No meu tempo era assim

8 de dezembro de 2015 - Por: Redação


Em todas as épocas, quem tem filho pequeno escuta mães, avós, tias ou madrinhas dizerem todas as variações entre “no meu tempo era tudo diferente…” e “tudo é tão mais fácil hoje em dia”. Certamente, estas que nos falam também ouviram de suas antecessoras. Provavelmente, faremos o mesmo com nossas sucessoras. A necessidade de comparar os desafios e as atribulações da infância atravessa gerações, como que dando forma a certa nostalgia. “Ah, se pudéssemos fazer diferente”, “se eu tivesse tanta informação como se tem hoje”, dizem alguns. Ledo engano. Somos os pais e mães que podemos ser, dadas as condições de vida e época em que vivemos. Adaptamo-nos aos nossos tempos, usando um pouco da experiência de nossos entes queridos, um pouco de intuição e muito de tentativa e erro. O resultado é uma experiência única de parentalidade, que nunca poderá ser passada adiante em sua íntegra.

Em cada cultura, entretanto, há aspectos educacionais que atravessam as gerações e que norteiam nossas práticas. Famílias mais ou menos religiosas, mais ou menos respeitosas ou invasivas, mais ou menos éticas, mais ou menos rígidas, tradicionais ou com limites alargados. Esses aspectos dizem respeito às nossas crenças, atitudes e comportamentos. São reproduzidos e imitados por um processo a que chamamos de identificação.

Paralelamente a esses aspectos palpáveis, mais fáceis de identificar, estão os aspectos transgeracionais, subjetivos, inconscientes, que atravessam a educação e a convivência em família. A herança que cada um leva inconscientemente para sua nova família, que muitas vezes sujeita a criança a um determinado lugar que originalmente foi de outro. “Saiu ao avô”, dirão alguns, “esse veio para salvar a família”. Selma Fraiberg falava nos fantasmas do berçário, que invariavelmente voltam a assombrar as famílias, reeditando sofrimentos psíquicos e dinâmicas familiares disfuncionais. Essa é uma realidade cada vez mais nítida em nossa clínica, na escuta de pais. “Eu apanhei e estou aqui”, “eu apanhei muito, mas mereci” justificam a repetição de padrões de funcionamento parentais que se recusam a desaparecer, mesmo diante de tantas informações, avanços científicos e muito, muito sofrimento manifesto.

Parece-me que não há fórmula para escaparmos dessas armadilhas, a não ser encarando a árdua tarefa do autoconhecimento, do respeito às diferenças e às necessidades de cada indivíduo como único, sujeito de seu próprio processo histórico e não apenas herdeiro de construções familiares anteriores. Conhecer a história familiar e discriminar-se dela à medida  que for mais saudável pode ser a única forma de deixar sua própria marca no mundo.

*FERNANDA ROCHE é psicóloga, Mestre em Saúde Mental Infantil pelo Tavistock Centre, especialista em Educação Infantil e é sócia-diretora do Espaço de Desenvolvimento e Educação Infantil Criança em Foco.

Al. Augusto Stellfeld, 1262 – Bigorrilho

(41) 3232-4837

criancaemfoco.com.br

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