sim, faz quatro anos seguidos que produzo a tradicional festa de debutantes do Graciosa Country Club. Foi um grande desafio acompanhar a evolução nos últimos anos para oferecer uma festa clássica, mas ao mesmo tempo atual, repleta de elementos com que os jovens se identifiquem.

 

ONDE VOCÊ SE ABASTECE?

Faço muita pesquisa, busco muitas referências, sobretudo das viagens, do que vi pelo mundo. Assim, quando a pessoa me pede uma festa árabe, por exemplo, eu busco tudo o que colecionei na minha vida e compartilho com ela e com seus convidados um pouco dessas vivências.

 

VOCÊ FOI ESCOLHIDA PELO GRUPO BELMOND COMO UMA DAS 20 MELHORES PRODUTORAS DO BRASIL. QUAL SEU MAIOR DIFERENCIAL?

Eu quero mais sempre, em todos os sentidos. Sou ambiciosa, gosto de me aprimorar, isso me abastece, me dá muita energia. Mas é claro que algumas vezes isso também me faz sofrer, porque acabo exigindo muito de mim. Sempre acho que poderia ter feito mais.

 

O QUE MAIS TE DESAFIA?

Adoro fazer eventos em lugares inusitados, em espaços em que nunca ninguém pensou em fazer uma festa. Recentemente fiz uma festa dentro de uma cabanha, em Joinville, com pessoas jantando no meio das cocheiras. Os cavalos saíram daquele espaço e deram lugar a tapetes orientais, lustres, enfim, foi fantástico.

Casamento de Isabella Rieper e André Caviguioli, na Cabanha Emaisa, em Joinville (Foto: Max Schwoelk)

Casamento de Isabella Rieper e André Caviguioli, na Cabanha Emaisa, em Joinville (Foto: Max Schwoelk)

 

E QUANDO A FESTA É EM LUGARES PRONTOS COMO OS CLUBES?

Aí procuro levar a identidade dos donos para aquele local. Eu transporto a casa e a família dos donos da festa, tudo a partir da decoração, da gastronomia, de detalhes que podem parecer pequenos, mas são essenciais.

 

HÁ AINDA ALGUM SONHO A REALIZAR?

Muitos! Eu geralmente traço algumas metas e vou atrás dos caminhos para chegar até lá. Eu sempre desejei fazer uma festa em que os convidados tivessem contato com a rua, com um espaço público, em julho vou conseguir realizar. Será uma festa incrível!

 

COMO COMEÇOU A FAZER EVENTOS?

Sempre fui muito festeira, da turma da bagunça. Sempre tive uma lembrança muito boa da infância, dos momentos de confraternização em volta da mesa. A vida também me privilegiou e sempre viajei muito. E eu via que havia uma total falta de personalidade nas festas.

 

COMO ASSIM?

Você ia para uma festa que não tinha a cara dos donos. Festa era a união de um local, de gastronomia, uma banda e uma floricultura. Eu percebi que dava para fazer muito mais. Até que o Nemécio Mueller me deu a primeira oportunidade, me convidando para caracterizar um dos espaços numa feijoada que ele estava promovendo para a Pró-Renal. Eu ambientei o lounge da imprensa, mesclando decoração e algumas referências históricas.

 

ALI NASCIA A ILSE LAMBACH COMO PRODUTORA DE FESTAS?

Sim, naquele dia, o Carlos Madalosso virou para mim e disse que me conhecia, mas que não sabia que eu sabia fazer festas. Eu disse: “nem eu”. (Risos) Aí ele me convidou para fazer a festa da esposa dele, Neuza, e disse que eu teria o grande desafio de descaracterizar o restaurante Madalosso, onde a festa seria realizada.

 

E COMO FOI?

Na época tinha uma novela que se chamava Vamp. Como eu sempre me aproprio do projeto arquitetônico, olhei a torre e disse que aquilo tinha cara de castelo. Pronto, fizemos uma festa conceito, à fantasia. A cidade toda foi caracterizada, a Neuza estava uma vampira linda e essa foi considerada a festa do ano.

 

E DEPOIS?

Logo após produzi a festa do Sultão, do Alexandre Tacla, uma das maiores que fiz até hoje. Fiz também as bodas da Sandra Formigheri com o Rubens, no Iate Clube de Caiobá, e nessa época comecei a trabalhar em sociedade com o Dado Dantas. Foram quase dez anos em que fizemos uma história muito bonita de conquistas, até que voltei a trabalhar sozinha novamente.

 

VOCÊ TAMBÉM FEZ A PRIMEIRA FESTA NO CASTELO DO BATEL. COMO FOI?

A Paola Malucelli chegou ao meu escritório e disse brincando que gostaria de casar num castelo porque tinha encontrado o seu príncipe encantado. Dias depois eu vi que a TV Paranaense, atual RPC, tinha acabado de sair do Castelo. Eu fui atrás, falei com a família Lupion e pedi para locar o espaço. A partir daí a família percebeu o potencial do local para festas, fez o restauro, e a festa foi maravilhosa. O resto da história todo mundo sabe. O Castelo se tornou um dos principais espaços para evento do Paraná.

A festa de casamento de Paola Malucelli Arruda e João Arruda, a primeira a ser realizada no Castelo do Batel (Foto: Luiz Augusto Costa)

A festa de casamento de Paola Malucelli Arruda e João Arruda, a primeira a ser realizada no Castelo do Batel (Foto: Luiz Augusto Costa)

 

COMO VOCÊ LIDA COM A EXPECTATIVA DAS PESSOAS?

Sou artista plástica e decoradora de interiores e sempre precisei exercitar muito a sensibilidade e absorver cada detalhe dos clientes, porque muitas pessoas não conseguem expressar exatamente o que desejam. Procuro perguntar muito e passo a passo unir o sonho à realidade.

 

COMO ESSE PROCESSO DE CRIAÇÃO OCORRE?

Sempre em conjunto com os clientes. Tem alguns que já vêm com uma ideia mais formada, sabem o que querem e principalmente o que não querem. Outros têm apenas um sonho de uma festa inesquecível e me desafiam. Procuro caminhar sempre inspirando o sonho, mas sempre com os pés no chão.

 

POR FALAR EM PÉS NO CHÃO, O MELHOR EVENTO É SEMPRE O MAIS CARO?

Nem sempre. A criatividade e a atenção são fundamentais para adaptar a festa ao orçamento do cliente para se ter os melhores resultados.

 

COMO FOI SUA INFÂNCIA?

Nasci em Porto União, Santa Catarina. Meus avós vieram da Alemanha e minha mãe, nascida em Blumenau, hoje com 93 anos ainda fala com sotaque alemão. Meu pai, formado em Agronomia, antes de casar foi comissário de bordo. Morou nos Estados Unidos, na Europa, passou 12 anos viajando. Meu pai voltou ao Brasil por muita insistência da minha avó e passou a ser engenheiro agrônomo no Banco do Brasil. Quando foi transferido para Blumenau, já com 40 anos, conheceu minha mãe. Ela com 27, uma alemã linda, uma joia rara, como ele sempre contava. Casaram, foram para Porto União e tiveram cinco filhos.

 

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