Doce conquista

28 de agosto de 2013 - Por: Redação

Em agosto, a Requinte completa 29 anos. Qual o segredo dessa longevidade?

Acredito muito na qualidade, no respeito ao consumidor, ao fornecedor e ao colaborador. A ideia é sempre buscar a excelência, com muito treinamento, parceiros que estejam dispostos a colaborar e uma equipe sintonizada com nossos propósitos.

 

Qual a maior armadilha para um empreendedor?

Desistir daquilo que ele acredita. Às vezes, a dificuldade faz com que você comece a ter dúvidas e se desvie dos seus propósitos. É claro que não se pode insistir no erro, mas até o ponto em que vejo que o caminho é por ali sigo em frente, mesmo nas dificuldades.

 

Como você define a Requinte?

Como uma padaria e confeitaria que quer oferecer o melhor em tudo o que faz. Acho que a melhor forma de explicar isso é através de um lema no qual trabalhamos o “exagero de perfeição”. Afinal, são os detalhes que fazem a diferença.

 

Como você começou? 

Foi um projeto com meu ex-marido. Ninguém na família tinha feito algo parecido, mas ao pesquisar vários segmentos chegamos à alimentação. Afinal, é algo que todos fazemos enquanto estamos vivos e o pão nunca falta em nossa mesa. Pensando nisso, estudamos o mercado e decidimos que uma padaria seria um bom negócio. Começamos com um conceito completamente inovador para a época, de boutique de pães. Desde o princípio a gente buscou cursos, os melhores equipamentos, os melhores fornecedores e já abrimos as portas com um conceito empresarial.

 

Como assim?

Antigamente o segmento da panificação era muito informal. Era o pai fazendo pão, o filho atendendo, a mãe no caixa. É claro que trabalhei em todos os setores para entender o funcionamento e as dificuldades, mas desde o início tínhamos a visão empresarial, com cada coisa no seu lugar.

 

Qual foi o momento mais difícil destes 29 anos?

Foi quando a gente abriu a loja do Cabral porque achei que ia apenas dar continuidade ao que já fazíamos e tive que lidar com algo totalmente diferente. A loja do Cabral já nasceu muito grande e também os hábitos dos clientes mudam de uma região para outra. Foi um ano muito difícil.

 

Você orienta a produção?

Sim, no desenvolvimento de produtos e no acompanhamento da qualidade. Começamos com sete funcionários, hoje são 140. Com o aumento da demanda passei a delegar. Não existe a possibilidade de cuidar de tudo o tempo todo.

 

Você também dá muita atenção aos seus colaboradores, não?

Sem eles eu não tenho bons produtos e consequentemente não tenho clientes satisfeitos. Eu tenho com eles a mesma atenção e cuidado que tenho com os clientes. Eles precisam ser valorizados e respeitados, devem ter ambiente saudável, treinamento constante e benefícios para que tenham uma vida melhor. Valorizá-los é mostrar para eles como são importantes para o cliente e para a empresa.

 

Como você faz para mostrar isso a mais de 100 pessoas?

Quando falamos em “momentos especiais, momentos Requinte”, destacamos que eles estão participando de comemorações muito especiais na vida do cliente com nossos produtos. Nós somos importantes, porque entramos na casa das pessoas e por isso temos de fazer o melhor. Ninguém pode se frustrar nos seus melhores momentos.

 

Todo empresário hoje sofre com o alto giro de seus funcionários. Esse também é um drama para você?

Sim, hoje as ofertas de emprego são muitas. Como resultado da globalização tudo ficou mais acessível, mas não posso desistir, pois nem todos pensam igual. Se eu desistir, posso perder aqueles que valorizam nossos diferenciais.

 

Como você lida com a concorrência?

Acho sempre saudável, pois provoca você a realizar mudanças e a ter cuidados constantes com o seu negócio.

 

Você não tem o perfil de quem fica reclamando das dificuldades… 

Não, não dá para ficar reclamando. Cada dia é um presente, tenho clientes, uma equipe disposta e comprometida. E as dificuldades que aparecerem estão ali para serem superadas.

 

Suas duas filhas estão envolvidas com a loja. Já está preparando a aposentadoria?

Será que um dia eu vou conseguir? Adoro trabalhar, mas pretendo ter uma vida mais light sem demorar muito. A Gabriella gerencia a loja do Cabral e a Manoella está se formando em Engenharia Química e começou a fazer um estágio na produção. É maravilhoso, porque naturalmente vai acontecendo esse processo de sucessão.

 

Foi natural esse interesse delas pela empresa?

Eu nunca falei que seriam obrigadas a continuar o que eu comecei. Pelo contrário: disse que quando entrassem não seria para brincar. Ou arregaçam as mangas e vão à luta ou vão cuidar da sua vida do seu jeito. Não dá para brincar de ser dono.

 

Qual o produto que você mais gosta?

Pães, de um modo geral. Pão francês é o melhor de todos. Quentinho, com manteiga é imbatível.

 

E a última mensagem?

Eu gostaria de falar que sem Deus eu não teria nada disso. Vem de Deus essa garra, essa força, essa vontade, esse querer fazer parte da vida das pessoas de uma maneira saudável. Tudo vem de Deus e se eu não puder transmitir com as minhas ações tudo que eu acredito, a possibilidade de tudo dar errado é muito maior. A fé em Deus é fundamental até para que eu possa confiar em mim mesma.

 


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