Maureen Miranda é fogo

13 de dezembro de 2013 - Por: Redação

Talento e disposição são coisas que realmente não faltam na vida de Maureen. Formada em Publicidade e Propaganda e Teatro, ela desenha desde pequenininha. Nascida em Pato Branco, mas criada em Paranaguá, onde começou a dar pinta de artista. A maneira como Maureen vê o mundo faz com que as pessoas se encantem até mesmo por um cemitério. Isso
mesmo, se você a ouvir dissertar sobre o seu fascínio pelo local, no final estará convencido de que esse lugar macabro é, na verdade, encantador. Experiência própria!

Seu trabalho é voltado para diferentes formas de expressão e para isso utiliza diversas linguagens e formatos. Sorte do público, que pode ter acesso a algo revelador sobre o universo feminino. Na moda, já mostrou sua criatividade para marcas como Coca-Cola Clothing, Colcci, Cavalera e Thaís Gusmão, além de ilustrar para veículos como Folha de S.Paulo, Revista Gloss e Joyce Pascowitch. Atualmente, dá conta de suas várias vocações e mantém seu belíssimo atelier na cidade, onde coordena a produção dos produtos que trazem toda a sua personalidade, traço e assinatura. São gravuras, passando por canecas, chinelos, bolsinhas e até jogos americanos. Confira de onde a moça de cabelos vermelhos e múltiplos talentos tira tanta originalidade.

Como tudo começou?
Eu comecei a desenhar desde criança, mas a ganhar dinheiro com o meu trabalho e a tentar me manter como artista foi em 2005. Eu estava em cartaz com uma peça em São Paulo, para você ver como é tudo unido, as artes plásticas com o teatro e tal. O elenco saiu para jantar, e uma amiga do diretor da peça me viu com um dos meus trabalhos − eu sempre andava com as minhas bolsinhas, essas eram da série Puta Veia que são uns cartões-postais superdivertidos que eu criei. Ela veio falar comigo e me convidou para ir mostrá-los na Revista Tpm, onde na época ela trabalhava. Fui até lá e eles piraram, fizeram uma matéria comigo e dali eu comecei. Antes disso, eu engavetava os meus desenhos.

Porque você desenha só mulheres?
Eu gosto de desenhar mulheres porque eu acho a figura feminina harmoniosa. É o universo que eu mais tento conhecer. Figura masculina eu não sei desenhar, eu já tentei, mas eles ficam todos com cara de menina. Então, é uma falha minha, sei lá! Na verdade a arte funciona para mim como uma forma curativa de eu mesma. Apesar de ser uma pessoa muito para fora, muito extrovertida, é claro que eu tenho meus momentos de nostalgia e de tristeza que eu acabo expressando no que eu estou desenhando. É um pouco dramático, mas tem cor.

E quanto a sua técnica?
Eu gosto de desenhar com canetas que borram. Eu comecei com caneta de bico de pena, mais tarde pesquisando eu descobri em algumas lojas, principalmente em São Paulo, que têm mais opções de livrarias e umas papelarias maravilhosas, algumas canetas que borravam. Mas elas não são próprias para isso, eu tenho um balde dessas canetas e vou testando. Eu uso aquarela também e gosto de trabalhar com renda e colagem sobre o desenho. Mas não tenho nenhum tipo de técnica secreta (risos).

E como foi unir a sua arte com o universo da moda?
Tudo começou quando eu fui ao São Paulo Fashion Week ver um desfile do Lino Villaventura. Eu estava com uma meia-calça todo desenhada, que eu mesma tinha desenhado na perna. De repente uma mulher veio falar comigo, dizendo que tinha achado o máximo, e essa mulher trabalhava na Cavalera. Resumindo, ela me convidou para ir até lá, eu fui e acabei
desenhando uma coleção inteira para eles. Dali, eu consegui o contato da Colcci, conversei com eles e acabei fazendo uma coleção toda para eles também. Nisso, uma coisa foi amarrando a outra, a estilista Thaís Gusmão chegou até mim e eu fiz uma coleção de pijamas para ela também.

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Você faz muitas coisas. De onde vem tanta energia?

Eu vivo a vida muito intensamente e busco viver o presente. Acho que a organização é a chave de tudo. Sem agenda eu não sou nada e tenho pessoas que trabalham comigo e me ajudam, mas eu sou muito organizada, até porque eu tenho várias frentes, sou diretora de teatro, atriz de teatro e de televisão, figurinista, além de artista plástica e  ilustradora. Acredito que a minha energia vem disso, a minha personalidade é assim, eu sou terrivelmente feliz.

Você tem vários talentos. Como fica o seu ego?
Há alguns anos as pessoas me parabenizavam e eu respondia “imagina”. Eu não aceitava muito, mas isso tem um lado maravilhoso que é o dom. Eu acho que a arte, os meus dons e os meus talentos têm uma ligação direta com o divino, então eu me acho uma pessoa muito privilegiada. Agora eu estou em uma fase muito de gratidão. Sim, eu tenho talento, sim, eu tenho um dom, eu faço minhas coisas por merecimento, então eu não estou mais negando isso tudo. Hoje eu respondo: “Poxa, muito obrigada”, e acredito que realmente eu mereço isso.

Você se acha? 

Não é uma coisa de se achar, é um reconhecimento, um presente que eu recebi. Então, eu tenho que ser grata a isso. E pode ter certeza de que o que eu puder espalhar de beleza e coisas boas com isso que Deus me deu eu tenho feito. Eu não pego só para mim e fico ali com o meu tesouro, eu compartilho.

E essa sua paixão por cemitérios…

Quando eu morava em Paranaguá, a minha casa era cercada por lugares mórbidos. Tinha um IML, a Santa Casa, um asilo de velhinhos, um hospital, uma igreja e o cemitério. Então, a minha casa ficava no meio de tudo isso e eu cresci brincando nesse universo, os meus passeios eram nesses lugares e eu não tinha medo. Pelo contrário, eu via o cemitério e pirava. Se você reparar é tudo muito lúdico, a tumba ou o sarcófago parece um castelinho, têm muitos detalhes de ferro, aquelas portinhas pequenininhas, aqueles anjos maravilhosos, é tão lúdico tudo aquilo, né? Era tão Alice no País das Maravilhas. E as fotos de crianças? Eu pensava: “Nossa aquela criança mora ali dentro”. Então foi uma coisa que foi me encantando e que me encanta até hoje. Eu tenho até alguns amigos que viajam, tiram fotos de cemitérios e trazem para mim de presente. Eu adoro, é um universo que me inspira!

E Maureen Miranda por Maureen Miranda? Como seria?
Eu sou uma pessoa em evolução e busco sempre o caminho do meio porque eu sei que eu sou muito over. Eu sou muito intensa e vivo intensamente tudo o que me aparece, seja em relacionamento ou nas amizades, e acho que isso de certa forma assusta as pessoas. Maureen Miranda por Maureen Miranda eu diria que é uma pessoa assustadora (risos).

Conheça mais sobre o trabalho de Maureen Miranda no site:
maureenmiranda.com.br


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