Vida de Eva

Ela é conhecida pelos pratos deliciosos que faz. Mas, afinal, o que alimenta a Chef Eva dos Santos?

4 de abril de 2018 - Por: Redação

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

 

É impossível entrar na casa da chef Eva dos Santos e não se apaixonar por Vox, Vanilla e Banha, os três buldogues franceses donos do coração dessa curitibana nascida no Paraguai. “Eles são lindos, não são?”, ela diz o tempo todo. O amor por cachorros vem desde pequena. “Tinha um pequinês na minha infância, o Chuchu, que era minha paixão, vivia no meu colo. Com 7 ou 8 anos vi ele morrer atropelado, na minha frente. Nunca vou me esquecer dessa cena, sofri demais. Aí meu pai me deu uma bicicleta, para ver se eu esquecia, mas não adiantou”, lembra. Eva não tem filhos e sempre ouviu que deveria ter, para ser uma pessoa mais humana. Mas os cachorros já fizeram isso por ela. “Eles me dão tanto amor, tanto carinho, que quando saio para a rua, sou muito mais paciente com meus funcionários, mais compreensiva, mais tolerante. Depois de ficar noiva de Fernando, seu atual marido, há 8 anos, Eva logo pensou em ter um cachorro. Primeiro veio o Vox (que tem esse nome por causa do bar mesmo, você já vai entender o motivo), depois a Vanilla. Ela acabou dando cria e o casal resolveu ficar com um dos filhotes, o Banha. “Venho para casa todos os dias por causa do Fernando, claro, mas muito por causa deles. Chego, me jogo no chão com os três e o estresse vai embora”, diz.

 

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

 

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

 

“Brinco que hoje que sou chef, queria ser ‘só’ cozinheira. O chef é o gestor, cozinha pouco. Cozinhar mesmo eu faço quando chego em casa”

 

Longo caminho

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

 

Eva dos Santos veio para o Brasil com 8 anos, para morar em Bandeirantes, no norte do Paraná. Antes disso, ainda no Paraguai, seus pais tinham restaurante e ela sempre viu a mãe cozinhar, mas para os outros. Ela morreu quando Eva tinha apenas 13 anos. “Parecia até que já me preparava, pois sempre dizia ‘você tem de ser forte, se acontecer algo comigo, você vai ter que se virar sozinha’”, lembra. Eva não gostava de viver no interior, queria estudar moda e sonhava ser estilista. Com 16 anos, veio para Curitiba, morar com uma tia. “Comecei a trabalhar, fui morar sozinha, passei por muitas dificuldades, mas fui encontrando pessoas muito bacanas pelo caminho”. Trabalhou no China Bar, que era o bar da moda na década de 1990, dos mesmos donos do Vox Bar. Eva fazia comidas em casa e os amigos sempre elogiavam. Um dia faltou uma cozinheira no China e ela foi ajudar – acabou ficando por 7 anos. Depois foi para o Vox, que na época ficava muito próximo ao Boulevard, restaurante de Celso Freire, que já era cliente e amigo de Eva desde o China Bar. Eva tinha começado a fazer o curso de Gastronomia do Senac e resolveu pedir um estágio ao grande chef. “Nunca vou me esquecer do meu primeiro dia lá, eu tremia, escolhi minha melhor roupa, parecia que estava indo ver uma lenda do rock.” Acabou ficando e, depois de um ano, foi a primeira mulher a assumir a cozinha do Boulevard. “Tenho saudades disso, porque brinco que hoje que sou chef, queria ser ‘só’ cozinheira. O chef é o gestor, cozinha pouco. Cozinhar mesmo eu faço quando chego em casa, que vou lá para trás, ligo meu fogão a lenha, ponho fogo na churrasqueira e fico até muito tarde.” Depois de 4 anos, saiu do Boulevard. Já era muito amiga da família do Grupo Victor desde que trabalhava no China e, então, foi para lá. Em sua trajetória lá dentro, teve a oportunidade de estagiar no Asador Etxebarri, hoje o sétimo melhor restaurante do mundo, que fica no País Basco e é especializado em comidas na brasa. “É um lugar mágico, só de falar me arrepia. Montanhas imensas e o restaurante no meio do vale. Fiquei quase 3 meses, era a única mulher no meio de 8 homens.” Enquanto estava lá, no dia do seu aniversário, foi jantar no Arzak, restaurante do Juan Mari Arzak, que na época era o terceiro melhor do mundo. “De repente veio o Arzak na minha direção e falou ‘ah, você que é a cozinheira do Brasil’. Eu tremia. Ele me perguntou se eu não queria fazer um estágio lá antes de voltar, respondi que sim e já comecei a chorar. Fiquei 15 dias intensos lá, cozinhei até para o Eric Clapton”, conta. Ao voltar, há 9 anos, abriram o Bistrô do Victor, no ParkShoppingBarigüi, com a proposta de fazer a comida na brasa – a continuação do sucesso você já conhece.

 

Desacelerando

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

 

Eva vive hoje um momento de reflexão. Apaixonada pelo marido, que conheceu no Vox há 8 anos, se viu repensando a vida quando quase o perdeu, há um ano e meio. Fernando teve uma isquemia e já precisou fazer duas cirurgias. “Eu já queria desacelerar um pouco do trabalho, mas depois disso ficou muito claro. Descobri que amo o Fernando mesmo, que deixaria tudo para trás para ele ficar bem. Comecei a pensar que a qualquer momento a gente pode perder a pessoa que ama e não conviveu com ela. Passei a valorizar muito mais a família. Aquele sofrimento fez com que eu visse a minha vida com outros olhos”, reflete. Eva diz que sempre sonhou grande e que sua vontade é morar na praia, mas ainda não é o momento. “Quando estou em casa, gosto de fazer pratos de cozimento longo, comida de vó mesmo, por exemplo ficar 10 horas cozinhando um aipim, que derrete na boca. Mas praticamente não consigo fazer isso, por falta de tempo. Quando estou na praia, cozinho muito mais, com os amigos que são minha família. A melhor comida do mundo é a que você come com as pessoas que ama, pois vai lembrar para sempre”, conclui.

 

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

Fotos: Rodrigo Kapuski e Maria Cristina Nadalin

 

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