Tania Vicenzi: os bastidores da joalheria Viccenza

A empresária e joalheira conta como a paixão pelas joias e a vontade de aprender a fizeram crescer no ramo

1 de novembro de 2017 - Por: Redação


Gente_Tania Vicenzi os batidores da Viccenza

“Era difícil contar para as pessoas que estava começando um negócio sem ter conhecimento, mas fui buscar, estudar, entender”, diz Tania. (Foto: Patrícia Amancio)

 

Sabe quando alguém nasce com um dom e não poderia fazer outra coisa na vida? Assim é Tania Vicenzi com o comércio. À frente da joalheria Viccenza e com uma trajetória de 35 anos no ramo, ela diz que sua paixão pelas joias é algo inexplicável: “Desde pequena ia ao centro de Curitiba com minha mãe e a puxava para olhar as vitrines das joalherias. O curioso é que joias não eram comuns para mim, uma menina de classe média. Minha mãe só tinha a aliança de casamento e um par de brincos. Não sei explicar de onde vem, acho que nasci com isso”, afirma.

 

COMO COMEÇOU SUA TRAJETÓRIA COMO EMPRESÁRIA?

Minha mãe era lojista e em uma viagem a São Paulo comprou nove anéis de ouro pequenos e trouxe para mim. Na mesma semana vendi todos! Nessa época eu era professora de inglês, mas ela continuou a trazer peças e no primeiro ano desisti de dar aulas e me dediquei a isso, indo a vários lugares vender. Depois de um tempo encontrei um atacadista aqui em Curitiba com quem trabalhei por sete anos. Ele foi um pai para mim e me dava as peças consignadas. Após isso, comecei a comprar e revender. Então, em 1993, meu pai construiu uma galeria na Augusto Stresser e lá abri a primeira Viccenza, mas como a loja ficava nos fundos, continuei “na sacola” por mais dois anos. Em 1995 abri outra loja no PolloShop do Alto da XV e ali aconteceu minha história como comerciante e empresária. Fui obrigada a aprender a trabalhar, pois estava ao lado de empresas consolidadas. Tive mais algumas lojas em outros pontos e hoje tenho três.

 

QUE DIFICULDADES VOCÊ ENCONTROU PELO CAMINHO?

Na época que comecei existiam poucos joalheiros na cidade e eles já estavam consolidados. Era difícil contar para as pessoas que eu estava começando um negócio sem ter conhecimento do ramo, mas fui buscar, estudar, entender. E até hoje preciso estudar! Sempre tem coisa para aprender. No mundo da venda de diamantes encontrei algumas dificuldades também, pois é um mercado fechado, mas acho que sempre soube me posicionar. Algumas vezes eu olho para trás e penso: “Meu Deus, como cheguei até aqui?” Hoje estou no Pátio Batel, onde existem joalherias com muitos anos de tradição. Para mim é uma honra.

 

O QUE MUDOU NO UNIVERSO DA JOALHERIA DESDE QUANDO VOCÊ COMEÇOU?

Muita coisa! Joalherias não tinham coleções, por exemplo. Hoje quando vou a uma feira, assim como as roupas, as joias também têm coleções, existem lançamentos e tendências. Antes eram apenas joias clássicas. Além disso, hoje os clientes sabem muito de tudo. Eles pesquisam. A pessoa vem comprar um anel solitário, por exemplo, e pergunta se tem certificado. Eles sabem até o nome do certificado mais importante, e precisamos estar preparados para isso.

 

O QUE A MOTIVOU A INVESTIR EM UM NEGÓCIO PRÓPRIO?

Sempre gostei muito de vender. Amo gente, adoro conversar, então para mim isso é fácil. Nestes onze anos vendendo “de porta em porta”, era uma delícia ser recebida na casa das pessoas e eu acabei ficando amiga de muitas. Inclusive, mesmo depois de 30 e poucos anos, várias continuam clientes.

 

QUEM SÃO AS PESSOAS QUE INVESTEM EM JOIAS ATUALMENTE?

Quem gosta, entende que é uma reserva de valor e que é algo que se passa de geração em geração. Eu já recebi na loja diamantes com mais de 100 anos, estão na terceira, quarta geração. Isso é fantástico! O que foi comprado há 100 anos que ainda tem valor? Talvez apenas um imóvel, mas a joia sempre terá valor, um diamante sempre será um diamante.

 

COMO VOCÊ FAZ A CURADORIA DAS PEÇAS?

O que eu mais gosto é comprar e escolher as peças. Se eu for a uma feira de joias e tiver que experimentar 100 brincos eu experimento, para trazer aquele que sei que veste bem. Faço questão de escolher. Além disso, venho desenhando algumas peças, embora eu não seja designer, e confeccionando aqui. Amo comprar gemas também. Eu desenho, o ourives confecciona, e essa criação é muito gostosa.

 

VIAJA MUITO EM BUSCA DE NOVIDADES?

Já viajei bem mais, mas viajo ainda. Faço pelo menos umas quatro ou cinco viagens por ano, inclusive estou indo este mês para uma feira em Nova York para conferir as novidades e me inspirar. Às vezes a viagem não é nem para trazer uma peça de lá, mas trazer ideias, saber o que é tendência, o que está se usando, isso é importante. Ficar presa no seu mundo não dá!

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