Cida

12 de dezembro de 2014 - Por: Redação

Ela foi eleita no primeiro turno vice-governadora do Paraná e seu mandato como deputada federal está no final. Ainda assim, participou de uma sessão de fotos exclusiva caminhando pela Praça da Espanha, nos concedeu esta entrevista e aceitou nosso convite para um almoço na Trattoria do Victor antes de voar para Brasília para uma votação importante que teria no período da tarde no Congresso. Essa é a melhor forma de descrever Cida Borghetti. Simples, prática e comprometida com sua missão pública.

Seu nome, Maria Aparecida, é fruto de sua primeira vitória na vida. Ela nasceu com menos de sete meses, cinco horas depois de um acidente envolvendo um ônibus em que sua mãe, grávida, viajava com seus dois irmãos. Primeiro ela ganhou o nome, depois o apelido que se tornaria famoso. E Nossa Senhora Aparecida uma capela à beira da estrada que Cida visita até hoje.
Nesta conversa com a VIVER Curitiba, ela falou sobre como conheceu seu marido, o deputado federal reeleito Ricardo Barros, sobre a eleição da filha, Maria Victoria, e sobre como se tornou referência quando o assunto é saúde da mulher.

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2015 COMEÇA DE MANEIRA ESPECIAL PARA VOCÊ. COMO SERÁ O SEU ANO?

É um novo momento e eu não me canso de agradecer a Deus pelas oportunidades que sempre tive e pela nobre missão de servir à população. Tive dois mandatos como deputada estadual e um como deputada federal, nos quais busquei levar esse olhar feminino e sensível às necessidades das mulheres para as decisões públicas.

QUAIS SERÃO SUAS PRIORIDADES?
Quero ser a grande parceira do governador Beto Richa e levar para o governo o legado de trabalho pela saúde preventiva, pela saúde da mulher. Minha ideia é dar continuidade no trabalho que fomos pioneiras por aqui, chamando atenção para questões como o câncer de mama e um olhar diferenciado também de atenção à primeira infância. Essa política que integra saúde, educação e direitos humanos de crianças de zero a seis anos é uma conquista nossa no Congresso Nacional.

COMO FOI SUA INICIAÇÃO POLÍTICA?
Aprendi em casa com meu pai, o saudoso e querido Ivo Borghetti, um getulista de carteirinha, filho de italianos e nascido na cidade de Garibaldi no Rio Grande do Sul. Ele nos ensinou sempre a respeitar a classe política e, se não satisfeitos, que nós não reclamássemos, que fizéssemos melhor.

E QUAL FOI SUA PRIMEIRA PARTICIPAÇÃO POLÍTICA, EFETIVAMENTE?
Eu sou militante desde a minha juventude. Naquela época, o governador era o Ney Braga, que incumbiu a meu irmão, José Roberto Borghetti, a Juarez Moraes, Renato Follador, Marcos Isfer, Nemécio Mueller e tantos outros jovens idealistas a missão de formar o PDS Jovem no Paraná. Quando meu irmão me chamou para compor esse grupo, eu entrei numa Kombi, fui para os bairros, para as ruas e nunca mais saí.

NUM MOMENTO TÃO DELICADO DA POLÍTICA NACIONAL, COM TANTOS ESCÂNDALOS, QUAL A MELHOR RESPOSTA QUE SE PODE DAR À POPULAÇÃO?
Com certeza é fazer acontecer. O país vive um momento muito delicado com a corrupção, os desvios, e não podemos concordar com isso. A nossa missão é trabalhar intensamente para que a infraestrutura, a educação e a saúde realmente cheguem à população. A melhora na qualidade de vida das pessoas é a nossa maior resposta.

HOUVE ALGUM EPISÓDIO NA SUA VIDA QUE LHE DESPERTOU PARA O CUIDADO COM A PREVENÇÃO E A SAÚDE?
Quem conhece a minha trajetória de vida sabe o que eu já enfrentei e minha preocupação com a saúde das mulheres. Eu tive câncer do cólo do útero e acredito que é fundamental preservar a saúde da mulher. A falta da mulher, da mãe, desestrutura toda a família. Trabalhando para que as pessoas não fiquem doentes, você inclusive diminui os custos com a saúde pública.

E SEU TRABALHO NO COMBATE AO CÂNCER DE MAMA?
Comecei a trabalhar essa política ainda no meu primeiro ano como deputada estadual, quando recebi uma comitiva de mulheres que haviam passado pelo câncer de mama. Vitoriosas como a Tânia Mary Gomez, que resolveram me procurar para descobrirem como poderiam fazer a diferença.

QUAL FOI O PRIMEIRO PASSO?
Achei que a melhor maneira de avançar na prevenção era envolvermos a sociedade e trazermos essa discussão para perto das famílias. Instituímos no calendário oficial do Paraná o dia 27 de novembro como o Dia de Luta e Prevenção Contra o Câncer de Mama, seguindo a simbologia do laço cor-de-rosa. Depois, como deputada federal, conseguimos fazer isso no Brasil inteiro. Passo a passo as coisas foram evoluindo e tudo isso não ficou só na lei.

COMO ASSIM?
Conversei com o secretário de Saúde, Michele Caputo Neto, e com o mastologista Dr. Vinicius Milani Budel que havia um recurso federal que poderíamos enviar para o Estado para aquisição de um mamógrafo por cidade. Eles destacaram que seria melhor utilizar a verba para criar quatro centros de diagnóstico referência, 100% gratuitos e com equipamentos modernos. Comecei a estudar e destinei esse recurso, e hoje o Paraná já conta com três centros de diagnóstico para a prevenção e o tratamento do câncer de mama (Maringá, Londrina e Cascavel) e posteriormente terá em Curitiba.

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COMO É A SENSAÇÃO DE SER MÃE DE UMA DEPUTADA ESTADUAL?
O maior presente que Deus poderia ter me dado que foi a Maria Victoria. Ela sempre foi muito comprometida e brinco que tem uma experiência de vida pública de 22 anos, porque quando ela nasceu o pai dela já estava prefeito. Com certeza ela fará um grande trabalho, pois o modelo que conhece é o de servir. O que posso desejar como mãe é que os anjos possam protegê-la diariamente e que ela possa realmente trabalhar a favor das pessoas.

SUA VIDA PROFISSIONAL PASSOU PELA COMUNICAÇÃO?
Sim, trabalhei muito tempo na criação e produção de programas locais, um deles foi o Curitiba Vip, do Nemécio Mueller. Foi o primeiro talkshow do Brasil, um programa muito diferenciado, focado na cultura e na arte local. Tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas e viver muitas experiências nesse período. Tancredo Neves, por exemplo, foi um dos primeiros entrevistados e é uma belíssima recordação. Foi uma aula para todos nós.

QUANDO CONHECEU O RICARDO BARROS?
Depois da TV, em sociedade com o publicitário Heitor Gurgel do Amaral Valente, montamos uma agência de comunicação e marketing e uma produtora e nos especializamos em campanhas políticas. Foi aí que falei com o Ricardo pela primeira vez, por telefone, porque ele estava disputando as eleições para a prefeitura de Maringá.

E QUANDO O CONHECEU PESSOALMENTE?
Foi em janeiro de 1989, no baile da Garota Caiobá. Tem até uma história engraçada, porque ele estava de preto num baile em que todos vestiam branco e eu achei que fosse um padre. Eu até pensei: “Nossa, tem um padre no baile, mas tudo bem, os tempos são modernos!” (risos). Depois que nos apresentaram, começamos a namorar e vim a me casar com ele no mesmo ano.

VOCÊ AINDA NÃO TOMOU POSSE, MAS MUITAS PESSOAS JÁ COGITAM SEU NOME PARA A SUCESSÃO NO GOVERNO. COMO VOCÊ LIDA COM ISSO?
Lido muito bem, porque sei que o futuro a Deus pertence. Quero mais uma vez agradecer a confiança dos líderes e do governador Beto Richa por ter me convidado. Sei que isso é resultado de um trabalho excelente desenvolvido em Maringá, que é modelo em gestão, premiadíssima e com referências muito positivas como a melhor gestão fiscal do Paraná, a 8a. melhor do Brasil e 2a. em saneamento básico nacional. E é esse modelo que vamos procurar somar com toda a equipe do Beto Richa a partir de janeiro. Cabe a nós honrar cada voto e transformá-los em serviço prestado ao povo do Paraná.

MAS AFINAL, O QUE FAZ UM VICE-GOVERNADOR?
Tem a prerrogativa de representar o governador em todas as áreas, diariamente no atendimento aos prefeitos, às lideranças, à sociedade civil organizada, aos municípios. Tive bastante experiência em Brasília, não apenas como deputada, mas também como a primeira e única mulher chefiando o escritório de representação do Paraná, no governo de Jaime Lerner e vou me colocar à disposição para ajudar o Paraná junto ao Governo Federal, já que 70% da arrecadação está lá.

QUAL SUA RELAÇÃO COM DEUS?
Muito forte e de uma fidelidade extrema. Eu nasci de sete meses num acidente. Minha mãe saiu de Caçador, em Santa Catarina, num ônibus da Viação Garcia, com dois de meus irmãos e iria para Porto União, onde meu pai estava inaugurando um restaurante. No meio do caminho, o ônibus tombou e eu nasci umas cinco horas depois, no hospital em Caçador. No ônibus tinha um quadro de Nossa Senhora Aparecida a quem no momento do acidente ela pediu que salvasse o bebê. Nasci saudável, antes dos sete meses e recebi o nome de Maria Aparecida. Também em agradecimento, minha mãe mandou construir uma capela no local do acidente com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Visito sempre a capela, que foi adotada pela comunidade.

COMO É SUA POSTURA PESSOAL NO DIA A DIA?
Procuro estar sempre pronta, sempre de bem com a vida. Quando você se propõe a atuar nessa área não pode focar nas dificuldades. Se as coisas estão difíceis, respiro, conto até três e sigo em frente.


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