A intensa Camila Pitanga

A morena dá um show de emoção e sensualidade em seu mais recente trabalho

3 de julho de 2016 - Por: Redação

Celebridade_Camila Pitanga_Crédito-Divulgação Assessoria

Por: Michele Marreira

É sempre um verdadeiro deleite ao ligarmos a TV, após um dia intenso de trabalho, dar de cara com a atuação de Camila Pitanga em Velho Chico. Por conta de sua experiência no ofício, ela consegue dosar na medida certa, em um traço dramatúrgico, beleza e veracidade na construção de sua nova cria da ficção, que atende por nome Maria Tereza. “Eu já acompanho o trabalho do Luiz Fernando Carvalho e do Benedito Ruy Barbosa há muito tempo. E sempre tive o desejo de trabalhar com eles. Quando soube que a novela seria a evocação de uma brasilidade bem forte, contagiante, na hora topei”, explica a atriz que no auge de seus 39 anos de idade pode se orgulhar pela carreira vitoriosa que construiu. Aos seis, brincava como figurante no filme Quilombo do diretor Cacá Diegues. Na pré-adolescência, já integrava o time de assistentes de palco da atração infantil Clube da Criança, apresentado na época por Angélica, na extinta Rede Manchete. Extremamente determinada, sempre soube qual caminho desejava trilhar.

Desde que estreou na minissérie Sex Appeal exibida em 1993, pela TV Globo, lá se vão 30 trabalhos só em dramaturgia. Versátil, consegue transitar com intimidade entre os gêneros do cinema e teatro. Camila está sempre inovando. Não à toa, há quase uma década, topou o desafio de viver uma garota de programa na trama de Silvio de Abreu, Paraíso Tropical. Um papel marcante repleto de nuances que conquistou público e critica levando todos os prêmios por sua Bebel. Com tamanha repercussão, será que não rolou o receio de ficar estigmatizada? “Acaba se tornando uma prisão ficar preocupada em superar ou corresponder expectativas. Foquei no trabalho em vez de ficar com medo”, revela. Mãe de Antônia, sua filha do ex-casamento com o diretor de arte Cláudio Amaral Peixoto, Camila conta nesta entrevista à VIVER um pouco sobre sua trajetória.

CONSIDERA UMA INOVAÇÃO A GLOBO VOLTAR A RETRATAR UMA TRAMA RURAL NO HORÁRIO NOBRE?

É maravilhoso ver o Nordeste ser colocado em primeiro plano. O Brasil é rico e tem que ter esse trânsito, mostrar os quatro cantos do país. E que venham muitas e muitas novelas nesse sentido.

O QUE TE FEZ ACEITAR O CONVITE PARA DAR VIDA À MARIA TEREZA?

Eu já acompanho o trabalho do Luiz Fernando Carvalho e do Benedito Ruy Barbosa há muito tempo e sempre tive o desejo de trabalhar com eles. Quando eu soube que a novela seria a evocação de uma brasilidade bem forte, contagiante, na hora topei.

Ao lado de Domingos Montagner em Velho Chico

Ao lado de Domingos Montagner em Velho Chico

 

SUA PERSONAGEM SE CASOU, MAS CONTINUA APAIXONADA POR SANTO. COMO ESTÁ O CORAÇÃO DE MARIA TEREZA?

Eles se amam, se querem bem, mas ainda não é um amor latejante como o que sente por Santo (Domingos Montagner). E ainda tem o Cícero (Marcos Palmeira) que vai entrar aí no meio. A Maria Tereza vai ser atacada por vários lados, está com sorte (risos).

VOCÊ PROTAGONIZOU RECENTEMENTE BABILÔNIA E AGORA ESTÁ EM VELHO CHICO. NÃO TEM RECEIO EM DESGASTAR SUA IMAGEM POR TRABALHOS SEGUIDOS?

Quando acaba um trabalho, me despeço da personagem. Mas acontece, em alguns casos, de ficar ainda com o trejeito, como a Bebel (de Paraíso Tropical). Mas agora, em Velho Chico, estou num contexto e processo de trabalho totalmente diferente. Por isso eu não me preocupo.

A BEBEL FOI UM GRANDE MARCO EM SUA CARREIRA. EM ALGUM MOMENTO FICOU COM RECEIO DE FICAR ESTIGMATIZADA POR ESSE PAPEL?

A dúvida ficou um pouco para todo mundo… É supernatural que exista. Eu foquei no trabalho, em vez de ficar com medo. Acaba se tornando uma prisão ficar preocupada em superar ou corresponder expectativas.

O QUE TE DESAFIA EM CADA PERSONAGEM?

Ah, nossa, eu tenho uma vida inteira de desafios. Todo personagem te traz outro universo a ser descoberto. Cada pessoa é diferente. Se eu sentar e conversar com você, por exemplo, vou saber das suas questões, dilemas e virtudes, descobrindo um jeito de passar isso ao público, por meio do personagem. O ator tem essa oportunidade. O interessante é estabelecer um olhar para o mundo.

Interpretando a batalhadora Regina em “Babilônia”

Interpretando a batalhadora Regina em “Babilônia”

 

VOCÊ É DO TIPO DE ARTISTA QUE GOSTA DE FAZER VÁRIOS PROJETOS AO MESMO TEMPO?

Eu já fui assim. Era daquelas que fazia faculdade, novela e teatro… Tudo junto! Com a maturidade, vamos aprendendo a ser menos ansiosas. Quando a gente tem um foco, produzimos coisas mais potentes.

DE QUE MANEIRA VOCÊ LIDA COM AS CRÍTICAS AO SEU TRABALHO?

Eu passei a entender que muitas dessas críticas chegam e nem sempre estão com o peso das coisas que falamos de forma oficial, é algo mais como uma brincadeira.

QUAL A RECEITA PARA MANTER UM CORPO ENXUTO COM AS MEDIDAS EM FORMA?

Eu continuo fazendo os mesmos exercícios de sempre. Pratico o método jun igarashi, que mistura vários tipos de exercícios, como alongamento, condicionamento físico. O resultado é incrível, eu me sinto muito bem assim.

QUAIS SÃO SEUS CUIDADOS COM A PELE?

Eu me alimento bem, beber muita água também é importante. Sigo as recomendações da minha dermatologista para determinados produtos e tratamentos na pele.

QUAL SUA RELAÇÃO COM A MODA?

Eu sempre valorizo a moda brasileira!

VOCÊ SE CONSIDERA UMA MULHER INTENSA?

Completamente. Sou intensa no meu trabalho, daquelas que, antes de começar a gravar ou filmar, vive intensamente a preparação. Sou leal e inteira em tudo, seja no trabalho ou amizades.

E TODA ESSA INTENSIDADE FAZ COM QUE VOCÊ SE MANTENHA SEMPRE SEGURA?

Eu acho que é preciso não se apavorar com isso. Tem que viver, deixar as coisas acontecerem e confiar em quem está perto de você também. Seja no trabalho ou com a família.

VOCÊ É FILHA DE UM DOS MAIORES NOMES DA DRAMATURGIA, O ATOR ANTONIO PITANGA. COMO DEFINE A HISTÓRIA DELE?

Meu pai tem uma liderança interessante na atualidade em defesa de suas ideias. Estamos sempre vivendo momentos de indignação, ele é um homem da ação, sempre batalhou em movimentos em prol da cultura, em um momento do cinema onde questionavam a identidade brasileira. No período da ditadura militar precisou se exilar. Não é simplesmente adoração de uma filha, estou falando como artista que admira um homem contemporâneo, dono de uma história que nos interessa. É um legado que vale a pena deixar para a juventude.


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