Nos bastidores com Adriane Galisteu

6 de março de 2016 - Por: Redação


Talvez o maior desafio do repórter que tem como missão entrevistar Adriana Galisteu certamente seja extrair algo que o público já não tenha visto nas centenas e centenas de revistas em que a apresentadora figurou com seu corpão bronzeado e seu rosto anguloso.

Assim, deixamos de lado as fotos em estúdio e a conversa rasgada à luz dos holofotes e fomos para os bastidores. Só ali é possível descobrir algo diferente. Alguma mania, um defeito, uma angústia qualquer que a tire do pantheon das divas e a aproxime das mulheres de carne e osso. Adriana fala sobre tudo, olha nos olhos. Num mundo em que tanta gente se esquiva da verdade, que se comunica por eufemismos, Adriane assume suas falhas com tranquilidade, briga com quem acha que tem que brigar e, o melhor, tem a coragem de sonhar alto.

FAMA TEM LADO RUIM?

Claro que não! A fama é consequência de um bom trabalho, assim como dinheiro. Não adianta, você só vai ser reconhecido se for talentoso e trabalhar bem. O lado ruim disso não existe. Os fãs são maravilhosos e eu não sou uma pessoa que nego uma foto ou um autógrafo. Pelo contrário, quando tenho um tempo eu paro, converso, me dedico e não tenho problema nenhum com a minha vida profissional e com as coisas que vem com ela.

GALISTEU APRESENTADORA

Não, eu nunca planejei absolutamente nada. Eu sempre sonhei em ser apresentadora, mas isso desde pequena. E fui por um caminho alternativo, fui modelo, cantei uma época, porque eu estava testando mil coisas, mas ser apresentadora era o meu foco desde pequena. Adorava fazer de conta que a escova era o microfone.

TV HOJE TEM MUITO DE INTERNET?

Televisão mudou muito, as coisas mudaram muito com a internet. A TV não é mais a mesma que era. Hoje, se você não consegue fazer essa interação entre quem está em casa, computador, celular e televisão, você fica por fora, meio peixe fora d’água. Eu era até um pouco contra tudo isso (esse excesso de informação), mas aí me dei conta que não tem jeito, que não tem como remar contra a maré. E olha, esta é uma mistura difícil de ser feita.

POR QUE AS MULHERES SE IDENTIFICAM TANTO COM VOCÊ?

Eu não sei… Eu percebo que quando as pessoas vêm falar comigo na rua elas falam sobre a minha história, de como vim do nada, passei muitas dificuldades para chegar até aqui. Eu nunca escondi isso da imprensa e nem de ninguém. Eu tenho um temperamento na televisão muito próximo do que eu sou na realidade. Não tenho personagem, procuro ser o mais honesta possível, mais verdadeira possível e acho que as pessoas percebem isso. Se você tem um personagem é mais fácil se esconder atrás dele e qualquer coisa você culpa o personagem. Não é o meu caso. Esse caminho que eu trilhei é bem mais difícil, mas acho que as pessoas se identificam com isso, com quem consegue dar a volta por cima. Passei por muitas dificuldades, tenho ainda muitos problemas e faço questão de dizer para as pessoas que todo mundo tem problema, seja rico, pobre, feio, bonito, gordo ou magro.  Todo mundo tem um enrosco e você tem que viver porque só existe essa vida. Algumas coisas são mais fáceis de administrar, outras mais difíceis. Você se deprime, fica alguns dias em casa, mas nunca escondi minhas fraquezas e minhas alegrias, meus momentos incríveis.

 

adriane galisteu

Foto Divulgação

O QUE MUDOU COM A MATERNIDADE?

Depois que virei mãe, essa aproximação com o público, essa coisa de mulher real ficou mais clara ainda. Porque a maternidade não transforma só a vida da mulher, mas também a vida da família e se isso já era forte para mim, a importância da minha mãe, a importância da família, ficou ainda mais forte.

VOCE TEM UMA RELAÇÃO MUITO BONITA COM SUA MÃE…

Sim, ela é o meu eixo, o meu umbigo. Minha mãe é a pessoa que faz a diferença na minha vida. Faz tempo que ela largou o cargo de mão para ser minha amiga. Ela realmente é a minha melhor amiga e uma avó maravilhosa. Eu falo que se eu for um terço da mãe que ela é para mim eu serei uma grande mãe, porque ela foi uma mulher muito batalhadora, muito vencedora. A minha história foi muito diferente da dela e a do Vittório vai ser mais ainda.

COMO VOCÊ PRETENDE ADMINISTRAR A EDUCAÇÃO DELE?

Com exemplos, porque o Alexandre é uma cara que trabalhou e trabalha muito.  Ele sai de casa de manhã e volta à noite. O Vittório terá o exemplo em casa de dois pais que trabalham muito.

E A RELAÇÃO DE RESPEITO COM AS PESSOAS?

Também. Você nunca vai me ver dando uma guarda-chuvada no paparazzo ou tratando mal alguém. Se alguma vez acontecer isso, pode me internar que alguma coisa está errada. Eu realmente respeito a profissão de cada um. As pessoas são felizes quando trabalham com aquilo que querem, mas nem todo mundo é feliz trabalhando com aquilo que faz. O paparazzo na necessariamente está feliz na porta da minha casa, mas ele tem que fazer aquilo, é o trabalho dele. Então eu mando pizza mesmo, converso e, mesmo as pessoas que não são legais comigo, não terão de volta na mesma moeda. Eu não penso assim, acho que elas perdem a mão e vão se arrepender em algum momento, porque a vida mostra para elas que as coisas não são assim.

COMO É SER GALISTEU?

Não é fácil. As pessoas às vezes têm uma ideia, de que “ah, é bonita, tem cabeleireiro, maquiador, está sempre nas melhores festas, nos melhores eventos…” Essa é uma visão que eu também não vou negar que eu tinha, lá atrás. Quando você está nessa situação percebe que as cosias não são assim, que existe muito trabalho para conseguir cumprir a agenda.

E OS FÃS?

Eu me emociono muito com eles quando falam no twitter, quando me defendem. Eles acompanham a minha vida desde o início. É muito gostoso saber que uma pessoa se dedica a você. E sigo todos eles no twitter, estou sempre de olho no que eles estão dizendo e fico muito feliz, porque a pessoa começa a gostar de você gratuitamente,  passa a te respeitar e isso já é um grande presente. Adoro quando eu estou na rua e uma pessoa vem falar de algum história, algum momento na vida do qual participei. Às vezes você faz a diferença na vida de alguém sem saber e eu tenho certeza de que muitas vezes eu fiz isso sem perceber, isso é uma coisa que me deixa muito feliz.

Matéria publicada na Revista VIVER Curitiba em março de 2012

 

 


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