As aventuras pela frança de duas chefs de cozinha curitibanas

De corações e malas cheias: assim voltaram as chefs Claudia Krauspenhar e Manu Buffara depois de uma aventura inesquecível na Europa

2 de maio de 2019 - Por: Redação

Impossível não se inspirar com o convite inesperado que uniu duas curitibanas apaixonadas pela cozinha em uma road trip pela França, conhecendo chefs, visitando restaurantes e vivendo experiências inesquecíveis. Manu Buffara, do Restaurante Manu, já tinha compromissos marcados na Europa e convidou a amiga Claudia Krauspenhar, do K.sa, para viver essa experiência com ela.

Batemos um papo com as chefs, que revelaram os encantos da viagem e dividiram com a gente o álbum de fotos! De volta a Curitiba, elas nos presenteiam com uma bagagem enorme e muita vontade de trazer ao paladar dos curitibanos um pouquinho do que viveram lá fora.

Foto 1

VIVER: Como vocês se conheceram?

Claudia Krauspenhar: Já nos conhecíamos por conta da profissão, mas no final do ano passado a gente se aproximou mais, a Manu organizou uma press trip com alguns jornalistas de fora e me convidou para participar com ela. Ali a gente percebeu uma afinidade.
Depois disso, teve uma noite que fui jantar no restaurante dela e, no meio da conversa, ela me contou que estava indo para a França e de repente perguntou se eu queria ir junto (risos).

VIVER: Quais foram as experiência mais legais que vocês viveram nessa viagem?

Manu Buffara: Foi muito bacana, trouxemos várias memórias, lembranças e aprendizados. Eu fui antes da Claudia, para participar com outros chefs internacionais de um evento para arrecadar fundos para crianças carentes na África. No domingo seguinte, encontrei a Claudia em Paris e a levei comigo para cozinhar no jantar de comemoração da terceira estrela Michelin do chef argentino Mauro Calagreco.

Claudia: Sim, foi coisa de filme, eu olhava para os lados e me perguntava “o que eu estou fazendo aqui?”. Na segunda-feira, participamos do prêmio The World Restaurant Awards, foi muito bonito, totalmente diferente do que a gente está acostumado a ver na gastronomia.
Depois começamos essa road trip meio maluca, que foi superdivertida porque estávamos sem rumo, chegávamos e reservávamos os hotéis na hora. Também fomos em alguns restaurantes muito legais, como o Maison Troisgros, e foi uma experiência incrível, no meio do nada, um jantar delicioso.

Foto 4

VIVER: Ficamos sabendo que vocês tiveram um grande encontro com o chef Alain Ducasse, como foi?

Manu: Foi incrível! Foi o Alex Atala quem me apresentou para o chef Ducasse durante o prêmio The World Restaurant Awards. Ele pegou na minha mão e me apresentou para várias pessoas do meio, acho muito legal essa conectividade. Isso me inspirou a pensar que, assim como eu tive essa oportunidade, quero poder multiplicar essa experiência para outros chefs. E isso vai passando, são legados, o mais importante é multiplicar, as pessoas têm que aprender que nada é feito só para elas, é para o mundo.

VIVER: E a gastronomia tem isso de aproximar pessoas e amizades. Você leva isso para dentro do seu restaurante?

Manu: Sim! Porque antes de as pessoas serem cozinheiras, elas são seres humanos. Para mim, a parte mais importante é conhecer o ser humano, acho que isso vai muito além da cozinha. A cozinha reflete suas vivências, é uma maneira de contar uma história por meio da sua personalidade, de quem você é.
É o que estamos vivendo na gastronomia brasileira, despertando essa coisa de novo, sem ter competição. O mais importante é você ter uma amizade com outros chefs, trocar conhecimento, trocar experiências e, depois, dentro da cozinha cada um tem seu jeito e sua forma de cozinhar.

VIVER: Depois da viagem, ao viver essa interatividade e colaboratividade, vocês voltaram mais ricas para nossa cidade?

Manu: Nem sei ainda o que estou vivendo, é tudo muito louco, mas me sinto uma pessoa de sorte. Sempre acreditei no que eu faço, sempre batalhei muito, não só por mim, mas pela cidade e pelo estado. Estamos em uma cidade que não é muito turística, então se formos falar de gastronomia, as pessoas vão sempre no eixo Rio-São Paulo, é muito difícil a pessoa vir para Curitiba para comer.
Ano passado dei o primeiro passo na direção de mudar isso. Realizei uma press trip com jornalistas de fora para conhecerem pessoas e restaurante curitibanos. É assim que tornamos a cidade conhecida e esse é meu trabalho para abrir para outros chefs e outras mulheres. Às vezes as coisas lá fora são um pouco diferentes, a visibilidade que eu tenho na Europa é um pouquinho maior que eu tenho aqui, por exemplo. Mas fico muito feliz e me sinto muito honrada de estar onde estou e da cidade onde moro, acho que se Deus me colocou aqui, é aqui que eu tenho que ficar.


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