Multi Berlim

29 de setembro de 2015 - Por: Redação


Neste ano recebi a ótima notícia de ter passado no vestibular, mas como as aulas só começariam em julho fui atrás de um intercâmbio para aproveitar as longas férias. Berlim parecia um sonho distante principalmente pelo fato de que eu não tinha noção nenhuma da língua, mal sabia contar até 10 em alemão! Mesmo assim pesquisei bastante sobre a cidade e, no momento em que fiz a reunião pré-embarque na EF (Education First), comecei a me dar conta de que seria uma experiência incrível.

Minha viagem foi muito mais que aprender a língua, an­dar pela famosa cidade ou beber os típicos chopes. Cada pessoa que eu conheci me mostrava uma outra face do preconceito que tinha com relação à suposta frieza dos ale­mães. Mais que inteligentes e competentes, os berlinenses se mostram muito acolhedores e descontraídos, um povo que não tem o menor orgulho da história cruel do país em tempos de Hitler e faz questão de mostrar isso por meio dos memoriais e museus sobre o nazismo, todos gratuitos.

DSC00264[1]

É preciso dizer que nem tudo foi fácil. Quando cheguei, olhava para as placas de rua e metrô e nem parecia o mes­mo alfabeto, não entendia absolutamente nada! Resultado: demorei mais de três horas para chegar à minha nova casa! Após um bom cochilo para compensar o cansaço da viagem, fui surpreendido com minha “mãe alemã”, uma senhora chilena que mora na Alemanha há mais de 50 anos, me acordando para irmos ao carnaval da cultura de Berlim, no qual carros alegóricos de mais de 50 nacionalidades se apresentariam. Foi apenas o primeiro dia – com direito a bratwurst (o cachorro-quente estranho deles) e caipirinha – mas já pude perceber o mix cultural que a cidade tinha a oferecer.

Foi incrível conhecer a história viva com a minha "mãe alemã"

Foi incrível conhecer a história viva com a minha “mãe alemã”

No dia seguinte foi meu primeiro dia de aula e aquele de­safio de me virar com a língua só ficou mais claro. Mesmo estando no primeiro nível, meus colegas de classe já haviam estudado alemão, mas o que poderia ser um momento de grande desespero acabou sendo uma boa prova de como a estrutura da escola e o know-how dos professores pode fazer a diferença num intercâmbio. Quando eu tinha difi­culdades com o alemão, uma equipe atenciosa me socorria com o inglês e por sorte havia até um funcionário que fala­va português. Dia após dia foi ficando mais fácil aprender as palavras básicas, tanto que na segunda semana já subi de nível. A escola foi inaugurada no início deste ano e fica muito bem localizada, perto da Potsdamer Platz, um dos pontos mais desenvolvidos da cidade. A estrutura moder­na, com lousas interativas touchscreen e até mesmo um corner do Starbucks para quem não consegue estudar sem um cafezinho, deixam claro que você está numa das princi­pais capitais do mundo.

Numa mesma turma havia gente de todo o mundo, de mexicanos a dinamarqueses

Numa mesma turma havia gente de todo o mundo, de mexicanos a dinamarqueses

Se você está pensando em fazer intercâmbio, um dos pontos mais importantes a valorizar é justamente a opor­tunidade de estar imerso em um ambiente realmente in­ternacional. Afinal, de nada adianta fazer um investimento como esse e ficar numa turma com muitos brasileiros. A mistura de nacionalidades dos estudantes foi algo real­mente incrível. Fiz amigos do México, Dinamarca, Bélgica, França, Holanda, Suíça, entre outros países! Como já havia feito um intercâmbio nos Estados Unidos, pude perceber claramente esse diferencial da escola, já que na outra havia apenas cerca de cinco ou seis nacionalidades diferentes.

Dollarphotoclub_83668124

MULTITUDO

A cada dia por lá percebia que não poderia ter escolhido cidade melhor. Berlim é multicultural e integra história, beleza e um clima de hospitalidade indescritível. O mais interessante é que mesmo após todo o peso de duas guerras mundiais e a presença de um muro a dividindo por quase 30 anos, a cidade é a capital da cultura e criatividade, com mais de 150 museus e 420 galerias de arte. Justamente por conta de todas as crises pelas quais passou, muita gente se mudou para outros lugares da Alemanha, fazendo com que o preço dos imóveis baixasse muito. Assim, muitos artistas e imigrantes ocuparam a cidade, dando uma cara nova a ela. Para quem anda por lá é difícil lembrar que é a ca­pital da maior potência europeia e a segunda maior cidade do continente. Mesmo tão importante, nos dá a impressão de uma cidade pequena e acolhedora.

O melhor de Berlim não são os pontos turísticos, como o famoso Portão de Brandemburgo, a Torre de TV, a linda Catedral (Berliner Dom), o Parque Tiergarten ou a Ilha dos museus, mas, sim, visitar bairros afastados, observar a arte de rua – tanto os grafites quanto os músicos – e passear por uma das inúmeras feiras. Um dos pontos turísticos mais famosos, o Reichstag – parlamento alemão – é essencial para quem vai à capital alemã. Além de ser gratuito, sendo necessária apenas uma reserva, o prédio mistura história e uma arquitetura inovadora com sua cú­pula envidraçada e possibilita uma vista incrível da cidade.

KREUZBERG

Esse bairro de nome difícil é o lar da maioria dos artistas e reduto da vida noturna. Lá existem diversos becos e pra­ças “escondidas”, e cada vez que você entra em uma passa­gem dessas descobre um lugar mais louco que outro. Não estranhe se encontrar faróis de carros pendurados, uma mini Jamaica, com música e objetos típicos do país, ou uma praia com um tanque de guerra no meio do nada. Sim, isso aconteceu comigo e tenho fotos para provar. Além disso, é claro que os muros são coloridos por todo tipo de arte e não é difícil se deparar com feiras de artesanato ou comércio barato de turcos, principalmente. Só é possível entender a mistura cultural desse lugar quando você caminha pelo bairro e começa a ver gente de tudo quanto é origem e esti­lo de roupa, desde muçulmanas usando burca até hippies à moda dos anos 60.

MAUERPARK

No Mauerpark, todo domingo acontece uma feira que tem de tudo: rock, batucada brasileira, comidas e bebidas de to­das as partes do mundo, feira de antiguidades e um karaokê gigante no qual gente de todas as idades e nacionalidades se arrisca a soltar a voz. Algo realmente único!

O karaokê é um dos pontos altos da feira do Mauerpark

O karaokê é um dos pontos altos da feira do Mauerpark

MURO

Por lá encontrei muitas coisas incríveis que foram presen­tes exclusivos da História. O principal e óbvio exemplo é o Muro, que ainda pode ser visto em muitos lugares, como no Wall Memorial and Documentation Center, um museu gratuito que explica por meio de depoimentos como era a vida cotidiana de famílias e amigos separados por um muro. Ele ainda conta com um observatório onde se pode ver de cima uma área isolada, réplica da faixa militar que separava o lado leste do oeste. Boa parte do muro está pre­sente no East Side Gallery com seus grafites famosos, ideal para conhecer de bike.

O circuito de bike que passa pela East Gallery é obrigatório

O circuito de bike que passa pela East Gallery é obrigatório

TEMPELHOF

Também há na cidade um parque no qual, em tempos de Guerra Fria, havia um aeroporto utilizado apenas para aviões que traziam alimentos e mantimentos da parte ocidental para Berlim oriental. O parque em si é apenas uma área gigante de gramado onde ainda se pode ver o grande aeroporto Tempelhof abandonado e aproveitar para andar de bike, skate ou patins pelas antigas pistas de pouso.

POSTDAM

Para quem tem a sorte de ficar bastante tempo por lá, vale ainda a visita a Potsdam, uma cidade bem próxima com construções ao estilo holandês, onde está o belo Palácio de Sanssouci, antiga casa de verão do Rei Frede­rico, o Grande, da Prússia. Além dessa cidadezinha, a alguns minutos do centro de Berlim está o Sachsenhausen, antigo campo de concentração que servia também como centro de comando de todos os campos na­zistas espalhados pela Europa. A visita é pesada, mas ideal para quem se interessa por essa terrível parte da História.

Postdam e o belo Palácio de Sanssouci

Postdam e o belo Palácio de Sanssouci

THE PLACE

Berlim tem muito, muito mais do que consegui apresentar aqui. E foi pe­los lugares incríveis, pelas inesgotáveis coisas diferentes para fazer e prin­cipalmente pelo povo acolhedor que essa cidade se tornou tão especial para mim. Se você gosta de arte, cultura, história, gente diferente, par­ques, música, e principalmente tudo isso junto, não deixe de ir até lá, pois como diz uma campanha turística da cidade, Berlin is the place to be!

Ficou afim de fazer um intercâmbio? Saiba mais nesse link.


Viver no digital

Loading...