Topless

Por que nós, mulheres, cuidamos de todos, mas não marcamos aquela nossa consulta?

21 de outubro de 2016 - Por: Redação

Pensa coração_Topless

Mulher é bicho sapeca, menina levada, arteira. Até as mais quietinhas, não se engane. Nascemos livres, divertidas, almas risonhas, leves. Chora, sente, ri, briga, afaga, acolhe, insiste, desiste, deseja, sonha, faz e refaz. Intensa, pura, sagaz e corajosa. Uma miscelânea de jeitos, uma salada de sentimentos. É o combo mais completo do universo e, por isso mesmo, a mais rica fonte de contradições.

Cuidamos de todos, mas não marcamos aquela nossa consulta. Atendemos os filhos, o marido, os pais. Batemos aquele papo quilométrico com uma amiga querida que está em apuros no casamento, corremos comprar o presente de aniversário da sogra, planejamos as viagens da família, aquele jantar em casa para os compadres, tudo, providenciamos tudo. Somos incríveis, doces e eficazes. Com os outros, geralmente.

Uma amiga querida costuma dizer que queimamos os soutiens, mas ainda vestimos espartilhos emocionais. Tão verdade. Sem bandeirolas de F ou M, num dos lados de uma suposta competição. Apenas verdade. Em algum lugar de nós, mesmo que bem escondidinho, mora uma menininha que acredita estar sob os olhos atentos de avaliadores com uma prancheta nas mãos pontuando os 1.842 critérios para ser classificada como uma Lady Di.

Aquela que nasceu leve, arteira e tudo que a fazia livre, já não lembra mais que foi assim. As raízes lhes foram apagadas pela lista homérica de coisas a fazer, metas a atingir e modelos de perfeição absolutamente inatingíveis a perseguir. Afinal agora você é uma mocinha.

Mocinhas também dormem, soltam pum, comem e até arrotam. Precisam de tempo para fazer nada, pensar em nada e não ter que providenciar nada para ninguém além dela mesma. Mocinhas são gente, oras bolas! Esse show de Truman tem que acabar.

Tome tento, querida, arranque logo esse espartilho e sinta a brisa no peito te convidando pra dançar. Arrisque-se na liberdade de ser sem tantos parâmetros. Mande as metas à m de vez em quando e permita-se merecer o bem que a vida tem.

Que tal um topless? Comece marcando aquela consulta.

 

Texto publicado por Jeanine Rolim em seu blog Pensa Coração.

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