Trânsito seguro: só podia ser mulher

Prudentes e atenciosas, elas dão o exemplo atrás do volante. É claro que só podiam ser elas a fazer um trânsito mais seguro

20 de maio de 2016 - Por: Redação


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Com pulso firme, Luiza Simonelli está à frente da Secretaria de Trânsito de Curitiba

Mulher ao volante, perigo cons… Não, não é bem assim! Inúmeras pesquisas comprovam que, na verdade, os maiores causadores de acidentes de trânsito são eles. Não que seja uma competição, mas, se fosse, elas estariam na frente e podem, sim, ser consideradas um exemplo a ser seguido.

Anos atrás os homens eram maioria no trânsito, em cargos de diretoria e nas turmas de universidade. O mundo mudou tanto que até quem comanda a Secretaria de Trânsito de Curitiba (Setran), a capital mais motorizada do país, é uma mulher. Luiza Simonelli assumiu a pasta em 2013 e mostra que o mais importante para ser bem-sucedida no cargo é ter pulso firme. O respeito não veio de graça e é claro que ela teve (e ainda tem) que lidar com muitas piadas. Já foi satirizada em vários momentos e até perguntaram a ela como estava nesse cargo se muitas mulheres “não sabem nem pilotar fogão”. A advogada e especialista em trânsito afirma que sofre essa desconfiança todos os dias. “Isso de certa forma me constrange porque coloca em xeque o poder de gestão e a competência de uma mulher perante qualquer pasta, seja ela de trânsito, de educação ou saúde”. Apesar disso, a secretária respeita todo o tipo de crítica e tenta superar as “gracinhas” com bom humor.

Para Luiza, o maior desafio do cargo é “fazer com que o curitibano cuide um do outro e se coloque no lugar de outra pessoa. É preciso que as pessoas cedam de alguma forma e temos que mostrar para os motoristas que é possível compartilhar as vias de forma segura. Resumindo: temos que convencer o ser humano a humanizar o trânsito”, explica. A secretária também acredita que para isso é necessário promover mais respeito entre os gêneros. “No trânsito, a convivência entre homens e mulheres se torna possível a partir do momento em que eles tenham compreensão, paciência, observação e respeito. E é isso que a gente precisa”, afirma.

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ELES E ELAS AO VOLANTE

Será que existem diferenças entre a conduta deles e delas na hora de dirigir um veículo? Segundo a secretária de trânsito, eles querem se sobressair com manobras que demonstram suas habilidades com o veículo, muitas vezes arriscando a própria vida. Já as mulheres são mais cautelosas e não se aventuram dessa maneira.

Estatísticas de seguradoras mostram que elas causam menos acidentes e, de acordo com a especialista em psicologia no trânsito Joneia Mayumi Tawamoto, isso se deve ao fato de que as motoristas têm uma capacidade maior de análise. “As mulheres conseguem reter muitos detalhes no dia a dia, o que não é muito diferente quando estão dirigindo”, argumenta. Para a profissional, isso permite que a mulher identifique desde ações que ocorrem a longas e próximas distâncias, o que é chamado de direção defensiva. “Diante de uma ação do veículo da frente a motorista consegue prever uma resposta que evite a colisão”. Entretanto, os acidentes mais comuns em que elas se envolvem são os com velocidade menor (cerca de 40 km/h), dessa forma, o prejuízo é menor.

EXEMPLO A SER SEGUIDO

Em 2013, do total das indenizações pagas pela Seguradora Líder DPVAT, 24% foram para mulheres e 76% para homens. Em Curitiba, a comissão de coleta de dados, análise e gestão da informação do Projeto Vida no Trânsito, constatou que o risco de um homem morrer no trânsito é cinco vezes superior ao de uma mulher. E a que se devem esses números tão desproporcionais? Para a coordenadora adjunta do curso de Psicologia da Universidade Positivo, Marina Pires Alves Machado, as motoristas naturalmente apresentam um comportamento menos agressivo, o que faz com que elas estejam envolvidas em menos acidentes. “As mulheres normalmente não possuem uma característica de competição e agressividade associadas à sua criação e ao seu funcionamento como o homem tem.”

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NA LINHA DE FRENTE

E adivinha em qual cargo as mulheres também conquistaram seu espaço e são maioria atualmente em Curitiba? Segundo dados da Setran, dos 316 agentes de trânsito na cidade, 205 são mulheres. O cargo consiste em auxiliar e fiscalizar os motoristas na cidade. Assim, elas acabam tendo que lidar com temperamentos agitados todos os dias.  “Às vezes nos deparamos com homens que não aceitam serem cobrados por uma mulher. Já sofri muito preconceito, mas hoje isso já melhorou”, conta a agente Sandra Santos Rocha.

Com relação ao comportamento dos curitibanos, ela afirma que a prudência e atenção fazem delas motoristas melhores. “A mulher com certeza é mais atenciosa, se preocupa com várias coisas e por isso fica mais atenta ao trânsito”, relata. Quem também atesta a favor do sexo feminino é a secretária Luiza Simonelli. “A gente, além de conseguir desenvolver diversas atividades ao mesmo tempo, quando se dispõe a fazer uma tarefa, como dirigir, está muito focada naquilo. A mulher, pela própria natureza, tem muito mais cautela.”

Ana Cláudia e Neiva: o lugar delas é atrás do volante

Ana Cláudia e Neiva: o lugar delas é atrás do volante

CONDUZINDO VIDAS

Convenhamos que ainda não é muito comum, mas elas também têm ganhado espaço dirigindo táxis. Os motivos são diversos, seja pela flexibilidade de horário ou para tocar o negócio da família, cada vez mais mulheres estão aderindo a essa profissão. “Eu sou muito atenciosa com os meus clientes, sempre abro a porta para os idosos ou quem está com compras e nunca liguei o taxímetro antes de o passageiro chegar. E no fim eles sempre pedem o telefone para chamar outra vez”, conta Lize Camargo, que se tornou taxista há quatro anos. Pelo tempo em que trabalha na área, Lize já consegue identificar diferenças de comportamento no trânsito. “Eu percebo que quando a mulher comete um acidente ela peca por excesso de cuidado, já o homem peca por excesso de confiança”, explica.

Já para a taxista Ana Cláudia de Silveira Aguire, a principal diferença entre as mulheres e os homens motoristas é que elas se colocam mais no lugar do outro. “Sempre pensamos que do outro lado existe alguém de bem, alguém que tem uma família. Somos mais emocionais, já o homem é mais prático.” Ana Cláudia sempre gostou de dirigir, mas nunca tinha pensado em ser taxista. A oportunidade veio quando um dos táxis da família de seu marido ficou sem motorista e ele a incentivou a fazer o curso. “Confesso que no começo eu fui meio a contragosto, mas hoje eu me encontrei na profissão. Eu amo dirigir, amo conversar e agora ainda ganho pra isso”, brinca.

A verdade é que dirigir como profissão é a realidade de Ana Cláudia e está no sangue de sua família há muitos anos. Sua sogra, Neiva de Araujo Aguirre, foi uma das primeiras taxistas de Curitiba e só parou quando teve que cuidar do marido com câncer, mas diz que se pudesse ainda estaria dirigindo por aí. “Agora, depois de 15 anos que parei, não sinto tanta falta. Mas eu adorava! Por mim, eu ficava dia e noite na rua.” Neiva lembra que naquela época enfrentou muito preconceito dos outros taxistas, mas conseguiu uma clientela fiel com a sua dedicação e gentileza com os passageiros.

 

DESACELERE

Para os motoristas apressadinhos, a coordenadora adjunta de curso de pós-graduação em psicologia do trânsito da PUCPR, Simone Schettini, dá dicas preciosas:

PROGRAME-SE – Não adianta querer ter calma se a programação feita extrapola o número de horas disponíveis. Portanto, planejar-se para sair sempre no horário é essencial.

TENHA EQULÍBRIO – Busque balancear suas emoções. Isso pode evitar transtornos no trânsito e ainda ajudá-lo a organizar seu tempo.

FAÇA SUA PARTE – É importante querer que o trânsito seja um espaço mais calmo e com respeito, tornando-se um facilitador e não complicador.

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