Alexandre Yamamoto: O arquiteto que aposta em ambientes bonitos e feitos para morar

Sabe aquelas casas que além de bonitas dá vontade de morar? Essa é a aposta do arquiteto Alexandre Yamamoto, que propõe que os melhores ambientes são os que funcionam e onde tudo faz sentido

19 de novembro de 2018 - Por: Redação

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Quando pequeno ele adorava ir à igreja. Hoje sabe que era muito mais pelo encantamento com os espaços, cores e proporções do que pela missa do esforçado padre da paróquia de Carlópolis, no interior do Estado. O tempo passou e Alexandre Yamamoto ganhou o mundo. Nos Estados Unidos aprendeu inglês e muito sobre como lidar com pessoas. Trabalhando para se manter durante os dois anos e meio de sua bolsa na universidade virou o queridinho dos donos de uma das maiores floriculturas do país. Voltando ao Brasil se apaixonou, casou e em menos de seis meses estava morando no Japão. Lá prendeu tudo sobre respeito às pessoas e principalmente sobre simplicidade, praticidade e a importância de se viver em espaços úteis e bem pensados.

Com o filho Victor a caminho achou que era hora de voltar. Cursou arquitetura, abriu seu escritório e resgatou a experiência em flores e decoração para produzir alguns dos eventos mais especiais da cidade. Hoje, Alexandre comanda um escritório de arquitetura que quer ir além do tradicional. Com uma equipe jovem e criativa, em projetos de exterior ou de interiores, ele liga todos os pontos que o trouxeram até aqui para apresentar aos clientes projetos que valorizam a estética, mas principalmente a simplicidade e a funcionalidade. Casas para viver de verdade.

 

COMO VOCÊ PROCURA FAZER A DIFERENÇA COM SEU TRABALHO?

Odeio aqueles ambientes que parece que não se pode tocar em nada. Minha arquitetura é para pessoas que querem curtir o espaço. Quanto mais você mexe, melhor fica o ambiente, com mais vida. Acho que estética é importante, mas a funcionalidade é fundamental.

 

“ODEIO AQUELES AMBIENTES QUE PARECE QUE NÃO SE PODE TOCAR EM NADA. ACHO QUE ESTÉTICA É IMPORTANTE, MAS A FUNCIONALIDADE É FUNDAMENTAL”

 

O QUE É MAIS IMPORTANTE EM UM ESPAÇO?

É ser simples, sem excessos. Colocar o que é realmente útil, o que vai agregar para aquele espaço, criando algum tipo de sentimento, de bem-estar, ou de relaxamento.

 

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COMO É O PROCESSO DE CRIAÇÃO?

Nós entendemos o briefing, procuramos referências, mas vamos além. Procuramos estudar a vida do cliente, entender o local, o entorno e, ao invés de oferecer exatamente o que ele pediu, colocamos a nossa ótica. É preciso lapidar muito as ideias para que se potencialize o que é mais importante, que é o uso. Arquitetura vai muito além da estética. É sobre curtir o ambiente.

 

E A ACEITAÇÃO DOS CLIENTES?

Posso te dizer que 98% das vezes o projeto passa de primeira. A pessoa se sente representada, consegue se enxergar no que fazemos. Nós exercitamos a sensibilidade para responder como profissionais e materializar o desejo de morar bem daquele cliente. Outra questão importante é nunca fazer nada pré-existente. Nossos projetos não tem nada parecido.

 

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COMO ASSIM?

Eu sempre converso com a minha equipe e temos internamente a meta de inovar, de colocar sempre o nosso olhar. A impressão que se tem é que no mercado de Curitiba há muito do mesmo. É preciso ousar um pouquinho e se a inovação fizer sentido o cliente vem com a gente.

 

COMO É SUA EQUIPE?

Minha equipe é muito jovem e gosto disso porque eles não têm barreiras. O mundo vai te podando, vai te bloqueando e para a criatividade é muito bom não ter limites. Meu trabalho é canalizar a criatividade deles para criar algo novo e que atenda muito bem os desejos e necessidades dos clientes.

 

COMO FOI SUA EXPERIÊNCIA FORA DO PAÍS?

No interior do estado minha família já trabalhava com flores e decoração de eventos. Com 17 anos fui para os Estados Unidos com a intenção de ficar uns seis meses, tinha um projeto maluco de ser ator e estudar em Nova York. Para isso, o primeiro passo foi estudar inglês em Boston. No meio do caminho, ganhei uma bolsa de dois anos e meio da universidade. Como eu precisava trabalhar e já sabia mexer com flor, procurei emprego em uma floricultura. Era uma das cinco melhores do país e trabalhei lá por mais de dois anos. Eles me tratavam com muito carinho e eu aprendi muito com eles.

 

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E O RETORNO PARA O BRASIL?

Quando voltei, comecei fazer faculdade aqui, mas conheci a minha esposa e em cinco meses decidimos casar e, mais uma mudança de planos. Acabamos indo morar no Japão. Fiquei mais três anos por lá. O propósito era guardar dinheiro, mas foi incrível porque me abriu muito a mente.

 

O JAPÃO É UM MUNDO À PARTE MESMO?

Sim, em termos de linha de raciocínio, de comportamento, de atmosfera. Aprendemos muito sobre respeito, cuidado, respeitar o seu espaço. Outra grande lição foi a simplicidade. No Japão, como há uma limitação muito grande de espaço, tudo dentro de uma casa japonesa é extremamente útil e bem pensado. Eu morava em um espaço minúsculo, mas me sentia extremamente confortável.

 

QUANDO VOCÊ CURSOU ARQUITETURA?

Assim que voltei do Japão. O tempo ajudou me ajudou a amadurecer e quando voltei tinha mais clareza de que queria trabalhar com isso. Terminei a faculdade, abri o escritório e paralelamente passei a trabalhar com produção e decoração de eventos, pois percebia que havia uma grande carência de um trabalho diferenciado no mercado de luxo.

 

MAS VOCÊ CONTINUA COM OS EVENTOS?

Sim, arquitetura e eventos se correlacionam muito bem. Eu vejo que nas nossas festas o resultado acaba sendo muito superior por a gente pensar no uso do espaço. Precisamos fazer aquela festa em que o convidado não quer embora. A gente antecipa todo o fluxo da festa para que a pessoa vá caminhando, tendo surpresas, se emocionando. Com uma casa não é diferente. É preciso que a pessoa queira viver, sentir e se emocionar nesse espaço.

 

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