Carlos Beal: os desafios à frente do Festval

Empresário fala sobre sua infância e os pilares que transformaram a rede em sinônimo de qualidade

24 de dezembro de 2016 - Por: Redação

Carlos Beal, um dos fundadores da Rede Festval (Foto: Mariana Barcellos)

Carlos Beal, um dos fundadores da Rede Festval (Foto: Mariana Barcellos)

 

O comércio fez parte de sua vida desde pequeno. Seu pai era caixeiro-viajante e percorria todo o Oeste do Paraná vendendo mercadorias. Sua mãe tinha a missão de cuidar dos cinco meninos na cidade de Cascavel. O tempo passou, as crianças cresceram, e eles abriram um mercadinho para que os jovens tivessem uma ocupação e para ajudar nas despesas de casa. A dedicação incansável e o carisma da mãe foram essenciais para consolidar o pequeno empreendimento, que seria a semente de um dos grupos mais respeitados no setor. Passados 44 anos, Carlos Beal e seus quatro irmãos estão à frente do quarto maior grupo do Paraná, com cinco supermercados Super Beal em Cascavel e sete Super Festval em Curitiba.

Num bate-papo com a VIVER, Carlos contou um pouco sobre os pilares do sucesso do Festval, um supermercado que elevou o padrão de qualidade dos curitibanos. Após tantos anos enfrentando todos os tipos de desafios para desenvolver as operações, ele continua com o brilho nos olhos de um iniciante ao falar do futuro. Sim, a forma de comprar vai mudar nos próximos anos, mas Carlos Beal sabe que qualidade e comodidade vão sempre estar em primeiro lugar na lista dos itens mais procurados pelos clientes.

 

Quando vocês chegaram a Curitiba?

Compramos o Festval em 2003, quando dividiram a sociedade, um dos sócios ficou com o Casa Fiesta e a empresa Milli Papéis, que era detentora da maioria das ações, acabou ficando com a marca Festval. Como o forte deles era a indústria, e não o varejo, eles decidiram vender. Nós sempre tivemos um bom relacionamento com a família Demeterco e assumimos em julho de 2003 com o desejo de resgatar os padrões de serviço e qualidade que eles tinham no início com a marca Mercadorama.

Quais os pilares do trabalho de vocês?

O maior patrimônio é o capital humano. É preciso sempre qualificar e motivar as pessoas para que elas possam sempre oferecer o melhor para os clientes. Também é preciso investir em qualidade e tecnologia. A gente viaja muito para buscar algumas informações do que está acontecendo lá fora para aplicar aqui.

Os cinco irmãos no lançamento da loja Champagnat

Os cinco irmãos no lançamento da loja Champagnat

 

Vocês criaram alguma solução por aqui?

As gôndolas baixas são um bom exemplo de uma solução que a gente construiu por aqui mesmo. Há 17 anos, desde Cascavel, a gente trabalha com esse formato, que oferece mais leveza e mais liberdade para o cliente.

A rede americana Whole Foods é uma referência para vocês?

Com certeza. Já visitei várias lojas deles tanto nos Estados Unidos quanto no Canadá e eles trabalham com um conceito de saudabilidade que acreditamos ser o caminho, trabalhando com muitos produtos orgânicos. Esse mercado tende a crescer muito nos próximos anos.

Qual o maior desafio do setor?

Estive há poucos dias no Canadá em um evento do setor e uma das questões que foram levantadas por lá é como vamos lidar com a geração de consumidores que vem chegando, os chamados millenials. Essa geração que nasceu de 1995 para cá quer mais saúde e praticidade, por isso vamos ter que nos reciclar e mudar completamente o conceito de supermercado que temos atualmente.

É possível que haja uma mudança radical?

Sim, esse modelo atual está velho, ultrapassado, e essa é uma geração que demanda informação e agilidade. Nessa linha de saúde, muitos produtos industrializados que fizeram parte dessa geração, que vinham com muito sódio, com muitos conservantes e corantes, vão sair do mercado. Temos também repensado toda a estrutura de produção. As pessoas estão buscando se alimentar mais em casa e querem ter simplicidade e praticidade. Acho que a tendência é que se tenha comidas saudáveis já pré-acabadas para que as pessoas possam levar para casa quase prontas e possam complementar.

O caminho é entregar cada vez mais?

As mudanças serão muito grandes. O que existe hoje não vai atender a essa geração que quer coisas muito mais prá- ticas, mais funcionais. Nós implantamos recentemente o self-checkout, em que o cliente faz o pagamento sozinho. Mas vem muito mais novidades por aí. Ir à gôndola, pegar mercadoria, pôr no carrinho, passar um por um no caixa, depois colocar numa sacola… Isso vai mudar completamente. Etiquetas e códigos de barra em que o caixa vai passar todos os produtos de uma vez só, sem a necessidade de passar um por um, já são uma realidade e são uma questão de tempo.

O movimento de gastronomia tem crescido bastante. Como vocês avançam nesse sentido?

Todas as nossas lojas têm nutricionistas para fazer um controle rigoroso do que é produzido. Nós temos um respeito muito grande pelo cliente, buscamos os melhores fornecedores e entendemos que é preciso ter segurança em tudo aquilo que a gente vende. Além disso, acabamos de inaugurar na loja do Champagnat o nosso Espaço Gourmet, que conta com espaço para degustações e harmonizações de vinhos, aulas e diversas ações para qualificar nossos colaboradores e permitir uma interação maior entre o supermercado e o cliente.

O consumidor vai ter cada vez mais voz?

Quem não ouvir o cliente não vai sobreviver. A indústria precisará se reinventar e a maioria dos produtos que estão nas prateleiras estarão ultrapassados em um ou dois anos. A indústria tem investido muito em inovação e sou muito otimista.

Carlos Beal em uma das adegas do Festval (Foto: Mariana Barcellos)

Carlos Beal em uma das adegas do Festval (Foto: Mariana Barcellos)

Os vinhos são uma paixão sua e isso se reflete no supermercado, certo?

Sim. O vinho, mais que uma bebida, é uma cultura. Ele transmite bem a forma de viver de um povo. Estamos há 10 anos investindo fortemente em adegas e hoje no Festval você encontra vinhos top do mundo inteiro, com 70% sendo de importação própria.

Os impostos ainda são um problema?

Eu acredito que o Brasil vai ter que passar por um processo de mudança nessa questão. Na Europa o vinho é tratado como alimento. Aqui o imposto é tão abusivo que tem até para destilado. Tudo isso pesa na composição de custo. Mesmo diante desse cenário, crescemos 45% no último ano, estamos importando muito e conseguindo apresentar preços mais acessíveis e mais justos, de acordo com a realidade do país. Nós queremos que o ato de tomar um bom vinho seja cada vez mais acessível, mesmo porque o vinho está provado que faz muito bem à saúde.

Vocês têm uma linha própria, a Mamma Bia. É uma homenagem a sua mãe?

Sim, o nome da minha mãe é Lídia, mas seu apelido era Bia. Ela sempre foi uma pessoa batalhadora, uma visionária. Desde menina trabalhou no varejo, no armazém dos seus pais e quando meu pai comprou o local, em 1972, foi ela que deu as maiores lições sobre valores e respeito ao cliente. Infelizmente hoje já não tenho nem meu pai e nem minha mãe. Em uma viagem à Itália tivemos a ideia de ter uma marca de alta qualidade em produtos e meu irmão sugeriu que colocássemos o nome da nossa mãe.

Uma bela homenagem.

Sim, a uma mulher que sempre lutou e sempre construiu um histórico de bons serviços. Uma marca que tem nos dado muito orgulho, hoje importamos mais de 600 produtos com excelente custo e qualidade e que caíram no gosto do cliente. Temos um grande volume de vendas e pretendemos ampliar a linha porque acreditamos muito em oferecer produtos de qualidade com preço honesto.

Os fundadores, Sr. Severino e Sra. Lídia Beal

Os fundadores, Sr. Severino e Sra. Lídia Beal

Qual o futuro do Festval?

Vamos repaginar a loja da Brigadeiro Franco, que está defasada em relação às outras. Além disso, preocupados com o crescimento da empresa e com a integração cada vez maior de Curitiba e Cascavel, nós vamos construir nosso novo centro de distribuição na Cidade Industrial que vai absorver toda a linha de perecíveis e de mercearia. E até 2019 temos três lojas para serem construídas, no Ecoville, Alphaville e Alto da XV.

Com o aumento das lojas, corre-se o risco de perder qualidade?

Nós temos uma teoria de que menos é mais. Não podemos abrir lojas apenas por abrir. Antes de abrir novas lojas é preciso cuidar das que temos. Não temos ganância e o crescimento é sempre muito planejado, com uma loja por ano. Este ano abrimos duas em função do fechamento das lojas do Mercadorama, mas não temos esse desejo de crescer e perder o nosso maior tesouro que é o respeito dos nossos clientes.

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