Nem complicada demais, mas nem tão simples assim Não há uma fórmula para o relacionamento perfeito entre homens e mulheres, mas compreender as diferenças pode ser um grande começo

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17 de dezembro de 2012 • Por Por: Bruna Covacci Fotos: Daniel Katz

Numa coisa todos concordam: mulheres são complicadas e cheias de manias. Mas antes que você fique brava com a gente, é preciso dizer que é a psicóloga Lídia Dobrianskyj Weber quem dá autoridade a essa afimação. “Sim, as mulheres tem um repertório comportamental muito complexo, desenvolvido ao longo da história”. A socióloga Izabel Livinski faz parte do Núcleo de Estudos de Gênero e concorda com Lídia: as mulheres são complicadas para aqueles que não examinam as sutilezas, afinal, “ser pretensamente racional e objetivo, é bem menos complicado”.

Brincadeiras que circulam na internet tentam decifrar o que os homens chamam de código feminino (e ele é verdadeiro!). Uma delas afirma que quando as mulheres dizem “hum”, estão com ciúme. Quando dizem “sei”, não acreditam em nada do que você disse. Se soltam um “não é nada”, algo grave está acontecendo. “Faça o que quiser” é aquele: “se fizer isso, você vai ver o que acontece!”. Sim é não e não é sim. Não é a toa que os homens se deparam diariamente com dificuldades para compreender suas mães, companheiras, filhas ou colegas de trabalho.

Não é questão de instrução, nacionalidade ou inteligência. Oscar Wilde, um expoente da literatura inglesa, escreveu certa vez que “as mulheres são feitas para serem amadas, não para serem compreendidas.” E é preciso confrontá-lo! Toda mulher quer ser amada, mas, acima de tudo, compreendida. “As mulheres gostam de ser ouvidas”, explica Lídia. Ser ouvida significa ser compreendida. “Toda mulher procura apoio e empatia do parceiro, e nem sempre ela procura a solução imediata que o homem costuma dar”, completa a psicóloga. E se até Freud perguntava “o que querem as mulheres?” quem ousa padronizar uma resposta?

CONSTRUINDO JUNTOS

Caroline Bosi Beatriz e Luan Rafael Beatriz estão juntos há quase seis anos. Os dois se conheceram numa festa no Jokers. Ela conta que “era aniversário de uma amiga e ele conhecia a prima da aniversariante”. A prima? Ops… Segundo ele, a festa era “de uma amiga de um amigo” e ele foi de penetra. Numa coisa os dois concordam: ainda bem que teve um penetra na história. O casal passou por muitas coisas junto, conseguindo tudo passo a passo: casar, comprar uma casa e viajar à Europa. O próximo plano é ter filhos.

Ela não se acha tão complicada, mas admite que costuma reclamar demais. Mas, ao contrário do que ela imagina, isso não incomoda Luan. “Já acostumei”, responde com rapidez. Ele aponta o maior defeito da mulher: a insegurança. Nada que bons elogios e a companhia do marido não resolva.  “Mulheres precisam ser mimadas, elas adoram isso”, ensina, alfinetando que “a única coisa que muda de uma mulher para a outra é o tipo de complicação”.

AMAR É ACEITAR

Mariana Millarch de Araujo tem 28 anos, catorze deles viveu ao lado do seu marido, Allan Augusto Araujo. Casados há quase três anos, os dois se conheceram ainda na época de colégio. Lá começaram a ficar e engataram um namoro que durante três anos foi escondido da família dela.

Allan não generaliza, não acha que todas as mulheres são complicadas, mas diz que sua mulher é muito pessimista, impulsiva e reclama demais. A convivência exige escolhas e compreensão. Mariana não abre mão da sua personalidade e acredita que amor e respeito são os grandes alicerces da relação. “Não me esforço para não parecer tão complicada, sou eu mesma. Com o tempo você aprende que o parceiro precisa ter um pouco de individualidade e amar o próximo é aceitá-lo como ele realmente é”, diz ela.

CONVERSANDO A GENTE SE ENTENDE

Liz Pérola Mazza Vieira e Marcus Alexandre de Almeida foram unidos pelo destino. Juntos há dois anos e oito meses eles se conheceram na Bahia. Ela, de Curitiba, fez uma viagem para se divertir ao lado de cinco amigas. Ele, nascido e criadoem Belo Horizonte, resolveu passar o feriado de sete de setembro no Nordeste. Depois de uma semana juntos, voltaram para suas cidades e trocavam muitas mensagens (chegaram a 66 por dia!). Ele veio conhecer Curitiba e, depois disso, “de quinze em quinze dias estava a visitando a Liz”, fala Marcus. Quando decidiram encarar um relacionamento sério, Marcus largou tudo. “Enviei meu currículo para algumas empresas e quando apareceu uma oportunidade, em dezembro de 2009, vim para Curitiba”.

Hoje os dois se dão muito bem, mas precisaram de um processo de adaptação. Ela estava separada há três anos e tinha dois filhos, Gabriel (17) e Eduardo (11). Quando ele chegou tudo foi difícil. “Hoje estamos conscientes do papel de cada um nesta família”, diz. Ela acredita que, como se conheceram mais velhos, “a relação é mais consciente. Liz admite que as mulheres são complicadas: “nós mesmas nos complicamos”. Para ele, “com a convivência acertamos as arestas”. Marcus ainda afirma que ele e a mulher são felizes porque entendem os defeitos e qualidades um do outro. Ele também não leva ao pé da letra o que ela diz no meio de uma discussão.  “Prefiro dar um tempo. Depois um se aproxima do outro com carinho e nos entendemos naturalmente”, completa.

 A FÓRMULA DA CONVIVÊNCIA

Para a psicóloga Lídia Weber, o segredo para os homens entenderem as mulheres é respeitar as diferenças de gênero. “Elas são mais emocionais, intuitivas, fazem muitas coisas ao mesmo tempo e gostam de conversar sobre os seus problemas”, destaca. A socióloga Izabel Livinski se baseia nas palavras de Simone de Beauvoir,em O SegundoSexo, livro em que ela afirma que a relação entre homens e mulheres mudou muito – e para melhor. Ela lembra também que o casal equilibrado não é utopia e que casais são unidos por um grande amor sexual que os deixa livres em suas amizades e ocupações.

Mas, ao contrário do que se possa pensar, conviver bem não é impossível. De acordo com Lídia, “respeito, cumplicidade, empatia, assertividade e uma boa dose de generosidade e tolerância” são fatores essenciais em um relacionamento. “Lembrar de falar bom dia, por favor e obrigado muitas vezes pode fazer uma grande diferença”, ensina. Ao mesmo tempo “não se deve esquecer a vida íntima, para o casal renovar sempre a paixão inicial – aquela que existe no começo do relacionamento, mas naturalmente vai esfriando”. A psicóloga ainda ressalta que “amor, para durar, inclui muito trabalho conjunto!”.