Débora Bloch: beleza em plena maturidade

Atriz fala sobre a chegada da maturidade, sua relação com os filhos e como anda a carreira

29 de outubro de 2016 - Por: Redação

Por: Michele Marreira

 

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Foto: Renato Rocha Miranda

 

Fala mansa e de personalidade serena, Débora Bloch é uma das atrizes mais requisitadas e respeitadas da teledramaturgia brasileira. Na TV, teatro ou cinema, sua performance é maximizada ao extremo, seja no riso ou em um drama, como recentemente em seu último trabalho na Rede Globo. No papel de uma mãe que perde sua única filha assassinada pelo namorado, Elisa segue com seu plano de vingança justificada como Justiça.

E pensar que tudo começou nos anos 1980, ao estrear o espetáculo Rasga Coração, substituindo Lucélia Santos na época. Na mesma época fez sua estreia na televisão em uma participação na novela Água Viva. Logo em seguida deu vida à personagem Lívia em Jogo da Vida. Já em Sol de Verão interpretou Clara, dividindo cena com nomes de peso como Tony Ramos, Jardel Filho e Irene Ravache. Na icônica TV Pirata, deu show de versatilidade em esquetes e quadros fixos.

Mas sem dúvida é no tablado que a artista se renova no mítico ofício. No início da carreira fez parte do grupo teatral Manhas e Manias, que misturava circo, música e humor. Atualmente você pode encontrá-la encenando o espetáculo itinerante Os Realistas, vivendo a divertidíssima Pônei, de autoria do americano Will Eno. Mãe de dois filhos e dona de uma beleza natural, é no auge de seus 53 anos que Débora faz uma avaliação da chegada à maturidade. “É um marco entrarmos em outra fase”, adianta. Acompanhe os principais trechos da conversa que tivemos com uma das estrelas mais queridas da atualidade.

 

Interpretando Elisa na aclamada minissérie Justiça (Foto: Estevam Avellar)

Interpretando Elisa na aclamada minissérie Justiça (Foto: Estevam Avellar)

 

Recentemente você se despediu de Elisa, sua personagem na série Justiça. Como foi integrar esse projeto?

Realmente era algo profundo, a cada final de gravação parecia que eu tinha apanhado. Colocando-me no lugar daquela mãe, acho que seria difícil eu perdoar [o assassino da filha]… Eram histórias que não estávamos acostumados a ver em novelas.

 

Como é a sensação a cada trabalho viver uma pessoa completamente diferente de você?

Esse é o grande barato da nossa profissão. É sempre um aprendizado a cada texto, autor e personagem.

 

Sempre se sentiu segura nas diversas fases da vida?

Quanto mais experiência adquirida mais consciência temos dos riscos. Quando se é jovem nos atiramos sem medo. Por outro lado, com o tempo, temos mais ferramentas e recursos conhecendo mais o processo. Já sabemos que iremos passar pelo medo, mas o superamos e talvez soframos menos. Isso também não quer dizer que estejamos mais seguros.

 

Teve de superar alguma crise com sua chegada à casa dos “50”?

É uma passagem importante essa “dos 50”, realmente um divisor. É um marco entrarmos em outra fase. Não é fácil. É preciso saber o que isso traz de bom e aceitar que é o início do envelhecimento. Lutar contra é uma batalha perdida. Quando temos saúde tudo se torna mais fácil.

 

E como é a Débora Bloch em casa junto aos filhos, Júlia e Hugo?

A Júlia está fazendo faculdade nos Estados Unidos há três anos. O Hugo fez 18 anos e já está se preparando para entrar numa universidade também. Eles estão grandes. É um momento diferente de quando eram pequenos. Naquela época eu era aquela mãe que colocava regras, limites e horários. É saudável quando se é criança. Ao mesmo tempo sou uma mãe que conversa muito com eles sobre todos os assuntos com bastante diálogo. Tento dar uma educação humanista aos meus filhos. Nenhum assunto é tabu. Isso cria uma proximidade entre nós.

 

Você e Júlia são muito parecidas fisicamente. Ouve muito isso?

Somos muito parecidas mesmo (risos). Dá um orgulho, é legal ver a nossa continuação, é bonito. Sou uma mãe bem coruja apaixonada pelos meus filhos.

 

Em cena com Emílio de Mello, na peça Os Realistas

Em cena com Emílio de Mello, na peça Os Realistas

 

Hoje você está no espetáculo Os Realistas com atores que contracenou na minissérie Queridos Amigos. Era um projeto antigo?

O legal de cada trabalho é fazer novos amigos ao final. É sinal que aquele projeto nos transformou de alguma maneira. Em Queridos Amigos tivemos o prazer de trabalharmos juntos e, não necessariamente, já estávamos pensando nessa peça, porém ficamos bem próximos, fiz outros projetos com Emílio inclusive.

 

O palco te renova. Como você o define em sua vida?

É tão importante a relação que temos com as pessoas na coxia (bastidores) quanto no palco. O teatro é um lugar de muita intimidade artística e humana. É um processo intenso e profundo. Não há superficialidade, por isso é importante eu estar com pessoas que eu admire e confie.

Certamente é um lugar que você sente-se confortável. A palavra conforto nesse caso precisa ser entendida. É um mal sentido de estagnação que pode acontecer no teatro. Fica parecendo que você morreu. Nesse caso se estivermos muito confortáveis quer dizer que não estamos tão vivos, sem motivação para buscar o novo. Teatro é algo vivo nunca sabemos como é. Esse texto é preciso, não tem piloto automático, difícil decorar, sempre o passamos antes de começar a peça. Apesar de conhecer bastante a personagem estou sempre descobrindo coisas.

 

Fala um pouco de sua personagem, Pônei?

Ela é bem destrambelhada e um tanto ingênua (risos). Pônei é uma mulher que envelheceu e não amadureceu. Tudo pra ela é “quase”, “meio”, “tipo”. São palavras do seu vocabulário. A sua dificuldade de lidar com a realidade a torna frágil e divertida. Esse texto fala das nossas fraquezas, medos. Existe a história dos dois casais que falam sobre seus relacionamentos nos casamentos, mas fala também como compartilharmos nossas fragilidades. Ela tem humor, é uma personagem tocante e bastante diferente de mim, está sendo uma alegria fazê-la.

 

Anteriormente você tinha se afastado um período do teatro… Alguma razão específica?

Está cada vez mais difícil produzir, isso faz com que fiquemos cada vez mais longe do palco. É difícil encontrar um texto onde eu possa dizer “esse eu quero fazer”, que me bata ao coração. Há dois anos eu tinha um projeto de uma peça, nesse período tentei montar esse espetáculo, mas nada fluiu na produção.  E aí apareceu o texto do Will Eno. Porém, entre querer fazer e estrear leva-se pelo menos dois anos.

 


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