Maria Fernanda Cândido e o sucesso de Joyce

A atriz fala sobre sua personagem, a discussão sobre transgêneros e revela os lugares que mais gosta em Curitiba

8 de junho de 2017 - Por: Redação

Foto: João Miguel Júnior/TV Globo

Foto: João Miguel Júnior/TV Globo

 

Por: Michele Marreira

Sinônimo de aristocracia e sempre disposta a intervir pensando no bem de seu clã familiar, à primeira vista o tom altivo de Joyce, atual personagem de Maria Fernanda Cândido, pode nos soar arrogante. Porém, aos poucos, o público de A Força do Querer, vai começando a criar certa empatia com a mãe de Ruy e Ivana, procurando entender os conflitos que cada integrante do núcleo mais polêmico da trama de Glória Perez enfrenta. “Novela, mais do que fornecer respostas, pode ajudar a iniciar uma conversa, algo importante para nossa sociedade”, reflete a mãe de Tómas (10) e Nicolas (7), frutos de seu casamento com o empresá- rio francês Petrit Spahira. Se na ficção é uma mãe controladora, na vida real a atriz é especialmente decidida. Pensando em estreitar laços intensos com a maternidade, fez com que ela se afastasse dos folhetins por dez anos – a última participação foi em Paraíso Tropical (2007). Mas não pense que nesse período pausou integralmente seu lado profissional. Fez minisséries e trabalhos no cinema e teatro. Inclusive, recentemente, despediu-se dos palcos, encerrando a temporada do espetáculo Tróilo e Créssida na capital paulista. Nascida em Londrina, no início dos anos 1970, Maria Fernanda passou parte de sua infância em Curitiba e se lembra com alegria dos lugares que frequentava. E pensar que tudo começou aos 14 anos, ao ser descoberta por uma produtora de moda, que por acaso era sua vizinha. Na posição de modelo, posou para diversos editoriais, participou de inúmeras campanhas, estampou capas de revistas, sempre conciliando vida escolar com o trabalho. Mas foi em 1999 que o Brasil ficou extasiado ao conhecer a beleza da jovem de 25 anos no papel de Paola que conquistou o coração de Francesco Magliano, interpretado pelo saudoso Raul Cortez em Terra Nostra. Prestes a completar 20 anos de carreira, a artista reforça sua preocupação com a cultura do país. Em 2004, decidiu se juntar a um grupo de amigos criando A Casa do Saber, local que busca expandir debates e disseminar o conhecimento seja nas artes, seja na literatura, seja na filosofia, localizado em São Paulo e Rio de Janeiro. Além de ser uma das sócias, a atriz é a idealizadora do projeto ciclo de leituras, sempre levando renomados dramaturgos e atores há cada encontro.

 

EM A FORÇA DO QUERER, VOCÊ VIVE JOYCE, UMA MÃE QUE DETERMINA O CAMINHO DOS SEUS FILHOS. O LADO CONTROLADOR FOI CONSTRUÍDO DE QUE FORMA?

Essas características da Joyce, em ser uma pessoa, de certa maneira, controladora, muito afirmativa, de opinião forte, já vêm no texto. Eu pude observar a partir dessa leitura. A construção de personagem é um mérito da Glória Perez. Estou apenas interpretando, dando uma resposta a isso.

COMO SE SENTE PODENDO DISCUTIR SOBRE TRANSGÊNEROS?

Eu acho que essa novela pode ajudar na construção de um diálogo, lançando perguntas, fazendo um questionamento sobre esse tema que é do nosso mundo contemporâneo, e que está presente na nossa vida. Novela, mais do que fornecer respostas, pode ajudar a iniciar uma conversa, algo importante para nossa sociedade. Se a gente conseguir isso, acho que o resultado já será muito positivo.

JOYCE É BASTANTE LIGADA À VAIDADE, ESTÉTICA. ELA É UMA MULHER FÚTIL OU ISSO ACABA SENDO UMA VÁLVULA DE ESCAPE?

Eu não a qualificaria como sendo uma mulher fútil, porque ela tem muita consciência sobre autoestima, a estética em si, o significado da aparência. É uma mulher que valoriza muito as coisas concretas, o mundo material, então, ela não é alguém que desperdiça as coisas. É muito ligada à estética, valoriza muito a aparência, como sendo um grande valor, é uma pessoa conservadora, tradicionalista, que procura conservar seu patrimônio. Ela não compra em excesso, sem necessitar, sem realmente ter se apaixonado ou gostado muito daquilo.

Nos bastidores de A Força do Querer, ao lado de Carol Duarte, que interpreta sua filha (Foto: João Miguel Júnior/TV Globo)

Nos bastidores de A Força do Querer, ao
lado de Carol Duarte, que interpreta sua filha (Foto: João Miguel Júnior/TV Globo)

 

EMBORA TENHA FEITO SÉRIES INCRÍVEIS E BEM CONSTRUÍDAS, POR QUE ESSE HIATO DE DEZ ANOS SEM FAZER UMA NOVELA, DESDE PARAÍ- SO TROPICAL?

Esse hiato das novelas ocorreu porque com os meus filhos pequenos a logística ficava complicada, então dei preferência aos trabalhos mais curtos, de prazos menores que eu conseguia viabilizar. Eles cresceram, agora achei que seria possível, e, graças a Deus, tem dado muito certo. Foi por isso, mas fiz muito teatro, cinema e várias minisséries na Rede Globo mesmo.

 

SUA CARREIRA ARTÍSTICA É BEM ECLÉTICA, ATUANDO OU APRESENTANDO. QUAIS TRABALHOS MARCANTES DESTACARIA NA TV, TEATRO E CINEMA?

Eu fiz microsséries na Rede Globo, como Capitu, com Luiz Fernando Carvalho, Felizes para Sempre?, com Fernando Meirelles, O Brado Retumbante, com o Gustavo Fernandes. Destacaria as peças A Toca do Coelho, com direção de Dan Stulback, Ligações Perigosas, direção Mauro Védia, Pequeno Crimes Conjugais, direção de Márcio Aurélio, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, direção do José Possi Neto, Tróilo e Créssida, um Shakespeare, dire- ção do Jô Soares, enfim, realizei bonitos trabalhos no teatro e cinema. O mais recente filme foi Meu Amigo Hindú com direção de Hector Babenco, Sal de Prata, direção do Carlos Gerbase, é um filme que gosto bastante.

 

CHEGAR À CASA DOS 40, HÁ TRÊS ANOS, TE REMETEU ALGUMA CRISE? DE QUE FORMA VOCÊ LIDA COM A QUESTÃO DO TEMPO E AMADURECIMENTO?

O amadurecimento é uma experiência maravilhosa, contribui muito para que a gente possa de fato vivenciar um relacionamento na sua profundidade e intensidade.

Foto: Mauricio Fidalgo/TV Globo

Foto: Mauricio Fidalgo/TV Globo

 

VOCÊ SE CONSIDERA UMA MULHER ROMÂNTICA? COMO MANTÉM A CHAMA DO ROMANCE ACESA EM SEU CASAMENTO?

Relacionar-se com alguém é a maior das aventuras, porque a gente pode de fato trilhar um caminho juntos; com experiências, trocas e um conhecimento um do outro que acaba levando a um autoconhecimento. Acho que essa é a grande beleza.

 

QUAIS SÃO AS LEMBRANÇAS QUE VOCÊ GUARDA DE SUA INFÂNCIA NA ÉPOCA EM QUE VIVEU EM CURITIBA?

Eu adoro Curitiba, acho uma cidade maravilhosa! Tive a sorte de ter passado a minha infância toda em lugares que gosto muito, Parque Barigui, Santa Felicidade, eu me lembro de vários restaurantes também. O Largo da Ordem, a Rua das Flores, o Teatro Guaíra, o Passeio Público, o Centro Politécnico, onde estudei, Colégio Medianeira, a minha escola de inglês, o Inter… Ahhh, a Praça Osório. Isso tudo vem à minha mente quando penso em Curitiba.

 

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Para vocês curitibanos, um grande abraço. Viver em Curitiba é um privilégio. Aproveitem!

 

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