Márcia Sorgenfrei conta como faz a diferença

Dona da Agapanthus diz que empreender é semear flores no caminho das pessoas

9 de julho de 2016 - Por: Luis Fernando Carneiro

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Márcia é fundadora da tradicional floricultura Agapanthus (Foto: Fer César)

Março de 1997. Formada em Direito, mas sem interesse em advogar, Márcia Sorgenfrei sonhava em ter seu próprio negócio. Como morava em um terreno muito grande em um bairro afastado do centro de Curitiba, teve a ideia de fazer um curso de hidroponia. A escola que oferecia o curso não conseguiu fechar a turma e ofereceu outro curso: “Como montar sua floricultura”. Foi amor à primeira vista e a semente havia sido lançada.

Hoje, quase 20 anos depois, a Agapanthus é referência em floricultura e Márcia um exemplo quando o assunto é empoderamento feminino. Nesta entrevista ela fala um pouquinho sobre como venceu os olhares desconfiados de quem a via apenas como mais uma “dondoca brincando de abrir uma loja”.

Quando alguém conhece sua história e diz que é culpa do acaso, Márcia lembra que nada acontece por acaso. “Parti de uma boa oportunidade e, com muito estudo, trabalho, empenho, dedicação e amor, semeei muitas flores nos caminhos das pessoas.”

Como foi o início?

Voltei para casa sem contar que havia participado de outro curso. Poucas semanas depois, meu sogro, que era proprietário de um imóvel locado para um banco, contou que aquela agência iria para outro local e que o imóvel estaria à disposição. Ele me perguntou se eu gostaria de montar algum negócio. Qual não foi a surpresa de todos quando respondi prontamente que sim, que seria uma floricultura.

Como era o cenário na época?

Quando comecei, a produção, o atacado e grande parte das boas floriculturas estavam nas mãos de homens. Ao contrário do que se pensa, produzir flor, cuidar da distribuição e as rotinas de uma floricultura são bastante pesadas. Trabalho árduo que exige muita participação e resistência física.

 

 

Você sofreu com as desconfianças por ser uma mulher à frente de um negócio?

Na busca de fornecedores, muita gente me apoiou, e estas parcerias perduram até hoje. Mas é claro que também encontrei um universo de atacadistas descrentes na capacidade de uma mulher administrar um negócio. Escutei comentários do tipo “mais uma dondoca brincando de abrir uma loja” e algumas vezes percebi olhares intimidadores e cochichos quando eu estava no volante da minha Kombi ou do meu caminhão. Algumas pessoas apontavam e diziam: “Não acredito, tem uma mulher no volante do caminhão”. Chega até ser engraçado. Muitas vezes sorri e ofereci carona…

E hoje?

A Agapanthus criou um padrão de arte floral comercial e o cenário mudou bastante. Chego à conclusão de que flor natural é tão especial que os homens desse mundo floral são bem descolados. A flor remete para o universo feminino e por isso, talvez, esses homens que me apoiaram do início até hoje como empresária já tinham a compreensão de que a equação “flor + universo feminino” é garantia de beleza e sucesso.

O que você considera que fez a diferença nessa caminhada? 

A valorização das pessoas, muito estudo, trabalho e uma visão clara de como poderíamos fazer a diferença. Nesse ano, grandes empresas multinacionais se instalavam na região metropolitana de Curitiba. Junto dessas empresas desembarcaram ingleses, franceses, alemães e americanos, acostumados a manter flores em suas casas e locais de trabalho. Percebi a oportunidade de atender às expectativas dessa clientela e não vender apenas flores, mas oferecer belíssimos arranjos e composições florais. Assim descobri o mundo da arte floral. A técnica, o compromisso, a responsabilidade que se traduz numa linguagem universalmente reconhecida e admirada.

O cliente deve estar no centro de tudo?

Sim, flor é altamente perecível e por isso requer cuidados e controle rigoroso. Mas acredito que as empresas que sobreviverão no futuro não são apenas as que mais vendem, e sim aquelas que melhor resolverem os problemas dos clientes. Diante de um problema: “escuto, compreendo e resolvo!”. Esse é um lema compartilhado com todos os meus colaboradores.

Quando você olha para trás qual seu maior orgulho?

Vida de empreendedor não é fácil, mas tenho orgulho em dizer que pude mudar conceitos e estabelecer novos rumos ao mercado curitibano. Por meio de trabalhos de consultoria, pude trocar informações com os produtores de flores e plantas e lançar produtos em primeira mão. Culpa do acaso? Não, nada acontece por acaso. Parti de uma boa oportunidade e, com muito estudo, trabalho, empenho, dedicação e amor, semeei muitas flores nos caminhos das pessoas.

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