Taís Araújo: ‘É um luxo fazer 40 anos’

Atriz chega aos 40 com mais de duas décadas de carreira, família consolidada e muitos projetos pela frente

5 de dezembro de 2018 - Por: Redação

Foto: João Miguel Júnior

Foto: João Miguel Júnior

 

Impossível não se contagiar com a animação da atriz e apresentadora Taís Araújo. Seu carisma emana uma energia tão positiva que envolve todos à sua volta. Tamanha desenvoltura não a deixa abalar- -se nem mesmo quando é atacada nas redes sociais por comentários racistas, fato ocorrido no final de 2015. Sabe de sua relevância como formadora de opinião, lutando assim por igualdade e por justiça em busca de um mundo melhor.

Há mais de duas décadas leva entretenimento e informação por meio de suas personagens, seja no drama, seja na comédia. Sua primeira aparição foi na extinta Rede Manchete na trama Tocaia Grande, em 1995. Um ano depois explodia em Xica da Silva, personagem-título que a tornou conhecida internacionalmente. A concorrente, Rede Globo, não perdeu tempo e logo convidou a iniciante atriz para compor seu banco de talentos. Sua estreia na emissora carioca foi em Anjo Mau, interpretando Vivian. Sete anos após sua chegada, deu vida à batalhadora Preta, protagonista de Da Cor do Pecado, sucesso absoluto no horário das sete.

Em 24 anos de carreira contabiliza mais de 30 trabalhos só na telinha, sem citarmos seus inúmeros projetos de cinema e de teatro. E por falar no tablado, realizou uma longa excursão com o espetáculo O Topo da Montanha ao lado do maridão, o ator Lázaro Ramos. Depois de quatro temporadas bem-sucedidas da série Mister Brau, ambos apresentam atualmente programas de TV: ele, às quintas, em Os Melhores Anos das Nossas Vidas. Ela, aos domingos, no PopStar. Não é a primeira vez que a bela comanda uma atração. Já esteve à frente dos programas Superbonita e Saia Justa, ambos no GNT. E vêm mais projetos na televisão em 2019… Aguardem!

 

CONTE-NOS A EXPERIÊNCIA DE APRESENTAR O DOMINICAL POPSTAR.

Ah, é tudo muito novo. Sempre que al – guém se apresenta, parece que fui eu, chego ofegante, nervosa. Quem está na competição tem muitos ensaios. Eu venho um dia antes passar o TP. Fazer programa ao vivo e com plateia é dif ícil. Faço careta o tempo inteiro, sou uma fábrica de memes (risos), mas não estou preocupada com isso. Ouço de tudo. A minha playlist vai de Maria Bethânia a Ferrugem, passando pelos Beatles, Beyoncé, Roupa Nova.

 

APRESENTAR NÃO É NOVIDADE PARA VOCÊ, QUE JÁ ESTEVE NO COMANDO DOS PROGRAMAS SUPERBONITA E SAIA JUSTA, DO CANAL GNT. COMO SURGIU ESSE CONVITE DA GLOBO?

No ano em que completo 24 anos de carreira, receber uma proposta dessas, bem diferente, me fez aceitar de cara o convite do Boninho (diretor da emissora). Sempre amei e assistia ao programa. Quando vi já estava fazendo algo sem ter a mínima ideia de como seria. Sim, trago como experiência os quatro anos que apresentei o Superbonita e uma temporada inteira do Saia Justa. Mas não tinha plateia, no estilo reality. A única coisa em comum era o fato de ter o TP.

 

PARTICIPARIA DE UM REALITY NESSE FORMATO?

Detesto competição (risos). Não tenho estrutura emocional para participar nem da Dança dos Famosos. Eles são corajosos. Eu não tenho esse desprendimento, sou medrosa.

 

Foto: João Miguel Júnior

Foto: João Miguel Júnior

 

TRABALHAR POR QUATRO TEMPORADAS NA SÉRIE MISTER BRAU NÃO TE DEU SAUDADES DAS NOVELAS?

Trabalhei em Mister Brau mais do que qualquer novela das nove. Achei que seria num ritmo diferente, mas gravava de segunda a sábado, tinha muitas externas, a demanda de tempo era maior. Na verdade é assim, eu não canto, não danço, eu dou truque em tudo (risos). Então, quanto melhor for o truque, menos trabalho a produção vai ter. Essa demanda é para agilizar o nosso processo que já é pesado. Além disso, fazia teatro de sexta a domingo. Então, não senti muita diferença entre fazer série ou novela, embora eu só gravasse Mister Brau três meses por ano, ficando com o resto livre para outros projetos.

 

O ELENCO DE MISTER BRAU GRAVOU EM ANGOLA. COMO FOI A EXPERIÊNCIA DE ESTAR NO PAÍS?

Foi lindo demais estar em Angola, a minha quarta vez no país, a primeira foi em 1998. Naquela época eu encontrei um país devastado pela guerra. Eu acompanhei o processo todo de Angola pós-guerra. É um lugar que ainda está se reconstruindo, têm ocorrido muitas mudanças. Eles gostavam bastante da série, na verdade eles admiram o Brasil como um todo. Nos receberam com amor e carinho.

 

FALE UM POUCO DA EXPERIÊNCIA DE TER FEITO A PEÇA O TOPO DA MONTANHA COM SEU MARIDO, O ATOR LÁZARO RAMOS.

Foi importante para mim. O espetáculo foi o meu grande projeto com o Lázaro, fui agraciada. Ficamos um bom tempo em São Paulo. É muito raro hoje em dia uma peça permanecer tanto tempo em cartaz, normalmente fica três meses. Falamos sobre a última noite de vida de Martin Luther King. É um tema duro, mas a carpintaria dramatúrgica da autora Katori Hall é muito bem elaborada. Ela consegue fazer do início quase uma comédia romântica, e quando todos ficam bem à vontade, te faz refletir sobre aquele assunto. O espetáculo começa fazendo todos rirem e termina com choro, fazendo o público pensar no que a sociedade virou. Apesar de falarmos dos Estados Unidos de 1968, se aplica perfeitamente ao Brasil de hoje.

 

PENSA EM INTERPRETAR UMA FIGURA FEMININA DE PESO NO TEATRO?

Você está falando do teatro. O cinema nacional retrata pouco a mulher, e a mulher negra, menos ainda. Tenho tanta coisa para fazer, não só personagens históricos. Eles são sempre bem- -vindos porque quando olhamos para a nossa história nos fortalecemos. Porém, personagens contemporâneos estão aí para contar as narrativas.

 

QUAIS SÃO SEUS PRÓXIMOS PROJETOS NA DRAMATURGIA?

Farei uma série [Aruanas] que se passa na Amazônia e em São Paulo, em paralelo ao PopStar. E uma novela da Manuela Dias [Troia].

 

Foto: João Miguel Júnior

Foto: João Miguel Júnior

 

VOCÊ SE CONSIDERA REPRESENTANTE FEMININA DO SÉCULO 21? A MULHER QUE TRABALHA FORA E CONCILIA OS CUIDADOS COM A CASA E FAMÍLIA?

Vou equilibrando minha vida em casa, com meus filhos, marido, profissão, as coisas que eu quero fazer e são ligadas só a mim. As mulheres têm o dom de conciliar tudo ao mesmo tempo, é uma característica nossa.

 

QUAL O SEGREDO PARA MANTER O CORPO DEFINIDO?

Não tem muito segredo, é aliar uma alimentação saudável à atividade física. As pessoas buscam um “emagrecedor”. Isso não existe. É importante comer alimentos nutritivos o dia inteiro e fazer de seu café da manhã uma boa refeição. Não existe milagre nesse sentido.

 

O QUE TE TIRA DO SÉRIO?

Sou muito bem-humorada, mas a falta de respeito me tira do sério.

 

PARA FINALIZARMOS NOSSA CONVERSA, QUAL O SENTIMENTO AO COMPLETAR 40 ANOS? ALGUMA CRISE EXISTENCIAL?

Estou achando um luxo fazer 40 anos. Passou rápido. É um momento de emoção, de felicidade e de orgulho de tudo que construí. É maravilhosa a relação que tenho com minha família, carreira, com meus pais e irmã. Nesses 40 anos enfrentei dificuldades, não são só glórias, mas vou compreendendo que se a vida fosse só flores não haveria aprendizado. Profissionalmente, desejo novos caminhos, personagens com uma temperatura diferente, mais maduros. São muitos anos trabalhando e agora estou em uma idade em que surgirão coisas novas.

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